UOL Notícias Internacional
 

28/07/2008

Ataques terroristas transtornam a Índia

The New York Times
Somini Sengupta
De Nova Délhi (Índia)
Nos últimos anos, os ataques terroristas tornaram-se comuns demais na Índia.

Em Varanasi, leste do país, uma explosão mortal interrompeu os devotos hindus quando eles acendiam lamparinas de óleo para Hanuman, o deus macaco, no anoitecer de uma terça-feira. Em Hyderabad, no sul, uma bomba caseira colocada dentro de uma histórica mesquita matou fiéis numa tarde de sexta-feira. Em Mumbai, a maior cidade da Índia, quase 200 passageiros, amontoados nos trens da cidade, morreram em conseqüência de uma série de explosões.

E no mais recente ataque, 17 explosões consecutivas atingiram donos de lojas e transeuntes no sábado (26) à tarde em Ahmedabad, no oeste. Depois, outras duas explosões atingiram os hospitais para onde foram levados os feridos e suas famílias em busca de ajuda, matando 49 pessoas e ferindo mais de 200.

Os alvos não parecem ter nada de semelhante - a não ser pelo fato de estarem em lugares comuns, fáceis de ser atacados. Em um país há muito familiarizado com a violência acentuadamente focalizada - seja sectária ou abastecida por insurgências na Caxemira na década de 1990 - a natureza impessoal da mais recente onda de violência é nova e profundamente perturbadora.

Altos funcionários do governo disseram que os ataques são tentativas de provocar a violência entre os hindus e os muçulmanos, e até agora não tiveram sucesso. No entanto, virtualmente nenhum dos ataques resultou em prisões; um suspeito dos ataques a bomba em Varanasi foi morto a tiros pela polícia.

"Isso é diferente, porque pela primeira vez é um acontecimento diário; é totalmente anônimo, é exagerado," disse Shiv Vishvanathan, professor de antropologia em Ahmedabad.

"O que é familiar torna-se desconhecido", ele disse. "O vendedor de maçãs que você encontra pode estar carregando uma bomba. Isso cria suspeita. É uma fórmula perfeita para desestabilizar a sociedade".

Lembranças do perigo estão em toda parte. Há detectores de metal nas entradas de cinemas multiplex e trens urbanos, e até mesmo na entrada de importantes templos e mesquitas. E, no entanto, eles não tiveram qualquer relação com um número muito maior ou mais fácil de alvos densamente freqüentados.

As congestionadas cidades indianas oferecem grandes oportunidades. Um pequeno feixe de explosivos, escondido como se estivesse em embalagens de almoço, panelas de pressão ou na traseira de bicicletas, pode causar sérios danos. Essa é a razão pela qual os agressores tiveram tanto sucesso em esquivar-se da punição. Um relatório produzido no ano passado pelo Centro Nacional de Contraterrorismo em Washington, EUA, concluiu que de janeiro de 2004 a março de 2007, o número de mortos em ataques terroristas na Índia chegou a 3.674, ultrapassado apenas pelo Iraque no mesmo período.

A violência não é de se estranhar em Ahmedabad, lar de 3,5 milhões de pessoas e centro comercial da província de Gujarat. Em 2002, o incêndio num trem que matou várias dezenas de hindus levou à matança de 1.000 muçulmanos em vários dias, numa das piores deflagrações de violência religiosa da história da Índia.

Um grupo obscuro, que se autodenomina Mujahidin Indiano, advertiu no sábado que um ataque estava para acontecer "em vingança por Gujarat", referindo-se diretamente às matanças de 2002. A declaração foi enviada por e-mail, escrita em inglês, para as estações de televisão pouco antes das primeiras explosões.

H. P. Singh, o comissário de polícia da cidade, contou no domingo que alguns dos explosivos estavam amarrados em bicicletas em ruas cheias de pessoas e mercados. Mais tarde, no início da noite, dois carros-bomba foram detonados na frente de dois hospitais da cidade. Em um deles, o Hospital Civil, os mortos incluíram um casal de médicos e dois funcionários sanitários.

A polícia disse que duas outras bombas foram encontradas e desativadas, em Ahmedabad e perto de Gandhinagar, capital de Gujarat. Na tarde de domingo, a polícia encontrou dois carros abandonados em Surat, uma cidade industrial da região. Um deles estava abarrotado de produtos químicos para fabricação de bombas e detonadores, e o outro carregava bombas ativadas. As autoridades informaram que ainda tentavam localizar os proprietários dos veículos.

Na sexta-feira (25), houve uma série de explosões semelhantes, mas de baixa intensidade, ao sul de Bangalore; uma das quais matou uma mulher em um ponto de ônibus. Há dois meses, em Jaipur, explosões sincronizadas em bicicletas mataram 56; o Mujahidin Indiano enviou uma mensagem por e-mail reivindicando o crédito por tais ataques.

No domingo (27), um oficial da polícia, P.P. Pandey, disse que "uma única pessoa" era suspeita de estar por trás desses três ataques mais recentes. Segundo a corporação, algumas pessoas foram detidas para interrogatório; a agência Associated Press informou que havia 30 sob custódia. Altos funcionários não deram mais detalhes a respeito de quem estava envolvido com o grupo, ou qual a provável motivação por trás dos ataques a bomba.
Na manhã seguinte às explosões em Ahmedabad, os moradores dessa vasta metrópole indiana assinalaram que embora seja virtualmente impossível adotar precauções contra os ataques terroristas, eles estão cada vez mais vigilantes quanto aos estranhos em torno deles.

Hari Om Suri, de 52 anos, parou em frente a um popular restaurante de frutos do mar no Defense Colony Market, vigiando o estacionamento em busca de qualquer coisa que parecesse suspeita.

Mohan e Helen Nanjundan pediram um prato com frango para o almoço no Moet's, um restaurante popular, e olhavam atentamente para as bicicletas estacionadas do lado de fora. As bicicletas, o meio de transporte das pessoas pobres, são comuns. "De meses em meses, acontece uma explosão em outra cidade," disse Mohan Nanjundan, de 52 anos. "Às vezes, nós dizemos a nós mesmos que precisamos ficar longe dos lugares perigosos, mas é difícil saber onde eles estão".

"Eu jamais olhei para uma bicicleta antes", disse Helen Nanjundan, de 56 anos. Puneet Gupta, 23, disse que estava tentando evitar os mercados muito freqüentados, mas sua namorada, Jyotsna Malhotra, 21, afirmou estar determinada a não deixar que isso atrapalhasse sua diversão.

"Nós não sabemos o que vai acontecer amanhã", ela disse. "Melhor viver hoje, fazer compras, levá-lo para gastar dinheiro comigo".

Em agosto passado, depois que um par de bombas sincronizadas explodiu em um parque de diversões e um restaurante de fast-food em Hyderabad, matando pelo menos 40 pessoas, um jornal indiano chamou a violência de "uma guerra contra o nosso estilo de vida". Claudia Dall'Antonia

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