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14/08/2008

Daqui uma geração, as minorias poderão ser maioria nos EUA

The New York Times
Sam Roberts
As minorias étnicas e raciais representarão a maioria da população dos Estados Unidos em pouco mais de uma geração, segundo as novas projeções do Census Bureau, o órgão de estatísticas americano, uma transformação está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto há apenas poucos anos.

O censo calcula que até 2042, os americanos que se identificam como latinos, negros, asiáticos, índios, havaianos nativos e ilhéus do Pacífico superarão juntos o número de brancos não-latinos. Há quatro anos, as autoridades projetaram que a mudança ocorreria em 2050.

O principal motivo para a aceleração da mudança é a taxa de natalidade significativamente mais alta entre os imigrantes. Outro fator é o afluxo de estrangeiros, que aumentarão de cerca dos atuais 1,3 milhão por ano para mais de 2 milhões por ano até a metade do século, segundo projeções baseadas nas atuais políticas de imigração.

"Nenhum outro país experimentou uma mudança racial e étnica tão rápida", disse Mark Mather, um demógrafo do Population Reference Bureau, uma organização de pesquisa em Washington.

Os mais recentes números, que estão sendo divulgados na quinta-feira, são previstos com base em tendências atuais e históricas, que podem ser minadas por várias variáveis, incluindo reformas nas políticas de imigração e aumentos repentinos de refugiados.

Há uma década, os demógrafos do censo estimaram que a população do país, que ultrapassou 300 milhões em 2006, não superaria os 400 milhões antes da metade do século. Agora, eles projetam que a população atingirá 400 milhões em 2039 e chegará a 439 milhões em 2050.

As chamadas minorias, projeta o Census Bureau, constituirão a maioria das crianças do país com menos de 18 anos em 2023 e dos americanos em idade de trabalho em 2039.

Pela primeira vez, tanto o número quanto a proporção de brancos não-latinos, que agora representam 66% da população, diminuirão, a partir de aproximadamente 2030. Em 2050, o percentual deles cairá para 46%.

A maior taxa de mortalidade entre americanos brancos nativos mais velhos e taxas de natalidade mais altas entre os imigrantes e seus filhos já estão promovendo disparidades étnicas e raciais. "Há um impulso causado pela imigração", disse Jeffrey S. Passel, demógrafo sênior do Centro Hispânico Pew. "Nos anos 70, 80 e 90 havia mais imigrantes hispânicos do que nascimentos. Nesta década, há mais nascimentos do que imigrantes. Quase independente do que se presuma sobre a futura imigração, o país se tornará mais latino e asiático."

Com o Census Bureau prevendo ainda mais imigrantes, outros demógrafos estimam que a proporção de americanos nascidos no exterior, atualmente em cerca de 12%, poderia ultrapassar a alta histórica de 1910, de quase 15%, por volta de 2025, podendo chegar a 20% em 2050.

Segundo a nova previsão, até 2050, o número de latinos quase triplicará, de 47 milhões para 133 milhões, representando 30% dos americanos, em comparação aos atuais 15%.

As pessoas que se dizem asiáticas, com suas fileiras crescendo de 16 milhões para 41 milhões, representarão mais de 9% da população, em comparação a 5%.

Mais de três vezes mais pessoas deverão se identificar como multirraciais -16 milhões, representando quase 4% da população.

A população de pessoas que se definem como negras deverá crescer de 41 milhões para 66 milhões, mas aumentará sua participação geral em apenas dois pontos percentuais, para 15%.

"O que está acontecendo agora em termos de aumento da diversidade provavelmente não tem precendentes", disse Campbell Gibson, um demógrafo aposentado do censo.

Vários Estados, incluindo a Califórnia e o Texas, já chegaram ao ponto onde os membros das minorias são maioria.

"Dentro da definição convencional de raça, de branco, negro, asiático, minoria contra não-minoria, esta é uma grande mudança", disse David G. Waddington, chefe da divisão de projeções de população do Census Bureau.

Todas as projeções estão sujeitas à mudança nas definições culturais. O percentual de americanos que se identificam como brancos, independente de sua etnia, permanecerá basicamente inalterado, caindo de menos de 80% em 2010 para cerca de 76% quando o fronteira de maioria-minoria for atingida em 2042.

"A forma como as pessoas informam a raça daqui 20 ou 30 anos poderá ser bem diferente", disse Waddington.

As projeções do Census Bureau provavelmente aumentarão os debates em torno da política de imigração, excesso populacional e mudança do eleitorado, e lembrarão eras anteriores, quando irlandeses, italianos e judeus do Leste Europeu não eram universalmente considerados brancos. Recentemente, nos anos 60, os latinos não eram contados de forma separada pelo censo e os indianos eram classificados como brancos.

William H. Frey, um demógrafo da Instituição Brookings, disse que na eleição presidencial de 2028, as minorias raciais e étnicas constituirão uma maioria de adultos com idades entre 18 e 29 anos pela primeira vez.

Dois anos depois, quando todos os "baby boomers" (a geração pós-Segunda Guerra Mundial) tiverem completado 65 anos, quase 20% dos americanos, em comparação a menos de 13% hoje, terão mais de 65 anos. Em 2050, cerca de 89 milhões de americanos estarão neste grupo, mais que o dobro do número atual.

"Em 2020, o fardo dos idosos para a população branca em idade de trabalho se tornará maior do que o fardo das crianças", disse Frey.

As mudanças projetadas pelo censo apontam para uma nação na qual a população mais velha será mais branca (as mortes superarão os nascimentos entre os brancos, a partir dos anos 2020) e onde os negros americanos ainda terão taxas de mortalidade infantil ligeiramente maiores e menor expectativa de vida.

Steven A. Camarota, diretor de pesquisa do Centro para Estudos de Imigração, que defende uma limitação da imigração, expressou preocupação com as questões relacionadas ao crescimento populacional impulsionado pelos nascidos no exterior.

Gregory Rodriguez, um membro da New America Foundation, um instituto de política pública, argumentou que apesar de "assimilação ter se tornado uma palavra suja no anos 60 e 70", os Estados Unidos sempre evoluíram e se tornaram mais ricos por novas culturas, sejam elas da Europa, América do Sul ou Ásia.

De fato, Gibson, o demógrafo aposentado, já estimou que em 1492, cerca de 96% dos habitantes do que atualmente são os Estados Unidos eram índios americanos e o restante era de origem polinésia. Bem antes dos ingleses chegarem a Jamestown, os espanhóis se tornaram a primeira minoria americana. Quando o primeiro censo foi conduzido em 1790, cerca de 64% das pessoas contadas eram brancas, com pouco mais da metade de origem inglesa. Em 1900, cerca de 9 em 10 americanos eram brancos não-latinos, a maioria com ancestrais europeus.

O percentual de americanos que podem rastrear suas origens a imigrantes da Europa está encolhendo. O Escritório de Administração e Orçamento federal agora define brancos como descendentes dos "povos originais da Europa, Norte da África ou Oriente Médio". As pessoas hispânicas ou latinas, segundo a mesma agência do governo, são "mexicanas, porto-riquenhas, cubanas, centro e sul-americanas ou de outras culturas espanholas".

"Nós poderemos estar usando as mesmas palavras daqui 50 anos", disse Passel, do Centro Pew, "mas tenho confiança ao dizer que significarão algo diferente". George El Khouri Andolfato

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