UOL Notícias Internacional
 

10/07/2008

Reagindo a colegas de trabalho que carecem de bons modos

The New York Times
Lisa Belkin
Querido Colega:

Quando puder se desligar por um momento do envio de mensagens de texto para amigos durante as reuniões e cantarolar juntamente com seu iPod, nós precisamos conversar. Se trata de seus modos.

Você pode ter alguns, mas nós achamos que ultimamente você está esquecendo de trazê-los ao escritório. O que é que há com a descarga não dada no toalete, os barulhos um tanto alarmantes e sem consideração vindo de sua seção (você está realmente cortando as unhas do pé?) e as experiências científicas no refrigerador do escritório, que na verdade são restos do almoço da última sexta-feira?

Dica: sua mãe não trabalha aqui.

Nós, seus colegas de trabalho, reconhecemos que estamos mais estranhos que o habitual e ultimamente nos incomodando mais facilmente. Não apenas chegamos com calor e suados, mas sob ameaça de temporais, também há esta crise econômica, de forma que estamos estressados.

Descobrir que você de novo pegou "emprestado" nosso grampeador e cadeira, e se serviu das barras de chocolate que guardamos para emergências... bem, vamos dizer que o estoque de papel higiênico indebitamente apropriado que você usa quando o suprimento comum se esgota está correndo sério risco. (Você acha que não sabemos onde está?)

Pressionar seus colegas de trabalho até o limite tem conseqüências. Veja uma de nossas heroínas: Lynne R. Viccaro. Todo dia o trabalho dela em seu ex-emprego de marketing em Long Island era impossibilitado por uma mulher na mesa ao lado, que tinha um relacionamento inseparável com seu celular. Também era seu telefone doméstico, e, portanto tocava o tempo todo. Seu toque ("Get the Party Started" da Pink) estava ajustado para decibéis de concerto de rock, e apesar dos pedidos diretos dos colegas ao seu redor, a mulher nunca mudou para o modo vibratório.

Um dia, a infratora foi a uma reunião e o telefone "começou a saltar" em sua mesa, disse Viccaro. Em um momento de inspiração, Viccaro pegou o aparelho barulhento e o envolveu em plástico bolha e fita adesiva até parecer uma bola de basquete barulhenta, então o enfiou na última gaveta da mesa de sua dona.

"A verdadeira diversão começou", explicou Viccaro em uma mensagem por e-mail, "quando ela voltou e ouviu o som abafado de seu celular", tentando anunciar uma chamada perdida. Ela resgatou o telefone de seu túmulo de plástico e gritou: "Quem fez isso ao meu telefone?"

Viccaro confessou orgulhosamente.

"Por quê?" gritou a mulher.

A resposta de Viccaro? "Porque não tinha uma janela aberta próxima."

Muito bem, nós dizemos. Muito bem.

Nós também aplaudimos Shirley Van Scoyk, uma corretora de imóveis da Weichert, em West Chester, Pensilvânia, cujo adversário não era um celular, mas uma caneca de café. Uma pia cheia delas, na verdade.

Há 70 funcionários em seu escritório, ela disse, e cada um parece acreditar que uma fada lavadora de louça vem à noite. "Como que um adulto pode tomar café em uma caneca, depois passar uma água nela e colocá-la, cheia de água, na pia e ir embora?" ela perguntou em um tom que sugere que fez esta pergunta antes e nunca recebeu uma resposta. "O que você acha exatamente que vai acontecer para que aquela caneca volte ao armário?"

O que está acontecendo agora é que as canecas simplesmente desaparecem.

"Eu simplesmente passei a jogar as sujas fora", disse Van Scoyk, sem remorso. "Algum dia não vai haver nenhuma. E então eu acho que não teremos uma pia cheia de canecas sujas."

Mas nem todo plano é eficaz. Carey Hart e os outros funcionários da BlastMedia, uma empresa de relações públicas em Indianópolis, passou dois anos tentando impedir os ladrões de comida na cozinha que a agência compartilha com outras empresas no prédio. Quando os funcionários da BlastMedia pedem pizza e colocam as sobras no refrigerador, os pedaços desaparecem. Certo dia tudo o que restava era um pedaço de pepperoni em uma caixa vazia.

Produtos também desaparecem do escritório. Havia oito bolinhos na sala de conferência quando Hart deixou o trabalho certa noite. Pela manhã, restavam dois. Havia quatro Twixs, quatro potes de pasta de amendoim e quatro Kit Kats, colocados como isca sob uma pilha de guardanapos em uma mesa no fim de semana. Na segunda-feira, metade tinha desaparecido.

Hart e seus colegas escreveram seus nomes nas caixas, colocaram bilhetes educados no interior e selaram os pacotes com adesivos da empresa; nada impedia os roubos.

"Nós pensamos em preparar bolinhos com laxante como vingança", ela disse, "mas não fomos tão longe. Ainda".

Nós também não queremos recorrer a medidas drásticas. Daí esta carta. Mensagens anônimas como esta, do tipo que você encontra fixada no refrigerador coletivo ou no painel do corredor, são uma tradição antiga. Eles fazem parte das comunicações do escritório tanto quanto os memorandos ou e-mails oficiais e, às vezes, provavelmente são bem mais eficazes.

Atualmente nada tem uma posição oficial sem uma presença na Internet. Veja uma coleção de bilhetes como os atualmente encontrados em passiveaggressivenotes.com, que celebrou seu primeiro aniversário no mês passado. (Alerta: alguns podem não ser adequados para crianças ou monitores de escritório.)

Usando o site como uma amostra não científica, Hart não é a única com frustrações na cozinha. Uma série de bilhetes, por exemplo, é dedicada ao desaparecimento de Hot Pockets, que Kerry Miller, a fundadora do site, chama de "os rádios de carro do refrigerador do escritório".

O primeiro bilhete, escrito à mão em um quadro branco, dizia: "Para quem quer que tenha roubado meu HOT POCKET: Isso ainda NÃO ACABOU e NÃO É LEGAL". Um segundo, rabiscado em papel, dizia: "Querido LADRÃO de Hot Pocket! Pare de Roubar. É Errado... e estou com fome e sem almoço!!! Obrigado". Este foi feito na impressora: "Para o indivíduo que roubou meus hot pockets! Eles não pertenciam a você! Ao consumir os hot pockets, você cometeu um furto! Isso não será tolerado!"

A etiqueta no banheiro também é um assunto popular no site. Por trazermos nossos modos ao trabalho, nós não descreveremos o comportamento não higiênico que provocaram estas notas em toaletes por todo o país.

Um dos poucos que podemos citar também é uma queixa nossa. "Esta não é uma sala de leitura", dizia uma página na porta do toalete masculino em uma organização sem fins lucrativos em San Francisco. "Aqueles que freqüentemente aguardam pacientemente pela liberação do toalete apreciariam se todos tivessem isso em mente."

A propósito, há outras formas de transmitir sua mensagem. Lisa Kogan, uma colunista da revista "O", se queixou na edição de abril sobre sua busca pela "Lambona". Sua adversária deixa regularmente sua imitação de "Jackson Pollock" por todo o assento do toalete e piso da cabine.

"Ela se tornou a ruína da minha existência", escreveu Kogan.

Três meses após a publicação da coluna, Kogan ainda não conseguiu identificar a culpada. Mas a ofensa em si parou, o que prova que a humilhação não precisa ter um nome associado para funcionar. Nós esperamos que funcione para você, querido colega. A idéia de Hart de um laxante soa muito tentadora. George El Khouri Andolfato

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