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09/08/2008

Pequim dá início aos Jogos Olímpicos

The New York Times
Jim Yardley e David Barboza
Em Pequim
Uma China extática, uma nação ancestral tão determinada a ser uma potência moderna, finalmente obteve seu momento olímpico na noite de sexta-feira. Com os líderes do mundo assistindo no interior da estrutura treliçada do Estádio Nacional, os Jogos Olímpicos de Pequim, 2008, começaram com uma cerimônia de abertura de fogos de artifício altivos, espetáculo opulento e uma celebração da cultura chinesa e da boa vontade internacional.

Às 8 horas da noite do oitavo dia do oitavo mês -oito sendo o número da sorte na China- o mundo olhou para Pequim e para as 91 mil pessoas dentro do Estádio Nacional. A audiência mundial de televisão foi estimada em mais de 4 bilhões de pessoas.

Gary Hershorn/Reuters 

"O momento histórico que há muito aguardávamos está chegando", disse o presidente Hu Jintao na sexta-feira, em um almoço com os chefes de Estado visitantes, incluindo o presidente Bush. "O mundo nunca precisou tanto de compreensão mútua, tolerância mútua e cooperação mútua quanto precisa atualmente." Sob estes grandes temas, Pequim sofreu na sexta-feira mais céus esfumaçados e uma segurança rígida e reforçada, em meio a relatos de possíveis ameaças terroristas.

O vôo 406 da Air China voltou ao Aeroporto Internacional do Japão Central, após as autoridades japonesas terem recebido um e-mail alertando que uma bomba a bordo do avião seria detonada assim que este sobrevoasse a Vila Olímpica, informou a "Kyodo News". O vôo internacional tinha como destino a cidade chinesa de Chongqing.

O aeroporto de Pequim, um dos mais movimentados do mundo, ficou fechado durante a cerimônia em uma precaução previamente planejada. Na cidade, o trânsito foi restringido em muitas ruas e limitado a veículos pré-autorizados. Muitas lojas e empresas fecharam cedo por motivos de segurança e, horas antes da cerimônia, algumas áreas pareciam quase desertas em uma cidade de cerca de 15 milhões de habitantes.

A China se candidatou pela primeira vez a realizar os Jogos há 15 anos, apenas para ser rejeitada. Desde 2001, quando a cidade conquistou o direito de realizar os Jogos de 2008, a Olimpíada de Pequim se tornou uma prioridade nacional.

Inicialmente, as autoridades da cidade planejaram uma celebração pública.

Telas gigantes foram montadas por toda a cidade para permitir que as pessoas assistissem, mas ao meio-dia de sexta-feira, pelo menos um telão, no Parque Chaoyang, foi desativado por falta de guardas de segurança. Enquanto isso, alguns jornais locais aconselhavam as pessoas a permanecerem em casa e assistir a cerimônia com suas famílias.

"Qualquer um que tentar perturbar os Jogos Olímpicos agora, incitando a instabilidade social, deve ser punido severamente", disse Ma Jie, um taxista de 53 anos. "O que poderia ser mais desprezível que isso?"

Bush chegou a Pequim tarde da noite de quinta-feira, após enfurecer a China com duras críticas ao seu retrospecto de direitos humanos durante um discurso na Tailândia.

Mas ao meio-dia de sexta-feira, Bush foi visto conversando com Hu, o presidente chinês, durante um almoço dentro do Grande Salão do Povo.

Os dois homens dividiram a mesa com o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir V. Putin, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, e até mesmo com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que chegou a ameaçar um boicote à cerimônia de abertura, informou a agência de notícias Reuters.

Os Jogos Olímpicos de Pequim são os politicamente mais carregados em
décadas, especialmente após à repressão violenta da China aos protestos
tibetanos, em março, ter provocado críticas internacionais e até a discussão de possíveis boicotes.

No início desta semana, quatro defensores da independência do Tibete abriram uma faixa "Liberte o Tibete" perto do Estádio Nacional, antes da faixa ser removida e os manifestantes serem deportados.

As autoridades também colocaram vários dissidentes conhecidos sob prisão domiciliar em um momento em que cerca de 100 mil policiais e outros soldados estão posicionados por toda a cidade.

Mas mesmo em meio à enorme presença de segurança, muitas das pessoas que caminhavam pelas ruas perto da Vila Olímpica estavam eufóricas e orgulhosas com o fato da China poder se exibir ao mundo.

Uma destas pessoas, Yang Bin, um D.J., viajou mais de 800 quilômetros de Chongqing, e estava tocando música hip-hop ao longo da rua comercial mais famosa da cidade, Wangfujing.

"Eu vim ontem à noite para Pequim para celebrar os Jogos Olímpicos, apesar de não ter um ingresso", disse Yang. "China nunca esteve mais gloriosa do que hoje. O mundo todo está nos assistindo."

Mas o que o mundo viu nesta semana foi a poluição. As autoridades chinesas retiraram 2 milhões de veículos das ruas de Pequim e fecharam fábricas por toda a região, mas os céus apenas esporadicamente ficam azuis. Parte do problema é o tempo quente e úmido, ausente de ventos. Os níveis de poluição se tornaram uma preocupação para os atletas. Na sexta-feira, a leitura era de 94 em uma escala de 500; qualquer dia acima de 100 é considerado poluído e uma violação dos padrões de qualidade do ar da China.

A cerimônia de abertura deslumbrante, dirigida pelo cineasta mais famoso da China, Zhang Yimou, custou dezenas de milhões de dólares, uma fração dos estimados US$ 43 bilhões que a China gastou na construção de estradas, estádios, parques e linhas de metrô na tentativa de transformar Pequim em uma cidade olímpica. A produção elaborada para a cerimônia de abertura contou com a apresentação de 15 mil pessoas, dividida em três partes concentradas parcialmente na longa história da China e seu desejo de uma relação de boa vontade com o restante do mundo.

A produção estava repleta de toques chineses característicos: uma
coreografia elaborada de dançarinos em um pergaminho de caligrafia gigante; fileiras ondulantes de personagens chineses, com o personagem da "harmonia" banhado em luz; e o uso de massas de pessoas, trabalhando em uníssono em um grande espetáculo centrado na história, música, dança e arte tradicionais chinesas.

"Esta é uma grande honra para minha cultura", disse o famoso compositor, Tan Dun, autor do tema que será tocado durante as cerimônias de entrega de medalhas. "Isto é muito mais do que apenas sobre a China. Se pensarmos nisto apenas como um momento da China, é um grande erro. É um momento do mundo."

O ingresso para a cerimônia de abertura foi um dos mais difíceis de obter durante os jogos. Uma pessoa que não conseguiu o ingresso foi Lei Xiuying, uma camponesa de 61 anos da cidade de Kunming. Ela viajou mais de 2.400 quilômetros em uma viagem de trem de três dias. Ela não tinha ingresso e estava dormindo em um palete em uma passagem subterrânea não distante do Estádio Nacional, porque não tinha dinheiro para um quarto de hotel.

Mas ela disse que tinha que estar em Pequim de qualquer forma. "Eu assistia televisão e ouvia meu rádio todo dia", disse Lei, usando um alfinete de lapela com a foto de Mao. "Havia tantas notícias empolgantes sobre os Jogos Olímpicos que decidi há seis meses vir até aqui e ver por mim mesma." George El Khouri Andolfato

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