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26/08/2008

Convenção Democrata: Michelle Obama, agora uma presença mais suave, assume o centro do palco

The New York Times
Jodi Kantor, do The New York Times
Em Denver
Quando seu marido concorreu ao Congresso em 2000, Michelle Obama se queixava tanto dos apertos de mão e dos eventos para arrecadação de verbas para a campanha que Arthur Sussman, na época o chefe dela na Universidade de Chicago, finalmente perguntou se ela realmente não conseguia encontrar nada apreciável na campanha.

Michelle Obama pensou por um momento. Visitar tantas salas de estar lhe deu algumas boas idéias para decoração, ela reconheceu.

Damon Winter/The New York Times 
Michelle Obama testa o som do Pepsi Center, local da Convenção Democrata

Oito anos depois, a cabo eleitoral antes relutante está no centro de uma ofensiva multimídia que pode ser a apresentação de uma esposa mais cuidadosamente administrada na história das campanhas presidenciais. Na noite de segunda-feira (25), Michelle Obama fez um discurso em horário nobre na Convenção Nacional Democrata, precedida por um vídeo biográfico elaborado, um toque geralmente reservado aos candidatos, não às suas esposas.

Michelle Obama agora é uma presença mais suave do que no início da campanha.

Sua mensagem básica - a história de vida comovente, a defesa vigorosa de seu marido, o calor maternal - permanecem intactos. Mas em vez de desafiar sua platéia, ela solicita a consideração dela e a cobre de empatia. Ela costumava aparecer em noticiários; agora ela dá entrevistas ao "The View" e ao "Ladies' Home Journal".

Na noite de segunda-feira ela usava um vestido de estilista, mas ultimamente ela era vista com mais freqüência adotando uma abordagem chique barato para a moda, que poderia ser chamado de estilo crise econômica: menos peças de estilistas famosos, mais vestidos de verão de US$ 79 da Gap.

Agora, em Denver e pelas próximas 10 semanas, a agenda de Michelle Obama será dupla. Ela deverá continuar lapidando sua imagem pública ocasionalmente hostil para tons mais calorosos. Mas esta é apenas uma das duas histórias de vida que ela tem que vender aos eleitores. Preocupada com a criação de Barack Obama em lugares distantes e sua falta de raízes profundas deixarem alguns eleitores inseguros e desconfiados, a campanha está basicamente substituindo a história da família dele pela de Michelle.

Barack Obama tem poucos parentes que possam representá-lo. Na semana passada, uma revista européia localizou um meio-irmão queniano que ele mal conhece, vivendo de forma miserável em uma favela. (O Partido Republicano do Texas prontamente transformou a notícia em uma propaganda de ataque.)

Assim, na noite de segunda-feira, a campanha encheu o palco e a tela com a família de Michelle Obama: seu irmão treinador de basquete, Craig Robinson; sua mãe dona de casa que se transformou em secretária, Marian; e a lembrança de seu pai, Frasier, um funcionário público que sofria de esclerose múltipla. (Quando o pai dela estava vivo, a família mal conversava sobre a doença dele, disse Craig Robinson em uma entrevista no ano passado; agora Michelle Obama a menciona em quase toda parada de campanha.)

Como o mais famoso dos vídeos biográficos tranqüilizadores, "O Homem da Esperança" de Bill Clinton, o filme de Michelle Obama, "A Garota da Zona Sul", a situa em um lugar vivo e específico, a Zona Sul de Chicago. Enquanto sua mãe conta a história de Michelle em uma voz trêmula pela idade, fotos dela piscam pela tela: como uma criança com rabo de cavalo, grandes olhos castanhos e uma cesta de Páscoa, depois como uma adulta com uma criança correndo para seus braços.

A apresentação de Michelle Obama mencionou apenas um pouco da carreira dela, como advogada, organizadora comunitária e executiva de hospital, preferindo se concentrar em seus papéis como filha, mãe, irmã e esposa.

Barack Obama "é o mesmo homem que me trouxe de carro do hospital para casa, com nossa filha recém-nascida, há 10 anos neste verão", ela disse em seu discurso, o descrevendo como "dirigindo em um ritmo de lesma, nos espiando ansiosamente pelo espelho retrovisor, sentindo todo o peso do futuro dela em suas mãos".

Desde que Michelle Obama deixou seu emprego como administradora de hospital para fazer campanha e cuidar de suas filhas, Malia e Sasha, em tempo integral, algumas críticas feministas se queixaram de que ela sacrificou seu próprio trabalho pelo do marido. Mas desde o início, o casamento de Obama foi uma espécie de simbiose profissional, uma parceria entre duas pessoas passionalmente ambiciosas que descobriram que poderiam ascender mais alto no mundo juntos do que sozinhos.

Os dois advogados formados em Harvard se conheceram em um escritório de advocacia onde foi designada a guiar Barack Obama, um associado de verão. Desde então, eles abriram caminho por Chicago, compartilhando mentores, laços organizacionais e interesses.

Obama transformou sua esposa em organizadora comunitária e ela chegou a trabalhar para alguns dos associados dele. Michelle Obama, por sua vez, o apresentou a alguns dos ambiciosos jovens empresários e líderes cívicos afro-americanos que ajudariam a alimentar sua ascensão política. Agora eles fundiram plenamente suas carreiras em um empreendimento que os levou mais longe do que nunca.

Na noite das convenções partidárias de Iowa, os Obama, que queriam ficar distantes da televisão, reuniram seus amigos mais próximos em um restaurante de peixes e frutos do mar em um shopping center de Des Moines, onde Michelle Obama se levantou para fazer um brinde. Todos no salão sabiam que ela nunca quis que seu marido ingressasse na política, que ela se ressentia de suas ausências e que expressou fortes reservas antes da entrada dele na disputa presidencial.

Mas ela se levantou e fez uma versão mais privada e terna de seu discurso de campanha, com os olhos marejados enquanto falava sobre seu marido e sua candidatura. "Um brinde ao meu marido, o homem que amo e o homem que acredito que será o melhor presidente", ela disse, segundo Sandra Matthews, uma amiga.

Naquele momento um assessor da campanha chegou com a notícia: as emissoras de televisão divulgavam que o Estado era de Obama. Enquanto o salão explodia em júbilo, enquanto amigos se abraçavam, ignoravam seus pratos e derrubavam taças de vinho, disseram amigos, Michelle Obama simplesmente ficou estupefata. George El Khouri Andolfato

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