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17/07/2008

Estudo alega que cigarros mentolados são manipulados

The New York Times
Stephanie Saul
Um novo estudo de Harvard alega que a indústria do tabaco manipulou nos últimos anos os níveis de mentol nos cigarros para atrair os jovens e manter a lealdade entre os fumantes adultos. O relatório pode inflamar ainda mais a controvérsia em torno do mentol na legislação pendente sobre o tabaco.

O estudo dos pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, divulgado na quarta-feira, conclui que os fabricantes têm vendido suas marcas ao que chamou de "população vulnerável" de adolescentes e jovens adultos, ao "manipular elementos sensoriais dos cigarros para promover a iniciação e dependência".

Os jovens, disse o estudo, toleram melhor os cigarros mentolados do que aqueles sem mentol. Nos cigarros com baixo nível de mentol, este mascara a aridez, facilitando para que a pessoa comece a fumar. Mas à medida que os fumantes se tornam mais acostumados ao mentol, eles preferem sensações mais fortes, segundo o estudo.

"As empresas de tabaco pesquisaram como o controle dos níveis de mentol aumenta as vendas das marcas entre grupos específicos", disse o estudo.

"Eles descobriram que produtos com níveis mais altos de mentol e sensações mais fortes eram preferidos por fumantes veteranos de cigarros mentolados, e marcas mais suaves com menos mentol tinham apelo junto aos fumantes mais jovens."

O estudo conclui que 44% dos fumantes com idades entre 12 e 17 anos preferem cigarros mentolados, e pede a regulação da indústria do tabaco e, em particular, do mentol.

O cigarros mentolados correspondem atualmente a cerca de 28% do mercado americano de cigarro de US$ 70 bilhões.

Um porta-voz da empresa que é dona da Philip Morris, cujas marcas Marlboro mentoladas estão entre as citadas no estudo, negou na quarta-feira que ela ajustou os níveis de mentol como forma de atrair os jovens fumantes.

Mas o estudo argumenta que a Philip Morris empregou uma estratégia dupla para melhor competir no mercado de cigarros mentolados, um segmento de seus negócios que deixava a desejar antes de 2000.

A empresa introduziu uma nova marca de baixo nível de mentol, a Marlboro Milds, para competir com cigarros como o Newport, que contém baixo nível de mentol. Ao mesmo tempo, concluiu o estudo, a Philip Morris aumentou o nível de mentol em sua marca Marlboro Menthol em 25%, para ter apelo junto aos fumantes adultos.


"A Marlboro precisava de um produto com menos mentol que atenderia às necessidades sensoriais dos fumantes jovens, assim como um cigarro com mais mentol para os fumantes mais velhos", disse o estudo.

De lá para cá, a participação da Philip Morris no mercado de mentolados aumentou e ela é atualmente a segunda maior vendedora de cigarros mentolados nos Estados Unidos.

Um porta-voz da Altria, a empresa dona da Philip Morris, contestou tanto a hipótese quanto os fatos contidos no estudo.

"Nós discordamos das conclusões de que os níveis de mentol em nossos produtos foram manipulados para conquistar participação de mercado entre os adolescentes", disse David M. Sylvia, o porta-voz da Altria, na quarta-feira. "Nós não fazemos pesquisa entre menores, não desenvolvemos produtos para menores, nem comercializamos para menores." A marca líder de mentolados é a Newport, fabricada pela Lorillard. Um porta-voz da empresa, Michael W. Robinson, disse na quarta-feira que a alegação de que a Lorillard manipulou seus produtos para mercados específicos é falsa.

"A Lorillard não controla os níveis de mentol para promover o fumo entre adolescentes e jovens adultos", disse a declaração de Robinson.

O estudo, publicado pelo "The American Journal of Public Health", também encontrou várias mudanças nos níveis de mentol nos cigarros desde 2000, que os autores argumentam visar atrair categorias específicas de fumantes. Eles são o Newport da Lorillard e os cigarros fabricados pela RJ Reynolds: Salem Black Label, Salem Green Label, Camel Menthol, Kool e Kool Milds.

O dr. Howard Koh, um autor do estudo, acusou a indústria do tabaco de adotar "uma estratégia bastante sofisticada para atrair os jovens com níveis mais baixos de mentol e então segurar os clientes adultos, que já se acostumaram ao mentol, com os níveis mais altos que eles desejam".

Em uma declaração, um porta-voz da RJ Reynolds disse que as alegações não eram verdadeiras.

"Parece que este relatório é simplesmente um esforço para promover a regulação federal da indústria do tabaco, não uma análise científica da categoria de mentolados", disse David P. Howard, o porta-voz da Reynolds.

Um projeto de lei que está tramitando no Congresso daria à Food and Drug Administration (FDA, a agência federal americana de controle de alimentos e medicamentos) a autoridade de regular os produtos de tabaco e remover os aditivos dos cigarros, incluindo o mentol. Mas apesar da legislação imediatamente proibir muitos outros aromatizantes, ela isenta especificamente o mentol dessa proibição.

A questão é particularmente controversa, porque os cigarros mentolados contam com grande preferência entre os fumantes negros, que possuem taxas elevadas de cânceres ligados ao fumo.

Koh, diretor da divisão de prática de saúde pública da Escola de Saúde Pública de Harvard, disse que sua equipe não está pedindo por uma proibição do mentol como alguns ativistas antifumo exigem.

"A visão de nossa equipe é de que o projeto de lei da FDA tem a autoridade para regular o mentol e fazê-lo de forma cientificamente sólida em uma área muito, muito complexa", disse Koh.

Ele disse que o estudo, iniciado há mais de dois anos, foi estimulado por dados mostrando que as vendas de cigarros mentolados não estavam declinando como a de outros segmentos da indústria do tabaco.

"Esta é claramente uma área onde a indústria estava claramente mantendo participação de mercado, quando não aumentando entre certos segmentos da população", disse Koh, "então queríamos cavar mais fundo e explorar qual era exatamente o mecanismo". George El Khouri Andolfato

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