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11/08/2008

O Google é uma empresa do setor de mídia?

The New York Times
Miguel Helft
Digite "buttermilk pancakes" (panquecas de leite de manteiga) no Google, e entre os primeiros três ou quatro resultados da busca você terá um link para uma detalhada receita completa com a foto de uma esplêndida pilha de panquecas de um site chamado Knol, que pertence ao Google.

Para o Google, o Knol é visto como o lugar onde os especialistas poderão compartilhar seu conhecimento em uma grande variedade de tópicos. Espera montar uma espécie de enciclopédia online a partir das contribuições de dezenas de indivíduos. Mas enquanto a Wikipedia é editada coletivamente e sem anúncios, os contribuintes do Knol assinam seus artigos e têm controle de edição sobre o conteúdo. Podem escolher se vão colocar anúncios, vendidos pelo Google, em suas páginas.

Embora o Knol tenha apenas três semanas de idade e ainda seja relativamente desconhecido, já reacendeu os temores entre algumas companhias de mídia de que o Google está a cada dia crescendo mais como um concorrente. Eles prevêem que o Google se tornará um poderoso rival, que não só possui um número cada vez maior de propriedades de conteúdo -incluindo o YouTube, o principal site de vídeos online, e o Blogger, o mais importante serviço para blogueiros - assim como também possui as chaves para direcionar os usuários pela Internet.

"Se de fato uma empresa de propriedade do Google está tirando dinheiro dos associados do Google, então esse é um problema real," disse Wenda Harris Millard, co-principal executiva da Martha Stewart Living Omnimedia.

Dinheiro, é claro, é o que está em questão. Se um site está classificado nos últimos lugares em resultados de busca, menor é a quantidade de tráfego que recebe dos serviços de busca. Com um público menor, o site ganha menos dinheiro com publicidade.
Embora a receita de panquecas de Martha Stewart apareça abaixo da receita do Knol na classificação do Google, Millard não acredita que o Google favoreça injustamente as páginas do Knol. Mas ela afirma que o duplo papel do Google, como serviço de busca e site de conteúdo levanta uma questão de percepção. "A dúvida na mente das pessoas é saber o quanto o Google se manterá isento, enquanto cresce e cresce mais," disse Millard.

O Google sempre disse que jamais comprometerá a objetividade de seus resultados de busca. E diz que trata as paginas do Knol como quaisquer outras páginas da Web. "Quando há páginas do Knol em boas colocações, estão lá porque conquistaram essa posição," disse Gabriel Stricker, porta-voz do Google.

Existem poucas evidências de que o Knol tenha recebido tratamento favorecido. Muitas das páginas do Knol que vêem em boa colocação no Google recebem a mesma no Yahoo. (As panquecas do Knol? Número 4 na busca do Yahoo.)

O Google há muito insiste em afirmar que não tem planos de possuir ou criar conteúdo, e que é um amigo, não um adversário das empresas do setor de mídia. O serviço de busca do Google leva um número enorme de usuários até a soleira das portas de milhares de empresas do setor de mídia, muitas das quais também dependem do Google para colocar anúncios nos seus sites. "Nossa visão continua sendo a de que precisamos ser o melhor canal condutor possível para fazer a conexão entre o que quer que seja que as pessoas estão procurando e a resposta, seja qual for," disse Stricker. "Por essa razão, não estamos interessados em possuir ou criar conteúdo".

O Knol é apenas uma ferramenta para que outros criem e publiquem informações e uma vez que eles o fazem, afirma Stricker, "nossa tarefa, que é a de organizar essa informação, entra em ação." O Google não possui direitos autorais sobre o conteúdo do Knol e o site não levará o logotipo do Google, ele acrescentou.

O Knol não é a primeira incursão do Google como host de conteúdo. A empresa possui há muito tempo o Blogger, um dos mais populares serviços de blogs. Está digitalizando milhões de livros, que torna disponíveis por meio de seu serviço de busca. Possui os arquivos da Usenet, uma popular coleção de fóruns de debates online que antecede a Web. O Google também apresenta algumas notícias da The Associated Press no Google News, e publica informações sobre o mercado de ações por intermédio do Google Finance. E é claro, o Google possui o YouTube, um dos maiores sites de mídia da Internet.

Os críticos dizem que cada nova iniciativa do Google nessa área traz dúvidas maiores quanto às alegações da empresa de que não é uma empresa do setor de mídia.

"O Google pode dizer que não está no setor de conteúdo, mas está pagando às pessoas e distribuindo e arquivando seu trabalho, está ficando cada vez mais difícil defender esse conceito," disse Jason Calacanis, principal executivo do Mahalo, um serviço de buscas que depende de editores para criar páginas sobre vários assuntos. "Eles estão competindo por talentos, por anúncios e por usuários," com sites de conteúdo, afirma.

O Knol tem sido chamado de um potencial concorrente para a Wikipédia e outros sites cujo conteúdo abrange uma ampla variedade de tópicos, incluindo o Mahalo e o About.com, pertencente ao The New York Times, que usa especialistas chamados de "guias" para escrever artigos sobre uma variedade de tópicos.

Indagado se o Knol representa uma ameaça para o About.com, Martin A. Nisenholtz, vice-presidente sênior de operações digitais na The New York Times Co. afirmou que "o About.com está em uma posição muito boa no mercado." O Knol também pode competir com muitos sites da Internet que se especializam em temas, tais como o WebMD em informação médica ou os sites de informação geral sobre como fazer, faça-você-mesmo ou informações sobre culinária e outros sites institucionais que estão proliferando online.

Algumas das empresas de mídia online negam estar preocupadas quanto à perspectiva de competir com o Knol. "Partindo do princípio de que o Google trata o Knol exatamente como trata outros sites da Internet, trata-se de mais uma empresa produzindo conteúdo," acredita Richard Rosenblatt, principal executivo da Demand Media, uma empresa online em fase de rápido crescimento que possui sites de conteúdo do tipo "como fazer", tais como o eHow e ExpertVillage.

Rosenblatt, que foi principal executivo da Intermix Media, a controladora do MySpace quando este foi vendido para a News Corp. disse que se o Knol se tornar um destino popular na Internet, ele vai analisar a possibilidade de colocar conteúdo dos sites da Demand Media nele. A empresa, como muitas outras no setor de mídia, coloca muitos de seus vídeos no YouTube.

"Temos uma imensa quantidade de tráfego no YouTube," disse Rosenblatt. "Ele não canibalizou o ExpertVillage".
Outras empresas de mídia, como a WebMD, já começaram a colocar seu conteúdo no Knol. "Nós participamos do Google Knol como um teste, como fizemos com outras ofertas semelhantes," disse a porta-voz da WebMD, Jennifer Newman, em uma mensagem de e-mail. "Estamos avaliando sua eficiência em novas percepções de construção de marca para o WebMD."
Millard, a executiva da Martha Stewart, disse que pensou na possibilidade de colocar seu conteúdo no Knol, mas acabou sendo contra isso. "Estaremos persistindo em desenvolver os negócios deles se fizermos isso, em vez de desenvolver os nossos." Claudia Dall'Antonia

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