UOL Notícias Internacional
 

08/08/2008

Combates separatistas pioram em enclave da Geórgia

The New York Times
Michael Schwirtz
Em Moscou
Os combates na região de fronteira entre a ex-república soviética da Geórgia e um enclave separatista georgiano atingiu seu nível mais alto em anos, com o país dizendo que até 10 civis e soldados foram mortos na violência que estourou durante a noite de quarta-feira (6) e que durou ao longo da quinta-feira (7).

As mortes fazem parte de uma intensa nova série de confrontos que prosseguem esporadicamente desde o último sábado, quando morreram seis pessoas em Ossétia do Sul, o enclave separatista, e mais de 20 ficaram feridas em ambos os lados.

A Ossétia do Sul informou ter evacuado mulheres, crianças e idosos da zona de conflito, as enviando para o norte, para a Rússia, enquanto agências de noticias informavam fogo pesado ao redor da capital do enclave, Tskhinvali, na madrugada de sexta-feira.

A recente violência é a pior a atingir a região desde junho de 2004, logo após a chegada ao poder do presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, prometendo reafirmar o controle do país sobre a Ossétia do Sul e outra região rebelde, Abkhazia.

As duas repúblicas separatistas não são reconhecidas internacionalmente, mas ganharam independência de fato da Geórgia após uma série de guerras sangrentas nos anos 90, durante as quais milhares morreram. As repúblicas então chegaram a um período de trégua tênue monitorada por uma força de paz russa.

Ao assumir o poder, Saakashvili contestou a preeminência russa na região ao buscar ingresso na Otan e laços mais profundos com o Ocidente. Seu governo acusa a Rússia de treinar e fornecer suprimentos às forças separatistas da Ossétia do Sul e da Abkhazia sob os auspícios de sua força de paz - acusações que Moscou nega.

As tensões aumentaram ainda mais neste ano, quando Kosovo declarou sua independência da Sérvia em fevereiro, e foi subseqüentemente reconhecida por vários países ocidentais. A Rússia, uma aliada da Sérvia, se opôs veementemente à ação e prometeu aumentar seu apoio à Abkhazia e Ossétia do Sul - um território montanhoso e pobre entre a Geórgia e a fronteira sul da Rússia - em retaliação.

A Geórgia e a Ossétia do Sul culpam uma à outra pelo início da atual violência, e ainda não se sabe se o combate poderá se intensificar em uma guerra plena ou simplesmente se extinguir, como em lutas anteriores neste longo conflito.

"Dá a impressão de a violência estar ligada a passos estratégicos de um ou ambos os lados para melhorar suas posições", disse Ana Jelenkovic, uma associada do Eurasia Group.

Na violência desta semana, combatentes separatistas da Ossétia do Sul, o enclave separatista, usaram granadas propelidas por foguete para explodir um transporte blindado georgiano, matando dois soldados e ferindo seis outros, disse Shota Utiashvili, um porta-voz do Ministério do Interior georgiano. Até oito civis georgianos foram mortos na quinta-feira, em um ataque separado com morteiro contra a aldeia de Avnevi, na região de fronteira, ele disse.

No lado da Ossétia do Sul, pelo menos 20 pessoas foram feridas quando aldeias sofreram fogo de posições georgianas do outro lado da fronteira, disse Tamara Keleksayeva, uma porta-voz do governo separatista da Ossétia do Sul.

Potencialmente complicando ainda mais a situação, cerca de 300 combatentes voluntários da Rússia, incluindo cossacos e moradores da Ossétia do Norte, controlada pela Rússia, chegaram à Ossétia do Sul para ajudar na luta, disse Keleksayeva.

"Eles vieram proteger a Ossétia do Sul", ela disse.

Saakashvili, o presidente da Geórgia, anunciou um cessar-fogo unilateral na noite de quinta-feira e ofereceu aos combatentes da Ossétia do Sul "anistia total", caso concordassem em baixar suas armas.

Enquanto isso, um diplomata russo anunciou que emissários da Geórgia e da Ossétia do Sul se encontrariam para negociações na tarde de sexta-feira, em uma tentativa de colocar um fim à violência, informou a agência de notícias "Interfax".

"Nós conseguimos chegar a um acordo de que o encontro prosseguirá por volta das 13 horas de amanhã, com mediação por parte da Federação Russa", disse Yury Popov, o embaixador russo itinerante que ajudou a organizar as negociações.

Todavia, após uma breve pausa, os combates foram retomados por volta das 21 horas da noite de quinta-feira e prosseguiam na madrugada de sexta-feira, relatou o Ministério do Interior georgiano.

Anne Barnard, em Moscou, contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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