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27/08/2008

Clinton convoca suas tropas para lutarem por Obama

The New York Times
Patrick Healy, do The New York Times
Em Denver
Com seu marido olhando com ternura e seus simpatizantes assistindo com lágrimas nos olhos, a senadora Hillary Rodham Clinton adiou seus sonhos na noite de terça-feira (26) e fez um apelo enfático na Convenção Nacional Democrata pela união em apoio ao seu rival, o senador Barack Obama, independentemente da má vontade que ainda possa persistir.

Clinton, que antes estava certa que conquistaria a indicação democrata neste ano, também deu passos na terça-feira - passos deliberados, disseram assessores - para manter aberta a porta para uma futura candidatura à presidencial. Ela mobilizou seus simpatizantes em seu discurso e, em um evento anterior com 3 mil mulheres, descreveu sua paixão por sua própria campanha. E seus assessores limitaram os acréscimos ao discurso feito pelos conselheiros de Obama, enquanto buscavam conselho junto ao ex-estrategista dela, Mark Penn, uma figura odiada no campo de Obama.

Mas a principal tarefa de Clinton na convenção - reafirmar seu apoio a Obama em linguagem enfática e incondicional - dominou seu discurso de 20 minutos, e ela não deixou transparecer a raiva e decepção que ainda sente e que, dizem amigos, têm assombrado em particular o seu marido.

Se declarando uma "defensora orgulhosa de Barack Obama", Clinton pediu aos democratas que deixem de lado sua lealdade pessoal a ela e se unam em apoio a Obama - ou correrão o risco de uma continuidade das políticas do governo Bush sob o virtual candidato republicano, o senador John McCain.

"Independentemente de terem votado em mim ou em Obama, agora é hora de nos unirmos como um único partido com um único propósito", disse Clinton. "E vocês não trabalharam tão arduamente nos últimos 18 meses, ou suportaram os últimos oito anos, para sofrer com mais liderança fracassada. De jeito nenhum, nada de McCain", ela acrescentou.

Os simpatizantes de Clinton nutriam grande antecipação aqui na noite de terça-feira - alguns poucos foram vistos usando buttons "Hillary '08". De fato, muitos de seus principais arrecadadores de fundos ainda se recusam a trabalhar para Obama e estão enfurecidos com o tratamento que receberam na convenção.

Os conselheiros de Obama também nutriam suas próprias expectativas. Vários deles repetiam quão "graciosa" Clinton está sendo nesta semana. Mas privativamente, os assessores disseram que eles e Obama estão ávidos em deixar para trás o momento de estrela de Clinton na convenção, que tem sido fonte de especulação e melodrama para os democratas que ainda não superaram inteiramente a batalha entre os dois nas eleições primárias e convenções partidárias.

Entre eles estão os próprios Clintons: enquanto Hillary Clinton está em meio a uma "catarse", dizem os amigos, o ex-presidente Bill Clinton permanece mais furioso do que as pessoas se dão conta pela forma como a campanha de Obama o retratou como enganador, seu governo como mediano e suas táticas políticas como, às vezes, contendo tons raciais. Os amigos têm pedido a Bill Clinton - que falará na noite de quarta-feira - para deixar tudo isso para trás, aconselhando o casal a concentrar sua energia e emoções em McCain.

"O presidente Clinton e o senador Obama não precisam mandar mensagem de texto um para o outro dizendo BFFs", disse Paul Begala, um amigo dos Clintons e ex-conselheiro de Bill Clinton, usando a abreviação de Best Friends Forever (melhores amigos para sempre). "Eles têm apenas que combater McCain."

Na tarde de terça-feira, Hillary Clinton fez uma prévia de sua principal tarefa na convenção ao fazer comentários em uma recepção da Emily's List, um grupo que apóia mulheres candidatas, marcando o 88º aniversário do sufrágio feminino.

"Eu peço a todas vocês que trabalharam tão arduamente por mim, que bateram às portas, que vira e mexe entraram em discussões, para trabalharem por Barack Obama tão arduamente quanto fizeram por mim", disse Clinton."Vamos dedicar toda a paixão e energia que temos, e há muito disso."

Por mais resoluta que Clinton tenha sido em público, ela fez uma referência tácita ao preço emocional que uma vida sob os holofotes pode ter, particularmente para uma mulher. "Não se trata apenas de política", ela disse, se referindo às lutas singulares que as mulheres enfrentam como candidatas. Seu tom abandonou a cadência determinada e se tornou, por um segundo, mais lento e quase sussurrado. "É realmente pessoal", ela disse.

Longe de dar um discurso de despedida na Convenção Democrata, os conselheiros de Clinton disseram que ela queria que o discurso refletisse a força que ela mantém no Partido Democrata: que ela, bem mais que Obama, dispõe de influência para mover seus simpatizantes para o lado dele.

