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12/07/2008

Oferta da Coréia do Sul ao Norte é manchada por morte

The New York Times
Choe Sang-Hun
Em Seul, Coréia do Sul
O presidente Lee Myung-bak reverteu na sexta-feira sua abordagem dura em relação à Coréia do Norte, oferecendo a retomada do diálogo e fornecimento de ajuda humanitária, mas a medida foi imediatamente marcada pela morte a tiros de uma mulher sul-coreana por um soldado norte-coreano, em um enclave turístico do Norte.

Uma empresa de turismo relatou que a mulher foi baleada pouco antes do amanhecer de sexta-feira, após entrar em uma área militar cercada perto do Monte Diamante, uma zona turística que foi aberta aos sul-coreanos em 1998.

A Coréia do Sul suspendeu imediatamente às visitas à zona, um símbolo da reconciliação entre o Norte e o Sul. Quase 2 milhões de sul-coreanos já visitaram o Monte Diamante, um local com vistas deslumbrantes na ponta sudeste da Coréia do Norte, primeiro por balsa e posteriormente por uma rota terrestre.

Lee foi informado sobre a morte uma hora e meia antes de fazer seu primeiro discurso ao Parlamento como presidente, disseram seus assessores. Mas ele seguiu em frente com sua abertura para a reconciliação.

"O diálogo pleno entre as duas Coréias deve ser retomado", disse Lee.

"O governo sul-coreano está disposto a promover consultas sérias sobre como implantar os acordos que os dois ex-presidentes sul-coreanos, Kim Dae-jung e Roh Moo-hyun, assinaram com o líder norte-coreano, Kim Jong Il, em 2000 e 2007", disse Lee.

Não houve uma reação imediata da Coréia do Norte ao discurso de Lee, ou comentário sobre a morte. Não ficou claro se a morte da turista, identificada como Park Wang-ja, alteraria a oferta de Lee.

Lee, cuja eleição em dezembro passado devolveu os conservadores ao poder após uma década, demonstrou reservas à beira do desprezo em relação aos acordos negociados por seus antecessores.

A reversão de sua posição ocorreu em meio à crescente pressão doméstica e internacional por um abrandamento de suas políticas. Após semanas de protestos contra sua decisão de suspender a proibição da importação de carne americana, Lee estava sendo pressionado por seus adversários liberais a melhorar as relações com o Norte, em um momento em que os Estados Unidos estavam dialogando com Kim.

Na sexta-feira, Lee quase disse que estava obrigado pelos acordos de seus antecessores e reiterou que a prioridade do Sul era o desarmamento, insinuando que nenhuma grande ajuda econômica seria fornecida a menos que ocorressem progressos no desmonte dos programas de armas nucleares do Norte.

Ainda assim, sua abertura pareceu indicar flexibilidade. Desde sua eleição, ele tem limitado seus comentários à possibilidade de uma "revisão" dos acordos entre as Coréias, que prometem estaleiros, estradas, assistência ferroviária e outros projetos multibilionários para a Coréia do Norte. Ele também tinha descartado expandir os projetos econômicos conjuntos já em andamento, como Kaesong, um complexo industrial ao norte de Seul e símbolo da reconciliação intercoreana.

Sua posição enfureceu a Coréia do Norte, que considerou aquilo um insulto a Kim, que assinou os acordos.

Chamando Lee de um "bajulador" e "traidor", o Norte cortou todo o diálogo oficial com o Sul, ordenou as autoridades sul-coreanas a deixarem Kaesong e exigiu que Lee declarasse que honraria os acordos.

Com sua promessa de campanha de uma política mais dura em relação à Coréia do Norte, Lee obteve o apoio dos sul-coreanos que se queixavam de que os governos anteriores mimavam o Norte com imensa ajuda sem obter concessões.

Mas no mês passado, a Coréia do Norte apresentou um relatório parcial de seus programas nucleares e os Estados Unidos buscaram retirar a Coréia do Norte de sua lista negra de terrorismo e relaxar algumas das sanções econômicas.

O Japão também concordou em suspender algumas sanções, enquanto o Norte reabria uma investigação da abdução de cidadãos japoneses.

Os Estados Unidos começaram a enviar 500 mil toneladas de ajuda alimentar para a Coréia do Norte neste mês. Na sexta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) foi conduzido de volta para as províncias isoladas do nordeste da Coréia do Norte, dois anos após ter sido ordenado a sair pelo governo.

Quando a Coréia do Sul ofereceu recentemente enviar 50 mil toneladas de milho, o Norte empobrecido disse que não precisava da ajuda do Sul, levando alguns críticos na Coréia do Sul a acusar que a política de Lee tinha saído pela culatra.

"Ele achou que a Coréia do Norte cederia sob uma política linha-dura, mas isso não aconteceu", disse Cho Seong-ryoul, um analista do Instituto de Segurança Nacional e Estratégia, em Seul.

"A mudança na sua política se tornou inevitável."

Cho disse que Lee desapontou muitos simpatizantes conservadores, incluindo sul-coreanos mais velhos que desejam se reunir com seus parentes no Norte, e empresários que esperavam transferir suas fábricas de trabalho intensivo para Kaesong.

Na sexta-feira, Lee disse estar pronto para ajudar a aliviar a escassez de alimentos no Norte. Em troca, ele propôs reuniões dos coreanos idosos separados pelo conflito coreano de 1950-1953.

Cheong Seong-chang, um analista do Instituto Sejong, em Seul, que previu o fracasso na política linha-dura de Lee, disse que a abertura do presidente na sexta-feira não obteria nenhuma resposta imediata do Norte por carecer de detalhes específicos, como um compromisso para expansão do complexo de Kaesong.

O governo de Lee precisa muito de um sucesso. Em meio ao aumento dos preços do petróleo, ele foi forçado a reduzir a meta de crescimento econômico para este ano. A crise aumentou quando grandes multidões foram às ruas nas recentes semanas para protestar contra a importação de carne bovina americana.

"O fiasco da carne bovina mostrou a ele que não pode superar a crise dividindo o país ainda mais em torno da Coréia do Norte", disse Cheong.

Em Pequim, as negociações envolvendo seis países sobre os programas nucleares da Coréia do Norte entraram em seu segundo dia na sexta-feira, com os negociadores discutindo a queixa de Pyongyang de que não recebeu grande parte da assistência em energia que lhe foi prometida.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Qin Gang, relatou progresso. "Em relação aos acordos específicos em verificação, eu acho que as seis partes farão um anúncio em breve", disse Qin em uma coletiva de imprensa. George El Khouri Andolfato

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