UOL Notícias Internacional
 

25/08/2008

Leis bizarras tornam a 'dolce vita' italiana mais azeda

The New York Times
Elisabetta Povoledo
Em Roma
A cidade de Forte dei Marmi, na Toscana, recentemente baniu o uso de cortadores de grama e serras elétricas durante os finais de semana para diminuir o barulho.

Em Novara em Piemonte, o prefeito baixou uma medida nesse verão proibindo grupos de três ou mais pessoas de se reunirem em alguns parques públicos entre as 23h30 e 6h.

E na cidade de Positano, na Costa Amalfitana, autoridades locais proibiram fogos de artifício exceto aos sábados entre 20h30 e 23h. Os fogos de artifício podem "alterar o estado psico-físico de um animal", levando a "ataques de pânico" ou "comportamento agressivo", de acordo com uma das razões listadas na regulação.

Diga o que quiser sobre a racionalidade dessas leis. E depois considere isso:

Em Capri, os tamancos foram proibidos desde 1960. E em Eraclea, um balneário na costa Adriática, a cidade proibiu alguns jogos e atividades na praia em 2004 como perigos potenciais para os banhistas.
Entre essas atividades está cavar buracos na areia.

Durante as últimas semanas, os jornais, rádios e redes de televisão têm se dedicado a relatar os pontos mais refinados das leis locais italianas, desde que o ministro de interior, Roberto Maroni, deu às cidades poder adicional para lidar com problemas de segurança e decoro.

Mas o que começou como um verão divertido no noticiário italiano tornou-se uma espécie de incidente internacional depois que o jornal londrino The Independent fez uma reportagem sobre a lista de leis no último fim de semana, alertando: "Turistas, tenham cuidado: se for divertido, a Itália tem uma lei contra isso."

Isso doeu.

"Quando dizemos algo, ninguém liga", diz Marino Livolsi, professor de sociologia da Universidade Vita Slute San Raffaele, em Milão. "Mas uma vez que os jornais estrangeiros começam a escrever, a polêmica tem início. Nossa identidade nacional é tão fraca que é fácil entrar numa crise."

Talvez os estrangeiros estejam "irritados com a idéia de que não podem mais vir à Itália e fazer o que quiserem", escreveu o colunista Massimo Gramellini em um editorial de primeira página no jornal La Stampa, de Turim, na segunda-feira. O caos latino, "é um álibi esplêndido" para os turistas que vêm para a Itália para se comportarem mal sem serem punidos, disse.

O artigo do The Independent é "ofensivo", disse ministro da cultura, Francesco Giro. Ele apontou para o fato de que os britânicos têm suas próprias esquisitices.

"Em Londres, eles baniram a pipoca nos cinemas porque seu consumo pode atrapalhar o filme", disse à agência de notícias Ansa, referindo-se a reportagens sobre alguns donos de salas de exibição que estão ignorando a ameaça.

O que ninguém parece contestar aqui é o fato de a Itália ter leis demais.

"Em apenas um ponto eu concordo com o correspondente britânico: o excesso e a diversidade das leis" na Itália, disse Osvaldo Napoli, um legislador de centro-direita vice-presidente da Anci, a Associação Nacional de Municípios Italiana.

Ele concordou que existe uma necessidade de "grande coordenação" entre as prefeituras.

Duccio Canestrini, antropólogo que monitora tendências do turismo, disse que enquanto algumas leis locais parecem arbitrárias, outras fazem sentido.

"Os prefeitos agora têm mais autoridade para regular o comportamento", disse, "mas o fato é que quando você tem uma grande densidade de pessoas, como acontece no verão, você têm ratos demais dentro da gaiola, e portanto precisa de regras." Eloise De Vylder

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