UOL Notícias Internacional
 

21/08/2008

Lei marcial da Ossétia do Sul cria uma terra de ninguém

The New York Times
C.J. Chivers

Em Akhalgori, Geórgia
Atiradores ossetianos perambulavam pela área da delegacia de polícia georgiana daqui enquanto soldados ossetianos iam e vinham em um caminhão militar georgiano capturado.

A bandeira vermelha, branca e amarela da Ossétia do Sul tremulava sobre a delegacia. Rua acima, dois postos de controle -um russo e outro ossetiano- cortavam o acesso à aldeia, que fica localizada próxima do fundo de um alto vale verdejante que se ergue até a Cordilheira do Cáucaso.

No acostamento da estrada nos limites da aldeia, um homem jovem armado estava sentado atrás de uma mesa, com meia dúzia de outros homens armados ao seu redor, perguntando aos visitantes o que pretendiam fazer estrada à frente.

A presença destes homens musculosos, bem armados, sinalizava que a lei marcial ossetiana estava em vigor em Akhalgori, uma área fora da zona de conflito na guerra entre a Geórgia e os separatistas ossetianos que agora parece destinada a se transformar em uma luta diplomática.

Akhalgori, conhecida como Leningori nos tempos soviéticos, só foi capturada após o cessar-fogo negociado na semana passada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Mas o governo russo e a unidade militar sul-ossetiana disseram na quarta-feira que não partiriam.

A Rússia concordou a princípio em recuar para a Ossétia do Sul e para uma chamada zona de segurança em sua periferia. A demarcação da zona de segurança ainda está em disputa, mas um mapa que circulava na quarta-feira, de autoria do governo russo, incluía um "corredor de segurança" que parece se projetar longe o bastante para cobrir Akhalgori.

A aldeia fica em um ponto de obstrução, atravessando uma estrada de duas faixas que é a principal rota para o vale e uma série de vilas atrás dela que estão sob controle da Geórgia desde o colapso da União Soviética. Logo, apesar de apenas a área ao redor de Akhalgori estar coberta pelo corredor de segurança, a presença de soldados sul-ossetianos aqui lhes dá controle de fato sobre uma porção muito maior da Geórgia do que reconhecida pela Rússia até agora.

Shota Utiashvili, porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, disse que 8 mil pessoas vivem em Akhalgori e no vale atrás dela, e que quase nenhuma delas era ossetiana. Todas foram isoladas da Geórgia e o fluxo de informação que sai do vale é limitado.

O governo do presidente Mikhail Saakashvili pressionará a Rússia e a Ossétia do Sul a deixarem o vale, segundo Utiashvili e Giga Bokeria, o vice-ministro das Relações Exteriores da Geórgia. "A presença delas é simplesmente inaceitável", disse Utiashvili.

As chances de persuadir os ossetianos a partirem parecem poucas.

Vova Algorov, um oficial da inteligência militar ossetiana que se identificou como o novo comandante da região, permitiu uma breve entrevista enquanto seus homens armados permaneciam em círculo ao seu redor. Ele não parecia interessado na opinião da Geórgia.

Ao ser perguntado por quanto tempo seus soldados pretendiam ficar, ele respondeu: "Para sempre".

Um de seus soldados, que se identificou apenas como Ilan, sugeriu que o governo georgiano provocou a expansão ossetiana na Geórgia.

Ele tirou seu celular do bolso e usou sua tela para mostrar fotos dos soldados georgianos mortos em combate. A Geórgia atacou fortemente Tskhinvali, a capital sul-ossetiana, ele disse, após Saakashvili ter prometido um cessar-fogo em televisão nacional.

Ilan disse que seu amigo, Oleg Galavanov, foi ferido na barragem inicial da Geórgia e depois morto quando o disparo de um tanque georgiano atingiu a ambulância em que ele estava.

O soldado mostrou as fotos dos cadáveres e sugeriu que a decisão de Saakashvili arruinou qualquer chance de futura coexistência. "Como posso viver com eles?", ele disse.

"Eu estava matando georgianos", ele acrescentou. "Mas não sou assassino. Eu estava defendendo a minha pátria." George El Khouri Andolfato

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