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30/07/2008

Os negros americanos, se fossem um país, estariam em uma posição alta no ranking de Aids

The New York Times
Lawrence K. Altman
Se a América negra fosse um país, ela estaria em 16º lugar no mundo em número de pessoas que vivem com o vírus da Aids, informou o Black AIDS Institute, um grupo de defesa, na terça-feira.

O relatório, financiado em parte pela Fundação Ford e pela Fundação Elton John para Aids, fornece uma nova perspectiva assustadora sobre uma epidemia que foi reconhecida em 1981.

Quase 600 mil negros vivem com o HIV, o vírus que causa a Aids, e até 30 mil são infectados a cada ano. Quando corrigida pela idade, a taxa de mortalidade é duas vezes e meia maior do que a de brancos infectados, disse o relatório. Em parte como resultado, a hipotética nação da América negra estaria abaixo de outros 104 países em expectativa de vida.

Estas e outras disparidades são "espantosas", disse o dr. Kevin A. Fenton, que dirige os esforços de prevenção do HIV nos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a agência federal responsável pelo monitoramento da epidemia nos Estados Unidos.

"É uma crise que precisa de uma nova abordagem para prevenção", disse Fenton.

Em um relatório separado na terça-feira, a ONU pintou um quadro um tanto mais otimista da epidemia mundial de Aids, notando que menos pessoas estão morrendo pela doença desde seu pico, no final dos anos 90, e que mais pessoas estão recebendo drogas anti-retrovirais.

Todavia, o relatório apontou que o progresso permanece desigual e que o futuro da epidemia é incerto. O relatório foi divulgado antes do 17ª Conferência Internacional de Aids, que começará neste fim de semana na Cidade do México.

Os ganhos se devem em parte ao programa do governo Bush de fornecimento de medicamentos e medidas preventivas para as pessoas em países altamente afetados pelo HIV.

O Black AIDS Institute mencionou o programa ao criticar os esforços domésticos do governo. O grupo disse que mais negros americanos estão vivendo com o vírus da Aids do que as populações infectadas em Botsuana, Etiópia, Guiana, Haiti, Namíbia, Ruanda ou Vietnã - sete dos 15 países que recebem apoio do programa anti-Aids do governo.

O esforço internacional é guiado por um plano estratégico, marcos claros - como a prevenção de 7 milhões de infecções por HIV até 2010 - e relatórios anuais de progresso ao Congresso, disse o grupo. Em comparação, ele prosseguiu, "a América não conta com nenhum plano estratégico para combater sua própria epidemia".

Em uma entrevista por telefone, Fenton disse: "Nós reconhecemos que é uma crise e claramente mais deve ser feito".

O instituto, com sede em Los Angeles, se descreve como o único grupo de estudo nacional de HIV/Aids voltado exclusivamente para os negros. Phill Wilson, o presidente-executivo do grupo e um autor do relatório, disse que seu instituto apoiou o programa internacional anti-Aids do governo. Mas o relatório de Wilson também disse que "os autores de políticas americanos se comportaram como se a Aids existisse 'em algum outro lugar' -como se o problema da Aids estivesse resolvido de forma eficaz" neste país.

O grupo também repreendeu o governo por não divulgar as estatísticas de HIV para a ONU para inclusão em seu relatório bienal.

Fenton disse que os CDC asseguraram o encaminhamento de seus dados às autoridades no Departamento de Saúde e Serviços Humanos e que está investigando por que os dados não constaram no relatório da ONU.

Outros, falando em nome da agência, disseram que a resposta precisa vir do Departamento de Estado, que não respondeu ao pedido de informação.

A dra. Helene Gayle, presidente da CARE e ex-diretora de prevenção do HIV nos centros de controle de doenças, disse aos repórteres na terça-feira que os Estados Unidos precisavam dedicar mais recursos para atendimento às pessoas com doenças sexualmente transmissíveis. Estas infecções podem aumentar o risco de infecção por HIV.

O governo federal e as comunidades precisam promover mais exames entre todas as pessoas, particularmente entre os negros, para detectar a infecção por HIV em seus primeiros estágios, quando o tratamento é mais eficaz, disse Gayle.

Além disso, ela disse, é preciso ser feito mais para promover os programas de troca de agulhas, que provaram ser eficazes na prevenção da infecção por HIV entre os usuários de drogas injetáveis, mas que são ilegais em muitos lugares.

O relatório da ONU disse que em Ruanda e no Zimbábue, as mudanças no comportamento sexual levaram ao declínio no número de novas infecções por HIV.

O uso de preservativos está crescendo entre os jovens com múltiplos parceiros em muitos países, e mais jovens estão adiando sua primeira relação sexual.

O percentual de mulheres grávidas recebendo drogas anti-retrovirais para impedir a transmissão do HIV para seus bebês aumentou de 14%, em 2005, para 33%, em 2007. Durante o mesmo período, o número de novas infecções entre crianças caiu de 410 mil para 370 mil.

O relatório da ONU apontou ganhos no tratamento na Namíbia, que aumentou o tratamento para 88% do necessário estimado em 2007, em comparação a 1% em 2003; e no Camboja, onde o percentual subiu de 14, em 2004, para 67% em 2007. Outros países com taxas elevadas de tratamento são Botsuana, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba e Laos.

Na maioria das áreas do mundo, mais mulheres do que homens estão recebendo terapia anti-retroviral, disse o relatório.

Apesar dos sistemas de monitoramento inadequados em muitos países, dados sugerem que a maioria das epidemias de HIV no Caribe parece ter se estabilizado. Algumas poucas recuaram em áreas urbanas na República Dominicana e no Haiti, que contavam com as maiores epidemias na região.

O aumento do tratamento foi parcialmente responsável pelo declínio de mortes ligadas à Aids, de 2,2 milhões, em 2005, para 2 milhões, em 2007.

A epidemia de Aids teve um menor impacto econômico geral do que se temia, disse o relatório, mas está tendo efeitos profundamente negativos nas indústrias e agricultura nos países com alta prevalência.

A ONU estabeleceu 2015 como o ano em que espera reverter a epidemia. Mas mesmo se o mundo conseguir atingir esta meta, disse o relatório, "a epidemia permanecerá um desafio global prioritário por décadas".

Para ressaltar este ponto, a ONU disse que para cada duas pessoas que receberam tratamento, cinco pessoas se tornaram recém-infectadas. George El Khouri Andolfato

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