UOL Notícias Internacional
 

24/07/2008

Friedman: todos saúdem 'McBama'

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
John McCain precisa acordar e sentir o cheiro do café árabe.

Eu sei que este não é um momento fácil para ele. Quando se apanha por quatro anos por ter apoiado a guerra no Iraque, e então faz algo certo - seu apoio para o aumento das tropas - você deseja poder saborear isto por algum tempo. Você deseja tornar seu acerto no assunto o tema desta eleição.

McCain estava certo sobre o aumento das tropas. Ela ajudou a estabilizar o Iraque e criou uma melhor chance de reconciliação política lá. Mas o Iraque sempre foi uma história cheia de surpresas. E uma das surpresas políticas mais importantes é quão rapidamente o aumento de tropas tornou o Iraque seguro para a política externa de Barack Obama - e para a política eleitoral do primeiro-ministro do Iraque, Nouri Al Maliki.

Não acredite por um segundo que houve qualquer erro de tradução quando Al Maliki deixou escapar recentemente para a revista alemã "Der Spiegel" que o prazo de Obama para a retirada das tropas de combate americanas do Iraque - 16 meses após a posse do próximo presidente americano - "seria o prazo certo". Al Maliki foi bastante específico: "Quem desejar sair mais rápido tem uma melhor avaliação da situação no Iraque".

Ele estava falando uma verdade profunda: o pouco de estabilidade produzido pelo aumento das tropas mudou a dinâmica política da história do Iraque - ainda não de forma irreversível, ainda não o necessário, mas o suficiente para ter ramificações importantes. As autoridades americanas no Iraque me dizem que o sucesso das tribos sunitas em expulsar a Al Qaeda de suas regiões, e o sucesso dos xiitas em expulsar a milícia de Muqtada Al Sadr e outros elementos pró-iranianos de Bagdá e Basra, fez com que os iraquianos olhassem para si mesmos de forma diferente e, conseqüentemente, para a presença dos americanos no Iraque de forma diferente.

Mais e mais os políticos iraquianos acreditam ser capazes de cuidar de seus próprios assuntos, e menos e menos americanos acreditam que podemos dedicar outra presidência ao Iraque.

"Os americanos estão aguardando ansiosamente pela fase pós-Iraque da política americana, e os iraquianos agora estão aguardando ansiosamente pela fase pós-americana da política iraquiana", disse Michael Mandelbaum, um especialista em política externa da Universidade John Hopkins. Este é realmente o Iraque pós-aumento de tropas e uma América pós-subprime - e qualquer líder em cada país que ignorar esta realidade o faz a seu próprio risco.

Esqueça nossa narrativa desta guerra - como nós "libertamos o Iraque". Pense na narrativa iraquiana. Ninguém gosta de ser libertado ou ocupados por outros. É humilhante. A França ainda não superou o fato de que teve de ser libertada pelos Aliados. O que é importante agora, com a ajuda do aumento de tropas, é como os iraquianos finalmente começaram a libertar a si mesmos -os sunitas de seus extremistas e os xiitas de seus extremistas. A questão no Iraque é: será que estes movimentos paralelos de libertação podem de fato se fundir em um único movimento nacional de libertação/unidade? Eu não sei.

Mas eu sei disto: apesar de querermos a formação de um movimento nacional iraquiano - unindo xiitas, curdos e sunitas - nós não queremos que se forme em oposição a nós. Concorrer contra a continuidade da presença americana no Iraque será um tema de campanha muito tentador para os políticos iraquianos - tanto nas futuras eleições provinciais quanto parlamentares - caso o Iraque continue se estabilizando.

Logo, Al Maliki estava na verdade enviando duas mensagens importantes via "Der Spiegel". Ele estava nos dizendo que à medida que o exército e o Estado iraquianos continuam se erguendo, a continuidade da ocupação americana se tornará um tema na política iraquiana e nenhum político - particularmente Al Maliki - permitirá ser superado pelos rivais nos pedidos para saída dos americanos. E ele também nos disse para lembrar de algo: o Iraque é um país árabe. Está no coração do mundo árabe. Ele não é a Alemanha. Não é o Japão. Assim que se acertar como país, ele não tolerará uma presença militar americana prolongada, muito visível.

Assim McCain, que considerou acertado o aumento de tropas, pode receber um pouco de crédito, porque a história agora envolve o Iraque pós-aumento de tropas. A visão pós-aumento de tropas de McCain - que também pode estar certa - é a de que os iraquianos ainda não contam com força militar capaz de se protegerem e que precisam de mais ajuda americana para construção do país. Enquanto isso, Obama, que não apoiou o aumento de tropas e simplesmente se ateve ao seu prazo de 16 meses para retirada, se vê - por sorte ou inteligência - em perfeita harmonia com o sentimento pós-aumento de tropas no Iraque. Seu prazo pode ser curto demais, mas Obama pode se preocupar com isso depois.

Tudo isso sugere que a posição certa a respeito do Iraque atualmente é provavelmente "McBama" - manter um prazo claro para retirada, porque os políticos iraquianos e americanos pós-aumento de tropas não tolerarão outra coisa, mas deixar algum espaço de manobra caso as coisas continuem melhorando, mas não exatamente dentro do prazo. É preciso sempre lembrar: quanto mais o Iraque for visto como tendo sucesso por conta própria, sem apoio americano, mais positivo será o impacto na vizinhança. George El Khouri Andolfato

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