UOL Notícias Internacional
 

17/08/2008

Após 8 anos, George W. Bush ainda ignora a realidade

The New York Times
Maureen Dowd
em Washington
Os Estados Unidos estão de volta à Guerra Fria e W. (George W. Bush) está de novo de férias. Isso é que é simetria terrível.

Após oito anos, a intuição do presidente continua ingênua. Ele partirá como chegou -ignorando a realidade; fracassando em prever, prevenir e até mesmo se preparar para desastres; interpretando mal os relatórios de inteligência e as pessoas; lidando com as crises de formas que as tornam exponencialmente piores.

Ele passou 469 dias de sua presidência descansando em seu rancho e 450 dias brincando em Camp David. E ainda há tempo para praticar "mountain bike" em meio a outro desastre histórico.

Enquanto as tropas russas continuavam dominando partes da Geórgia na sexta-feira, o presidente Bush pregava aos líderes russos de que "ameaça e intimidação não são formas aceitáveis de conduzir política externa no século 21" - e então voou para Crawford.

Quem dera W. tivesse tratado o restante de sua presidência tão seriamente quanto seus passeios esportivos.

Suas palavras teriam mais peso se ele, Cheney e Rummy não tivessem iniciado o século 21 com uma exibição pesada de ameaça e intimidação global baseada na invasão do Iraque.

Quando o entrevistei no início de sua candidatura presidencial em 1999, ele fez um palpite óbvio: "Eu acredito que as grandes questões serão a China e a Rússia".

Mas após o 11 de Setembro, ele deixou Cheney, Rummy e os neoconservadores o seduzirem na obsessão destrutiva pelo Iraque. Enquanto os Estados Unidos permanecem atolados e sangrando até a morte, a China e a Rússia estão engordando. A China comprou tanto dos Estados Unidos que ficaríamos tão mortos quanto os patos laqueados de Pequim (um tradicional prato chinês) se eles retirassem seus investimentos de nosso mercado. A Rússia deixou de ser uma nação pobre para se tornar uma terra repleta de milionários -tudo graças ao nosso vício em petróleo.

O que foi mais irritante em assistir o alegre passeio de W. nos Jogos Olímpicos foi que ressaltou a ascensão da China a superpotência e, graças às políticas econômica e externa negligentes do governo, a queda dos Estados Unidos. É como se a China tivesse se tornado nós e nós tivéssemos nos tornado a Europa. Como a Rússia, a China também tem demonstrado modos autoritários e ignorado as pregações americanas, incluindo as críticas contidas de W. quando voou para Pequim para apreciar o espetáculo da ascensão da China.

Apesar de sua previsão de 1999 de que a Rússia e a China seriam chave para a segurança mundial, W. nunca se deu ao trabalho de estudá-las. Em 2006, no encontro de cúpula do G8 em São Petersburgo, Rússia, um microfone captou alguns comentários vazios de W. para o presidente chinês, Hu Jintao.

"Este é o seu bairro", disse W. "Não demora muito para você chegar em casa. Quanto tempo leva para você chegar em casa? Oito horas? Eu também. A Rússia é um país grande o seu país é grande."

O presidente Bush e sua "especialista" em Rússia, Condi, lidaram de forma equivocada com a Rússia desde o início. W. viu uma alma "confiável" em um agente da KGB de olhos de navalha que nunca foi um bom sujeito nem mesmo por uma hora. Agora, o pessoal de Bush, que não pode fazer nada a respeito, está gritando sobre como a agressão russa "não pode ficar sem resposta", como colocou Cheney.

(O outro especialista em Rússia de W., Bob Gates, foi, como sempre, a única voz de realismo, notando: "Eu não vejo nenhuma perspectiva de uso de força militar pelos Estados Unidos nesta situação".)

O governo Bush pode ter uma ligação sentimental com a Geórgia por ela ter enviado 2 mil soldados ao Iraque como parte da "Coalizão dos Dispostos", e porque papai Bush e James Baker tinham laços estreitos com o primeiro presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze.

Mas com a força militar e moral de seu país tão esgotada, os Bushies mal têm como dizer à Rússia para parar de fazer o que eles mesmos fizeram no Iraque: invadir unilateralmente um país contra a vontade do mundo para assustar alguns dos líderes da região dos quais não gostam.

W. e Condi estão repentinamente percebendo quão malicioso Vladimir (Putin) é. Em uma coletiva de imprensa com Condi na sexta-feira, Mikheil Saakashvili, o presidente da Geórgia, reclamou do Ocidente por permitir que a Rússia retomasse suas táticas repressivas.

"Infelizmente, hoje nós estamos olhando o mal diretamente nos olhos", ele disse. "E hoje este mal é muito forte, muito maligno e muito perigoso para todos, não apenas para nós."

Como Michael Specter, o jornalista da "New Yorker" que já escreveu extensamente sobre a Rússia, observou: "Houve um breve período de cinco anos em que pudemos nos safar tratando a Rússia como a Jamaica - isto acabou. Agora temos que lidar com ela como adultos que possuem mais armas nucleares do que qualquer um, exceto nós". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host