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15/07/2008

Tropas no Afeganistão precisam de ajuda, diz Obama

The New York Times
Jeff Zeleny
Do The New York Times

Em San Diego
O senador Barack Obama está propondo que os Estados Unidos enviem cerca de 10 mil soldados adicionais para combater as forças ressurgentes no Afeganistão, um plano que visa deslocar o foco militar americano da guerra no Iraque para a crescente violência do Taleban.

"Como presidente, eu buscaria uma nova estratégia, e começaria fornecendo pelo menos duas brigadas adicionais de combate para apoiar nosso esforço no Afeganistão", escreveu Obama, o virtual candidato democrata, em um artigo de opinião publicado na segunda-feira no "The New York Times". "Nós precisamos de mais tropas, mais helicópteros, melhor coleta de inteligência e mais assistência não-militar para cumprir a missão ali."

Obama, que está entre aqueles que defendem que o Afeganistão foi negligenciado por causa da política do governo em relação ao Iraque, não tinha oferecido anteriormente um plano específico sobre como fortalecer as tropas no Afeganistão. A proposta dele surge enquanto ele se prepara para visitar os comandantes americanos e avaliar o progresso no Iraque e as necessidades no Afeganistão.

Ele disse que uma nova onda de violência no domingo, na qual nove soldados americanos morreram em fortes combates com o Taleban no leste do Afeganistão, ressalta os desafios militares que esperam os Estados Unidos. Ele disse em uma coletiva de imprensa aqui: "É muito difícil para nós reforçarmos nossas forças no Afeganistão quando temos uma presença tão pesada no Iraque".

Enquanto o governo Bush considera a retirada das forças de combate adicionais do Iraque em setembro, as necessidades militares no Afeganistão estão ganhando maior foco. Obama e outros democratas disseram que o equilíbrio de tropas nas duas zonas de guerra deve ser ajustado. Ao mesmo tempo, a queda na violência iraquiana complicou seu argumento de que o aumento de tropas americanas foi falho.

"Eu continuo acreditando que estamos com recursos insuficientes no Afeganistão", disse Obama no domingo, falando aos repórteres após discursar para um grupo latino daqui. "Ali é o verdadeiro centro da atividade terrorista com o qual temos que lidar, e lidar de forma agressiva."

Em breve, em uma data que não é divulgada por motivos de segurança, Obama disse se juntará aos senadores Chuck Hagel, republicano de Nebraska, e Jack Reed, democrata de Rhode Island, em uma viagem ao Iraque e possivelmente ao Afeganistão. Todos os três senadores compartilham críticas à política do governo para o Iraque.

A visita ao Iraque, e suas conclusões a partir de reuniões com os comandantes militares, representa um momento importante para a candidatura de Obama. Apesar de ter dito que ainda apóia a retirada das tropas de combate americanas em um prazo de 16 meses, ele tem lutado para explicar como conciliaria este plano caso as condições em solo não fossem propícias a essa meta.

Ele disse que não estava a caminho do Iraque para promover seu plano de retirada, mas para reunir fatos.

"Nós temos um presidente de cada vez, então não viajarei para negociar algo ou fazer promessas", disse Obama aos repórteres a bordo de seu avião de campanha, na noite de sábado. "Eu vou para lá para escutar, mas não há dúvida de que minha posição central, a de que precisamos de um prazo para retirada, não apenas aliviaria a pressão sobre nossas forças armadas, mas também lidaria com a deterioração da situação no Afeganistão e colocaria mais pressão sobre o governo iraquiano."

Vários simpatizantes democratas criticam Obama pelo que consideram ser seu deslocamento para o centro político em várias questões, incluindo a guerra no Iraque. Ele abordou estas críticas e buscou deixar claro em seu artigo de opinião para o "Times" que sua meta de colocar um fim à guerra, um ponto central de sua campanha nas primárias, permanece inalterado.

"No meu primeiro dia no governo, eu daria aos militares uma nova missão: encerrar esta guerra", escreveu Obama, acrescentando: "Encerrar a guerra é essencial para atender nossas metas estratégicas mais amplas, começando pelo Afeganistão e Paquistão, onde o Taleban está ressurgente e a Al Qaeda tem um refúgio seguro. O Iraque não é a frente central na guerra contra o terrorismo e nunca foi".

O senador John McCain, o virtual candidato republicano, não fez campanha no domingo. Mas em uma visita ao seu comitê regional de campanha no sudoeste, em Phoenix, ele mencionou as nove mortes no Afeganistão, descrevendo a violência ali e a crise econômica americana como "momentos difíceis" e "grandes desafios", segundo várias reportagens.

Obama não visita o Iraque desde sua primeira viagem para lá, em janeiro de 2006, o que McCain e os republicanos usaram para sugerir que ele não está suficientemente ciente do progresso militar que foi obtido. McCain já esteve no Iraque pelo menos oito vezes. Ao ser perguntado sobre as críticas no domingo, Obama ficou na defensiva.

"John McCain está no Congresso há 25 anos -não há dúvida a respeito disso- de forma que se for uma medição de longevidade, então John McCain vence", disse Obama. "Por outro lado, antes de irmos para o Iraque, eu sabia a diferença entre xiitas e sunitas."

O comentário foi uma referência ao erro cometido por McCain no início deste ano, quando teve dificuldade para explicar a distinção entre os grupos étnicos majoritário e minoritário no Iraque. No domingo, um porta-voz de McCain criticou a viagem de Obama, sugerindo que ele não a está fazendo com a mente aberta para o progresso obtido pelas forças americanas.

"Se Barack Obama acredita que visitar o Iraque e se encontrar com os comandantes não lhe dará nenhuma nova perspectiva, então só podemos presumir que ele vai apenas para sorrir para as câmeras", disse Tucker Bounds, um porta-voz de McCain. George El Khouri Andolfato

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