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22/08/2008

Krugman - a política de impostos dos candidatos dos EUA para o 'Riquistão'

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
No último fim de semana, o pastor Rick Warren pediu aos dois candidatos presidenciais que definissem a renda na qual "você passa da classe média para a rica".

O contexto da questão era, é claro, a diferença nas políticas de impostos dos candidatos. Barack Obama quer reverter os impostos sobre os americanos de renda mais alta a mais ou menos como eram sob Bill Clinton; John McCain, que foi contra as reduções de impostos de Bush antes de ser a favor delas, diz que isso significa aumentar os impostos sobre a classe média.

Obama respondeu a pergunta de forma séria, definindo classe média como tendo uma renda abaixo de US$ 150 mil (ao ano). McCain, inicialmente, fez piada, dizendo "que tal US$ 5 milhões?" Então declarou que não importava, porque não aumentaria o imposto de ninguém. Ele não foi apenas evasivo, mas também falso: o plano de McCain para a saúde, ao limitar a dedutibilidade dos planos de saúde pagos pelo empregador, na prática aumentaria os impostos de várias pessoas. Mas o problema real foi a pergunta em si.

Quando pensamos na classe média, nós tendemos a pensar nos americanos cujas vidas são decentes mas não luxuosas: eles têm casas, carros e planos de saúde, mas ainda se preocupam em conseguir se manter com o que ganham, especialmente quando chega a hora de enviar os filhos para a faculdade.

Enquanto isso, quando pensamos nos ricos, tendemos a pensar em um punhado de pessoas que são realmente muito ricas -pessoas com serviçais, pessoas com tanto dinheiro que, como McCain, não sabem quantas casas possuem. (Lembra de como os republicanos zombavam de John Kerry por ser rico demais?)

O problema com a pergunta de Warren é que parecia implicar que todos exceto os pobres pertencem a uma destas duas categorias: ou você é claramente rico, ou você é um membro comum da classe média. E isso é errado.

Eu seu livro divertido, "Riquistão", Robert Frank, do "The Wall Street Journal", declara que os ricos não são apenas diferentes de mim e você, eles vivem em um país paralelo, diferente. Mas este país é dividido em níveis, e apenas os habitantes do Riquistão superior vivem como aristocratas; os habitantes do Riquistão médio levam vidas opulentas, mas não douradas; e os do baixo Riquistão vivem em McMansões, dirigem utilitários esportivos e gostam de pensar em si mesmos como "bem de vida", não como ricos.

Mas mesmo estes supostamente não-ricos vivem em um universo financeiro diferente do habitado pelos membros comuns da classe média: eles possuem muita renda da qual podem dispor após pagarem o que é essencial, e não perdem o sono com despesas, como planos de saúde e mensalidades escolares, que podem ser amedrontadoras para muitas famílias trabalhadoras americanas.

O que nos leva à disputa em torno da política de impostos.

McCain deseja preservar quase todas as reduções de impostos de Bush, e aumentá-las reduzindo os impostos para as empresas. Obama quer reverter as reduções de impostos de Bush nas duas faixas superiores de renda e sobre a renda de dividendos e ganhos de capital -e usar parte desse dinheiro para reduzir os impostos nas faixas de renda mais baixa.

Segundo estimativas preparadas pelo Centro de Política Tributária, os aumentos de impostos de Obama atingiriam principalmente pessoas com rendas superiores a US$ 200 mil por ano. Estas pessoas são ricas? Bem, talvez não: algumas dessas pessoas são apenas cidadãos do baixo Riquistão, apesar de que os aumentos de impostos realmente grandes atingiriam o Riquistão superior. Mas uma coisa é certa: Obama não está planejando aumentar impostos sobre a classe média, por qualquer definição razoável -mesmo a do governo Bush.

Ok, o governo Bush não apresentou de fato uma definição de "classe média". Mas em maio, o Departamento do Tesouro -que costumava realizar estudos sérios de impostos, mas atualmente produz apenas propaganda para o governo Bush- divulgou um relatório que supostamente mostra, ao analisar as contas de quatro famílias hipotéticas, como a classe média e trabalhadora seria prejudicada se as reduções de impostos de Bush não fossem transformadas em permanentes.

E quando o Centro de Orçamento e Políticas Prioritárias olhou para o relatório, ele apontou um detalhe interessante. Todas as famílias hipotéticas do Tesouro obtinham seus ganhos dos chamados artigos para classe média das reduções de impostos de Bush: o crédito familiar, a faixa de impostos reduzidos para baixa renda e alívio da penalidade de casamento.

Por acaso, Obama propõe não mexer em todos estes artigos. Em outras palavras, o próprio governo Bush implicitamente define a classe média como sendo pessoas que ganham muito pouco para pagarem impostos adicionais sob o plano de Obama.

É claro, todas as evidências do mundo não impedirão os republicanos de alegarem, como sempre fazem, que os democratas vão impor um fardo tributário debilitante sobre os trabalhadores americanos comuns. Mas não é verdade. George El Khouri Andolfato

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