UOL Notícias Internacional
 

11/08/2008

Saúde Pessoal: discernindo as contradições do café

The New York Times
Jane E. Brody
Em 1985, quando Howard D. Schultz fundou a companhia que se tornaria a extremamente bem sucedida rede Starbucks, nenhum consultor financeiro teve de lhe dizer que o café era a bebida líder nos Estados Unidos e que a cafeína era a droga mais amplamente usada pela população. Os milhões de consumidores que se dirigem às lojas da Starbucks para pedir um expresso duplo, café latte ou café grande comprovam diariamente que ele estava certo em relação à paixão americana.

Apesar de a companhia poder ter superestimado a boa vontade dos consumidores em pagar até US$ 4 por uma xícara de café - ela anunciou recentemente que irá fechar centenas de lojas que dão prejuízo -, inúmeros imitadores da rede, que vendem café, chá e outros produtos com cafeína, revelam uma sociedade que está determinada a dormir o mínimo possível.

Mas como acontece com qualquer outro produto usado em excesso, os consumidores freqüentemente se perguntam sobre as conseqüências disso.
Quase todo mês um novo estudo é divulgado enaltecendo o café, o chá ou a cafeína, dizendo que são bons para a saúde, ou os condenando como assassinos em potencial.

Será que todas essas pesquisas normalmente contraditórias podem estar certas? Sim. O café e o chá são, acima de tudo, misturas complexas de substâncias químicas, muitas das quais podem afetar a saúde de forma independente.

Mitos da cafeína

Ao longo dos anos, o público tem sido bombardeado com muitas informações equivocadas em relação à cafeína e sua principal fonte, o café. Em março, o Centro de Ciências para o Interesse Público divulgou uma avaliação ampla das pesquisas científicas em seu jornal Nutrition Action Healthletter. A seguir estão as descobertas feitas pelo centro e por outras pesquisas científicas.

Desidratação. Durante muito tempo pensou-se que as bebidas com cafeína eram diuréticas, mas os estudos revistos no ano passado descobriram que as pessoas que consumiam bebidas com até 550 miligramas de cafeína não produziam mais urina do que quando bebiam líquidos sem cafeína.
Acima de 575 miligramas, a droga é diurética.

Então até mesmo um café grande da Starbucks, com 330 miligramas de cafeína, não fará com que você vá ao banheiro antes do que se bebesse meio litro de água pura. Bebidas contendo doses normais de cafeína são hidratantes e, assim como a água, contribuem para suprir a necessidade diária de água do organismo.

Doenças Cardíacas. Pacientes cardíacos, especialmente aqueles com pressão alta, são normalmente instruídos a evitar a cafeína, que é um conhecido estimulante. Mas uma análise de dez estudos feitos com mais de 400 mil pessoas não encontrou nenhum aumento de doenças cardíacas entre os consumidores diários de café, com cafeína ou descafeinado.

"Ao contrário da crença comum", concluíram os cardiologistas da Universidade da Califórnia em São Francisco, há "pouca evidência de que o café ou a cafeína em doses normais aumentam o risco" de ataques cardíacos, morte súbita ou mudança no ritmo cardíaco.

De fato, entre as 27 mil mulheres que foram acompanhadas durante 15 anos pelo Estudo da Saúde da Mulher em Iowa, aquelas que bebiam de uma a três xícaras de café por dia tiveram os riscos de doenças cardiovasculares reduzidos em 24%, apesar de esse benefício diminuir conforme a quantidade de café aumenta.

Hipertensão. A cafeína induz a um pequeno e temporário aumento na pressão sanguínea. Mas em um estudo feito com 155 mil enfermeiras, descobriu-se que as mulheres que beberam café com ou sem cafeína durante toda uma década não tinham mais chances de desenvolver hipertensão do que as que não bebiam café. Todavia, um risco maior de hipertensão foi encontrado entre as que bebiam refrigerantes de cola.
Um estudo da universidade Johns Hopkins, que acompanhou mais de mil homens durante 33 anos, descobriu que o consumo de café não exercia um papel tão importante no desenvolvimento da hipertensão.