Ela também queria cimentar sua imagem como heroína das mulheres e dos americanos de classe operária e de classe média, três grupos que Obama está tendo dificuldade para conquistar. Os assessores de Clinton disseram que ela poderá dar início ao seu próprio esforço organizado em prol das preocupações das mulheres, explorando sua lista de milhões de simpatizantes e doadores e talvez usando seu comitê de ação política, o HillPac, como veículo.

Ao mesmo tempo, disseram os conselheiros, Clinton queria assegurar que seu momento na convenção não pudesse ser retratado como carente de entusiasmo, caso Obama perca a eleição em parte devido a uma parcela de seus eleitores terem se recusado a votar nele. Clinton quase certamente concorrerá à presidência em 2012 caso Obama fracasse desta vez, disseram vários assessores da senadora na terça-feira, e um plano desses poderia fracassar caso os sentimentos negativos dos Clintons transpareçam neste ano.

Hillary Clinton continua sendo uma figura divisora na política americana, com os eleitores quase igualmente divididos entre aqueles que a vêem de forma favorável e desfavorável. Em uma pesquisa "New York Times/CBS News" realizada antes da convenção, 45% de todos os eleitores disseram que tinham uma posição favorável em relação a Clinton e 43% uma desfavorável - um dos índices negativos mais altos de Clinton desde que o "Times" e a "CBS News" começaram a perguntar sobre ela em 1992.

Os relatos de atrito entre os campos de Clinton e Obama foram oficialmente negados por ambos os lados, e havia sinais de que alguns simpatizantes de Clinton estavam desistindo da luta, com o esvaziamento de uma manifestação pró-Clinton na terça-feira.

Hillary Clinton também teve uma breve conversa nos bastidores com Michelle Obama no evento da Emily's List; assessores de ambos descreveram a conversa como amistosa. Durante seus comentários, Clinton fez um gesto caloroso para encorajar as mulheres na sala a abraçarem Michelle Obama.

"Michelle Obama não foi excelente na noite passada?" Clinton disse sob aplausos e vivas. "Eu sei um pouco sobre como a Casa Branca funciona, e se o presidente não estiver exatamente do nosso lado, liguem para a primeira-dama - e Michelle Obama atenderá a chamada."

Em outra exibição de unidade, Valerie Jarrett, uma das principais confidentes dos Obamas, apareceu na terça-feira em um grande brunch no Ritz-Carlton Hotel daqui em homenagem a Vernon E. Jordan pai, um dos principais confidentes dos Clintons. (Jordan é casado com uma prima de Jarrett.) Importantes simpatizantes de ambos os candidatos estavam presentes no brunch, juntamente com um grande número de jornalistas.

Em uma breve entrevista, Jordan disse que a imprensa estava fabricando uma história que não existia. Jarrett disse que os altos escalões das duas campanhas estavam trabalhando juntos de forma harmoniosa, apesar de ter reconhecido a existência de um grupo barulhento de simpatizantes registrando suas queixas, freqüentemente de forma anônima, na imprensa.

Ann Lewis, outra importante conselheira de Clinton, disse que os relatos na mídia sobre um relacionamento desgastado entre Clinton e Obama eram exagerados.

"Com base na cobertura da mídia, você acha que há tanques nas ruas da Geórgia", disse Lewis.

Ainda assim, ocorreram manifestações de apoio a Clinton que não tinham nada a ver com unidade. Durante seu discurso na tarde de terça-feira na recepção da Emily's List, uma mulher gritou da platéia: "Hillary em 2012!" Clinton não pareceu ter ouvido o comentário; a mulher, Karin Schumacher de Denver, foi voluntária para Clinton e disse que planeja apoiar Obama.

Uma ilustração na capa da revista política "Roll Call" também exibia uma charge de Obama em Denver, com balões de Bill e Hillary pairando sobre tudo.

Enquanto isso, dentro do salão da convenção, quase nenhum dos demais oradores da terça-feira mencionou Hillary Clinton ou os sucessos do governo Clinton - tanto que a referência ocasional se destacava pelo isolamento.

"Nesta noite contamos com a presença de outra grande campeã dos trabalhadores", disse o senador Bob Casey da Pensilvânia, que apoiou Obama nas primárias de seu Estado, "alguém com quem trabalhei na questão do ensino pré-escolar; alguém que conduziu sua campanha com uma graça rara sob pressão real; uma senadora que trabalhou para unir nosso partido e nosso país: Hillary Rodham Clinton".

Jill Abramson, Mark Leibovich e Jim Rutenberg contribuíram com esta reportagem. George El Khouri Andolfato

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