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14/08/2008

Friedman: eleição deveria se concentrar no tema da política energética

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
John McCain tentou recentemente salientar sua seriedade sobre promover uma nova política energética com um forte enfoque para mais prospecção de petróleo, dizendo a uma convenção de motociclistas que o Congresso precisava voltar das férias imediatamente e fazer algo sobre a crise energética dos EUA. "Digam a eles para voltar e trabalhar!", gritou McCain.

Desculpem-me, mas não posso deixar isso passar. McCain sabe por quê.

Apenas cinco dias antes, em 30 de julho, o Senado votou pela oitava vez em um ano um projeto de lei amplo e de vital importância - o S. 3335 -, que teria ampliado os créditos fiscais de investimento por instalar energia solar e os créditos fiscais de produção por construir turbinas de vento e outros sistemas de eficiência energética.

As indústrias eólica e solar dependem desses créditos - que expiram em dezembro - para aumentar seus negócios e tornar-se competitivas com o carvão, o petróleo e o gás natural. Diferentemente da prospecção em alto-mar, esses créditos poderiam ter um impacto imediato no perfil energético dos EUA.

McCain não apareceu para a votação crucial em 30 de julho, e o projeto de energia renovável foi derrotado pela oitava vez. Na verdade, John McCain tem um histórico perfeito em relação à lei de energia renovável. Ele perdeu todas as oito votações do último ano - o que na verdade conta como um voto negativo em cada ocasião. Uma vez ele até estava no Senado, mas não saiu de seu gabinete para votar.

"McCain não apareceu em nenhuma votação", disse Scott Sklar, presidente do Stella Group, que acompanha a legislação de tecnologias limpas. Apesar disso, o comercial da campanha de McCain exibido durante a Olimpíada mostra um monte de turbinas eólicas girando - as mesmas turbinas que ele não votou para subsidiar, apesar de apoiar grandes subsídios para a energia nuclear.

Barack Obama também não votou em 30 de julho - o que é igualmente indesculpável para mim -, mas votou em três ocasiões anteriores a favor da lei de energia renovável.

O fato de o Congresso ter falhado oito vezes em renová-los deve-se amplamente a um núcleo duro de senadores republicanos que ou não querem dar aos democratas essa vitória em um ano eleitoral, ou simplesmente não acreditam na energia renovável.

Que impacto isso tem? Na indústria solar hoje há uma pressa para terminar qualquer projeto que estaria em andamento em 31 de dezembro - quando os créditos expiram -, e quase tudo além disso está agora em suspenso. Considere a usina de energia solar concentrada de Solana, a cerca de 110 km de Phoenix, Arizona, estado natal de McCain. É o maior projeto de energia solar concentrada já proposto. A empresa distribuidora local está pronta para comprar sua energia.

Mas devido à recusa do Senado a prorrogar os créditos fiscais solares, "não podemos conseguir nosso financiamento bancário", disse Fred Morse, um assessor sênior das operações americanas da Abengoa Solar, que está construindo o projeto. "Sem os créditos os números não fecham". Cerca de 2 mil empregos na construção estão em suspenso.

Roger Efird é presidente da Suntech America - uma grande fabricante de painéis solares, de propriedade chinesa, que atualmente quer construir uma nova fábrica nos EUA. Eles vêm analisando o país em busca de lugares, e vários governadores os têm cortejado. Mas Efird me disse que quando os créditos solares não passaram no Senado seu patrão lhe disse: "Não marque mais reuniões com governadores. Não tem absolutamente sentido fazer isso se não tivermos estabilidade nos programas de incentivo".

Uma das maiores mentiras apregoadas pelo setor de petróleo é que "claro, nós vamos precisar de energia eólica e solar, mas ela ainda não é custo-eficiente". Eles vêm dizendo isso há 30 anos. O que esses créditos fiscais pretendem é estimular investimentos de muitos atores em energia solar e eólica, de modo que essas tecnologias possam avançar rapidamente na curva de aprendizado e tornar-se competitivas com o carvão e o petróleo - e é por isso que algumas pessoas tentam bloqueá-las.

Como disse Richard K. Lester, um especialista em inovação energética no MIT: "A melhor chance que temos - talvez a única" de abordar os desafios combinados de fornecimento e demanda energética, mudança climática e segurança energética "é acelerar a adoção de novas tecnologias para fornecimento de energia e usá-las e empregá-las em uma escala muito grande".

Isto, ele afirma, exigirá mais que um Projeto Manhattan. Exigirá uma reformulação fundamental pelo governo dos preços, regulamentos e orçamentos de pesquisa e desenvolvimento que moldam o mercado energético. Sem taxar os combustíveis fósseis de modo que eles se tornem mais caros e dar subsídios aos combustíveis renováveis para que se tornem mais competitivos - e mudar os regulamentos para que mais pessoas e empresas se interessem pela eficiência energética -, não teremos inovação em energia limpa na escala de que precisamos.

É nisso que esta eleição deveria se concentrar. Tudo o mais é apenas retórica criada por candidatos cínicos que pensam que os americanos são tão imbecis - tão malditamente imbecis - que basta você mostrar turbinas eólicas em seu anúncio da Olimpíada que eles vão pensar que você realmente foi lá e votou nessa energia renovável - mesmo que você não tenha votado.

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