Câncer. O pânico tomou conta dessa nação dependente de café em 1981, quando um estudo de Harvard ligou o consumo de café ao aumento do risco de câncer pancreático. O consumo de café caiu bruscamente, e os pesquisadores concluíram mais tarde que talvez o fumo, e não o café, era o culpado.

Numa avaliação feita no ano passado a partir de 66 estudos internacionais, os cientistas descobriram que o consumo de café tinha pouco efeito sobre o risco de câncer no pâncreas ou nos rins. De fato, outro estudo sugeriu que, em comparação com as pessoas que não bebiam café, os que consomem a bebida têm metade do risco de desenvolver câncer de fígado.

E um estudo com 59 mil mulheres na Suécia não encontrou nenhuma conexão entre o café, o chá ou o consumo de cafeína com o câncer nos seios.

Osteoporose. Apesar de alguns estudos de observação terem ligado as bebidas com cafeína à osteoporose e fraturas ósseas, estudos de fisiologia humana não encontraram nenhuma redução na absorção de cálcio e nenhum efeito na eliminação de cálcio, sugerindo que as observações podem refletir apenas a diminuição do consumo das bebidas à base de leite entre os consumidores de chá e café.

O Dr. Robert Heaney da Universidade de Creighton diz que os efeitos negativos da cafeína sobre o cálcio podem ser compensados por uma quantidade tão pequena de leite equivalente a duas colheres de chá diárias. Segundo ele, os consumidores de café e chá que normalmente consomem a quantidade diária recomendada de cálcio não precisam se preocupar com o efeito da cafeína sobre os ossos.

Perda de peso. Eis a decepção. Apesar de a cafeína acelerar o metabolismo, já que 100 miligramas da substância ajudam a queimar uma quantidade extra de 75 a 100 calorias por dia, não foram demonstrados benefícios para o controle do peso a longo prazo. De fato, num estudo feito com mais de 58 mil profissionais de saúde durante 12 anos, tanto homens quanto mulheres que aumentaram o consumo de cafeína ganharam mais peso do que aqueles que não tomaram cafeína.

Benefícios para a saúde

Provavelmente o efeito mais importante da cafeína é sua capacidade de melhorar o humor e o desempenho mental e físico. Com níveis de consumo de até 200 miligramas (a quantidade presente em meio litro de café comum), os consumidores reportam uma maior sensação de bem-estar, alegria, energia, atenção e sociabilidade, disse Roland Griffiths da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, apesar de as altas quantidades às vezes causarem ansiedade e desconforto estomacal.

Milhões de americanos insones dependem da cafeína para ajudá-los a ficarem acordados durante o dia e a dirigir com segurança. A droga melhora a atenção e o tempo de reação. Nas pessoas privadas de sono, melhora a memória e a capacidade de fazer tarefas complexas.

Para as pessoas ativas, a cafeína aumenta a resistência durante atividades aeróbicas e o desempenho em atividades anaeróbicas, talvez porque ela diminua a percepção da dor e aumente a capacidade de queimar gordura em vez de carboidratos.

Descobertas recentes relacionadas às doenças têm apenas a acrescentar à popularidade do café. Uma avaliação de 13 estudos descobriu que as pessoas que bebiam café com cafeína, não descafeinado, tinham 30% a menos de risco de desenvolver a doença de Parkinson.

Outra análise descobriu que, em comparação com os que não consomem café, as pessoas que bebiam de quatro a seis xícaras de café por dia, com ou sem cafeína, tinham um risco 28% menor de desenvolver a diabetes do tipo 2. Esse benefício é devido provavelmente aos antioxidantes e ácido clorogênico presentes no café. Eloise De Vylder

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,73
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,00
    65.010,57
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host