UOL Notícias Internacional
 

06/08/2008

Governo do Iraque conta com US$ 79 bilhões de orçamento não gasto

The New York Times
James Glanz
A alta dos preços do petróleo deixará o governo iraquiano com um superávit orçamentário acumulado de até US$ 79 bilhões no final do ano, como concluiu uma agência federal americana de supervisão em uma análise divulgada na terça-feira (5).

O dinheiro não gasto, que cobre os superávits das vendas de petróleo de 2005 a 2008, provavelmente dará um novo foco desconfortável aos aproximadamente US$ 48 bilhões em dinheiro dos contribuintes americanos dedicados à reconstrução do Iraque desde a invasão liderada pelos Estados Unidos.

No geral, estima o relatório do Escritório de Supervisão do Governo (GAO), a receita do petróleo iraquiano de 2005 até o final deste ano chegará a pelo menos US$ 156 bilhões. E em um estranho capricho financeiro, uma grande quantidade do dinheiro do superávit está depositada em um banco americano em Nova York - quase US$ 10 bilhões no final de 2007, com mais esperado neste ano, quando o escritório de supervisão estima uma forte alta do superávit.

O relatório foi requisitado por dois senadores, Carl Levin, democrata de Michigan, e John W. Warner, republicano da Virgínia, e eles foram rápido em expressar na terça-feira uma forte insatisfação com o contraste entre os gastos americanos em reconstrução e o fraco gasto por parte do próprio Iraque, apesar de seus superávits colossais.

Os senadores apontaram em uma declaração que em 2007, por exemplo, o Iraque na verdade gastou apenas 28% de seus US$ 12 bilhões de dólares do orçamento para reconstrução, segundo o escritório de supervisão - e mesmo este número poderia exagerar o índice de sucesso em grande parte do Iraque, já que US$ 2 bilhões dos gastos ocorreram em partes relativamente pacíficas da região curda no norte.

"O governo iraquiano agora conta com dezenas de bilhões de dólares ao seu dispor para financiar projetos de reconstrução de grande escala", disse Levin, que é presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, em uma declaração. "Não se justifica que os contribuintes americanos continuem a pagar por projetos que os iraquianos estão plenamente capacitados a financiar sozinhos. Nós não devemos pagar por projetos iraquianos enquanto a receita iraquiana do petróleo continua a acumular no banco", disse Levin.

Como muitas medições estatísticas do Iraque, as contidas no novo relatório provavelmente serão usadas para apoiar posições diametralmente opostas sobre quanto os Estados Unidos devem continuar gastando e por quanto tempo devem permanecer no país, disse Ryan Alexander, presidente dos Contribuintes pelo Bom Senso em Washington.

Os números poderiam ser usados para argumentar que devido aos ministérios iraquianos ainda não disporem de capacidade para gastar seu próprio dinheiro, uma assistência adicional dos Estados Unidos é necessária, disse Alexander. Ou os imensos superávits da receita do petróleo poderiam ser vistos como prova de que o Iraque dispõe de recursos para resolver seus próprios problemas caso usasse o dinheiro.

Mas uma informação que poderá ser questionada por todos é o enorme acúmulo de dinheiro no Federal Reserve Bank (o banco central americano) de Nova York, assim como em vários bancos americanos, disse Alexander. O dinheiro em Nova York é um legado do sistema estabelecido para lidar com a receita do petróleo iraquiano, quando o país não dispunha de capacidade para fazê-lo por conta própria.

O propósito do dinheiro era reconstruir o Iraque, não render juros em um banco, disse Alexander. "Eu não sei que função ele atende no momento. Na minha mente, isto gera outra série de dúvidas, como 'quem está cuidando da loja?'", ela disse.

"Algumas pessoas podem ter dito que isso seria mais difícil do que imaginávamos, que levaria um longo tempo, mas ninguém disse que deveríamos coletar muito dinheiro e deixá-lo depositado lá", disse Alexander.

A estimativa geral de superávits iraquianos cairia um pouco caso o Parlamento iraquiano aprovasse uma legislação que está parada, que inclui um orçamento complementar de US$ 22 bilhões para 2008. Até terça-feira, este projeto ainda não foi aprovado, já que está atolado nas amplas negociações em torno das eleições provinciais e vários outros assuntos contenciosos sendo debatidos entre os líderes políticos iraquianos.

Campbell Robertson, em Bagdá, contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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