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10/07/2008

Obama vai a lugares onde nunca esteve antes

The New York Times
Jeff Zeleny
Do The New York Times
Em Butte, Montana
O senador Barack Obama se maravilhou com a vista daqui. Ele descobriu que o gumbo (prato a base de quiabo) em Nova Orleans é mais saboroso do que o de Chicago. E ficou agradavelmente surpreso por ter amado Austin, Texas, e sua música - mas quem não ama?

A campanha presidencial não apenas deu ao país a chance de conhecer Obama. Ela também deu a Obama a chance de conhecer o país, o levando a locais dos Estados Unidos que ele nunca viu antes.

Desde o início de sua ascensão política há menos de quatro anos, ele visitou Nova Orleans, percorreu partes das Grandes Planícies e viajou pelo Sul - tudo pela primeira vez. Ele fez uma parada noturna no Monte Rushmore, prestou seus respeitos no túmulo do reverendo Martin Luther King Jr. e visitou a casa do presidente Harry Truman.

Desde que tinha 11 anos, quando viajou por um punhado de Estados com sua mãe, avó e irmã - de ônibus, trem e um carro alugado ocasional - Obama não via tanto dos Estados Unidos.

Após crescer no Havaí e na Indonésia e passar grande parte de sua vida adulta em cidades grandes, Obama, 46 anos, agora está se familiarizando mais profundamente com seu país e se vê incomumente surpreendido por algumas de suas descobertas.

"Um lugar que passei a amar, o que não esperava até esta campanha, é o Texas", ele disse outro dia em uma entrevista a bordo de seu avião de campanha, com uma região interiorana passando abaixo dele. "Eu acabei amando o Texas! Eu estou impressionado com quantos lugares lindos existem no país que você não necessariamente associa como sendo belos. Pittsburgh, por exemplo, é uma cidade realmente simpática com os rios e colinas."

A campanha nas primárias democratas, devido à sua duração incomum, levou Obama a quase todos os Estados americanos. Até mesmo dois Estados que ele não visitou neste ano - Arkansas, por exemplo, era considerado território de Clinton - ele visitou em 2006, enquanto fazia campanha para outros candidatos democratas.

A maioria dos candidatos presidenciais está no cenário nacional há anos ou mesmo décadas, percorrendo o país para arrecadar dinheiro e construindo uma rede para si mesmos e outros.

Ao longo de sua longa carreira na política, assim como seu serviço na Marinha, o senador John McCain, o rival republicano de Obama, já visitou grande parte do país. Ele nasceu na Zona do Canal do Panamá, mas viveu em muitos lugares enquanto crescia, seguindo a carreira militar de seu pai da Virgínia até a Califórnia e vários outros Estados. McCain já visitou 42 Estados desde o início de sua campanha presidencial no ano passado.

As primeiras visitas de Obama a Iowa e New Hampshire ocorreram à beira de sua própria estréia como pré-candidato presidencial. O senador é uma relativa raridade, um candidato que não vem de uma família famosa e cuja formação limitou suas oportunidades de viajar enquanto estava na faculdade e após.

Seu salário como organizador comunitário em Chicago - cerca de US$ 12 mil por ano - o permitia viajar apenas uma ou duas vezes por ano. Agora é mais provável que seja uma ou duas vezes ao dia, e ele freqüentemente batiza sua chegada a um novo destino com uma saudação pessoal enquanto absorve seus arredores.

"É divertido estar em Fargo", ele disse em uma tarde recente, enquanto estava sob o sol quente em um parque em uma visita a Dakota do Norte. "Mas não se parece como no filme."

Outra descoberta favorita, ele disse, foi a beleza da vastidão do Oregon. Nesta primavera, enquanto seu ônibus de campanha viajava de Portland pra Corvallis, ele também se informava com curiosidades.

"O Oregon na verdade é do tamanho do Reino Unido, exceto que conta com 3 milhões de habitantes enquanto o Reino Unido tem 80 milhões", Obama disse na entrevista. "Você pega fatos como este e então percebe quão afortunados nós somos."

Apesar de há quase 20 anos ele ter optado por se estabelecer em Chicago, uma cidade rica em história e com uma população altamente diversa, ele não conta com uma segunda residência para adicionar textura à história de sua vida. (Pense, por um momento, se ele vencer em novembro: Illinois se qualifica como cenário para a Casa Branca do Oeste?)

O sucesso de Obama na movimentada temporada das primárias democratas se deve, em grande parte, à biografia dele. Mas na campanha da eleição geral, um de seus desafios mais urgentes é assegurar aos eleitores que ele é um deles, que seu histórico e criação não é muito diferente dos deles.

Apesar de não ter visitado os Estados Unidos continentais antes dos 11 anos e da história de sua família ser singular entre os candidatos presidenciais, Obama disse não se considerar em desvantagem política.

"Meus avós e minha mãe, de muitas formas, eram tão americanos que me transmitiram estes valores desde cedo", ele disse, acrescentando que sua infância no Havaí está cheia de histórias sobre o Kansas de onde a família veio, o que o deixou sabendo bem mais do que qualquer coisa que sabia sobre a família de seu pai no Quênia. "Eu senti que não havia muito que não era familiar para mim enquanto estava viajando."

Muitas das distinções regionais nos Estados Unidos, ele disse, "em termos culturais, políticos, de postura, de pessoas," foram atenuadas. Após 18 meses viajando extensamente pelo país, ele disse, "as maiores diferenças têm mais a ver com rural, suburbano, urbano, diferente de norte, sul, leste ou oeste".

Ainda assim, os jornais locais destacaram um punhado de suas gafes locais, que então são telegrafadas para um público maior pelo Comitê Nacional Republicano.

Em maio, quando Obama chegou para um comício na maior cidade de Dakota do Sul, ele declarou: "Obrigado, Sioux City!" Esta cidade fica em Iowa. Ele estava em Sioux Falls.

Uma semana depois, ele saudou o público em uma grande arena no sul da Flórida com, "Como vai, Sunshine?" Poucos minutos depois, ele acrescentou: "É bom estar em Sunshine!" Na verdade, ele estava em Sunrise, Flórida.

Outro dia, enquanto Obama fazia sua segunda viagem neste ano a Butte, ele suspirou ao ver as Montanhas Rochosas ao longe e a cordilheira que marca a Divisão Continental.

"Esta é uma oportunidade excelente para visitarmos aquele que deve ser um dos Estados mais bonitos do país", disse Obama, falando sob aplausos de algumas poucas centenas de moradores locais. "Eu já tive a chance de fazer campanha em 49 Estados. O único lugar em que ainda não estive é o Alasca."

Em uma entrevista ao deixar Montana, em um avião com destino ao Missouri, Obama deu uma prévia do itinerário que ele espera realizar.

"A certa altura eu irei ao Alasca, mas talvez após me eleger presidente", ele disse. "Mal posso esperar." George El Khouri Andolfato

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