UOL Notícias Internacional
 

22/07/2008

Michele Obama seria que tipo de primeira-dama?

The New York Times
Patrick Healy, do The New York Times
Hillary Rodham Clinton ressaltou o "primeira" do termo primeira-dama: uma mulher moderna de carreira que pesou na política da Casa Branca, fez inimigos políticos e depois tornou-se, ela própria, senadora e candidata presidencial.

Laura Bush colocou a tradição à frente da modernidade: discreta e aparecendo pouco, ainda que os amigos digam que ela é uma mulher de opiniões fortes.

Enquanto Cindy McCain está adotando Laura Bush como modelo - um modelo que parece familiar e seguro para a maioria dos norte-americanos -, Michelle Obama anda não indicou exatamente que tipo de primeira-dama seria. Enquanto o marido, o senador Barack Obama, viaja ao Iraque, a Israel e à Europa nesta semana, ela passa parte do tempo em Chicago com as duas filhas, levando-as para acampar e jogar futebol. Mas ela não está simplesmente ficando em casa e assando biscoitos.

Michelle Obama e a campanha de Barack Obama estão procurando atingir um equilíbrio no que se refere à imagem dela: uma mulher que se sente feliz em casa com as crianças, a sua maior prioridade, mas que também encontra tempo para ir à luta duas vezes por semana para ajudar o marido.

Mas ainda que ela indique que isto não se trata de um acordo "dois por um" no estilo Clinton, Michelle Obama e a campanha do seu marido estão retirando algumas lições da experiência de Hillary Clinton como alvo de intensos ataques partidários e um símbolo de amplos debates sociais sobre como as mulheres devem algumas vezes conciliar papéis e expectativas conflitantes.

Embora as duas mulheres ainda não tenham conversado sobre as dificuldades vinculadas ao fato de ser mulher de um candidato à presidência, os assessores de Barack Obama afirmam que algumas experiências de Hillary Clinton servem como guia - e contraponto - para Michelle Obama.

E o mais crucial, sob um ponto de vista político, é que a campanha de Obama está lidando com ataques constantes contra Michelle. O Partido Republicano do Estado de Washington reciclou um comentário dela - Michelle disse que o sucesso do marido e a sede de mudança por parte dos eleitores fizeram com que sentisse orgulho do seu país pela primeira vez na vida - depois que a mulher do candidato democrata visitou o Estado, o que sugere que os republicanos continuarão tentando retratá-la como uma pessoa fora de sintonia com os valores norte-americanos.

"Neste negócio, você fala algo e aquilo que você disse é colocado fora de contexto e usado na disputa", diz David Axelrod, estrategista da campanha de Obama. "E isso é especialmente perigoso para uma pessoa que não é política".

Para lidar com isso, Michelle Obama conta com um novo chefe de equipe e uma vasta assessoria complementar - uma grande rede de apoio da qual Hillary Clinton desfrutou durante as campanhas do seu marido, ou que Teresa Heinz Kerry, a mulher do senador John Kerry, tinha quando ele foi o candidato democrata em 2004. A campanha de Obama também está sendo altamente seletiva quanto às entrevistas com ela nos noticiários, preferindo programas como "The View", da rede de televisão ABC, e veículos que transcrevem os seus comentários integrais (e não trechos, como fazem os jornais).

Após ingressar na política eleitoral, Hillary Clinton adotou esta abordagem com sucesso na sua campanha pelo Senado em 2000 e na campanha presidencial deste ano. Já durante a campanha presidencial do marido, em 1992, ela em determinadas ocasiões respondeu perguntas feitas por repórteres que viajavam com o candidato, o que às vezes a levou a cometer gafes.

"Colocar Hillary Clinton em programas nos quais ela era capaz de falar bastante perante uma platéia ao vivo - programas como 'The View' e Letterman, qualquer coisa que lhe desse a oportunidade de entrar na sala de estar do expectador e mostrar quem era - foi algo de muito positivo para nós", diz Howard Wolfson, diretor de comunicação das campanhas de 2000 e 2008 de Hillary Clinton.

"Já os momentos YouTube ou opiniões curtas na mídia não são boas opções", acrescenta Wolfson, que atualmente é comentarista da Fox News.

Quando Hillary Clinton cometeu as suas gafes em 1992 - e passou a um número cada vez maior de norte-americanos a impressão de que era exageradamente ambiciosa e diferente de uma primeira-dama típica - a campanha de Bill Clinton procurou melhorar a imagem dela colocando-a naqueles que um ex-assessor chama atualmente de "cenários mais suaves", especialmente eventos com mulheres e crianças em escolas e bibliotecas.

Embora os assessores de Obama insistam que não vão tentar suavizar a imagem de Michelle Obama ou "controlá-la" - eles afirmam que ela resistiria a tais tentativas - eles estão seguindo o mesmo padrão utilizado pela equipe de Bill Clinton em 1992, procurando cenários que permitam que ela exiba uma conexão com os problemas enfrentados pelos norte-americanos.

Por exemplo, ela mantém freqüentes discussões em mesas redondas com pais que trabalham e que lutam para pagar as contas e com famílias de militares, a fim de ressaltar o trabalho árduo dos familiares dos soldados nos Estados Unidos.

Porém, as imagens públicas das mulheres dos recentes candidatos democratas - Hillary Clinton, Heinz Kerry, Elizabeth Edwards, Kitty Dukakis e outras - estão, seja isso positivo ou não, gravadas na memória do partido. A noção política de "controle de imagem" - impedir que um oponente distorça a sua imagem - aplica-se não só ao candidato presidencial, mas também à sua mulher (ou marido).

Os assessores de Obama enfatizam que Michelle é diferente de Hillary em vários aspectos: ela não formula políticas por detrás dos bastidores da campanha do marido; não teria um papel na elaboração de políticas na Casa Branca; passaria mais tempo como primeira-dama cuidando das filhas pequenas do que fazendo viagens (já Hillary Clinton fez "mais de 80 viagens ao exterior", várias delas acompanhada da filha, Chelsea), e não demonstrou nenhum interesse por disputar alguma dia uma eleição.

Michelle Obama disse também que "usaria algumas pistas" fornecidas por Laura Bush como primeira-dama.

E, mais: ela terá um papel de oradora na Convenção Nacional Democrata no mês que vem. Ela será a principal substituta de Obama, de algumas maneiras, até que ele escolha o candidato a vice. E Michelle pretende continuar defendendo as políticas do marido, especialmente aquelas relativas a mulheres, crianças e famílias de militares.

"Não existe mais um estereótipo de primeira-dama", afirma Lisa Caputo, que foi diretora de comunicação de Hillary Clinton na Casa Branca. "Nós evoluímos. Somos um país que superou uma imagem única". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,38
    3,156
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,41
    65.277,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host