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28/08/2008

Democratas rompem com a história e oficializam candidatura de Barack Obama

The New York Times
Adam Nagourney, do The New York Times
Em Denver
Barack Hussein Obama, um senador em primeiro mandato que derrotou a primeira família do Partido Democrata com um apelo por um rumo fundamentalmente novo na política, teve a candidatura à 44º presidente dos Estados Unidos oficializada pelo seu partido na quarta-feira (27).

A votação unânime fez de Obama o primeiro negro norte-americano a tornar-se candidato à presidência dos Estados Unidos por um grande partido. A escolha pôs um fim a uma batalha política de dois anos pela candidatura democrata - e que foi marcada por episódios freqüentes de amargor - com a senadora Hillary Rodham Clinton. Hillary, de pé em um auditório lotado e eletrizado pela expectativa, pediu a interrupção da votação em andamento, de forma que a convenção pudesse nomear Obama por unanimidade. A isso seguiram-se sucessões de bramidos da multidão, seguidos por uma profusão de danças, abraços, sinais de vitória e gritos de "Yes, we can" (Sim, nós podemos").

Stephen Crowley/The New York Times 
Delegada democrata vibra quando Hillary Clinton aparece no telão

A natureza histórica do momento deu rapidamente lugar aos imperativos políticos com os quais Obama se deparará. Ele chegou aqui na quarta-feira à tarde e deverá aceitar a candidatura na noite de quinta-feira (28) perante uma multidão de 75 mil pessoas reunidas em um estádio de futebol.

Após dias durante os quais a convenção pareceu muitas vezes centrar-se menos em Obama do que nas duas famílias que dominaram a política democrata por quase meio século, os Kennedy e os Clinton, ele ainda terá que convencer os eleitores de que conta com soluções concretas para as ansiedades econômicas do povo. Obama precisará ainda unir o partido contra a candidatura revigorada do seu adversário republicano, o senador John McCain.

Em uma tentativa de acabar de vez com a animosidade residual do período das eleições primárias, o ex-presidente Bill Clinton - em um discurso que era ansiosamente aguardado pelos assessores de Obama, devido ao relacionamento tenso entre os dois - apoiou de forma entusiástica e incondicional as credenciais de Obama para ser presidente. A mensagem dele, assim como o mensageiro, foi recebida com euforia pelos presentes.

Bill Clinton afirmou - assim como fez Hillary Clinton quando falou na convenção na noite da última terça-feira - que a nação precisa eleger um democrata para consertar o estrago causado pelo presidente Bush ao país, tanto em casa quanto por todo o planeta.

"Barack Obama está pronto para liderar os Estados Unidos e restaurar a liderança norte-americana no mundo", afirmou Clinton. "Ele está pronto para preservar, proteger e defender a constituição dos Estados Unidos. Barack Obama está pronto para ser o presidente dos Estados Unidos".

O discurso de Clinton seria seguido pelo do Senador Joe Biden, a escolha de Obama para a vice-presidência, que pretendia usar a sua fala para expor a argumentação democrata contra McCain.

"O nosso país está menos seguro e mais isolado do que em qualquer outro período na história recente", afirmou Biden em observações preparadas para o discurso. "A política externa Bush-McCain nos jogou em um buraco profundo e nos deixou com pouquíssimos amigos para nos ajudar a sair dele".

A chamada para a votação ocorreu no final da tarde - na primeira vez em pelo menos 50 anos em que o partido não marcou a chamada para o horário nobre de televisão - já que os democratas procuravam evitar atrair atenção para os ressentimentos que restaram entre os delegados de Hillary Clinton e os de Barack Obama.

Mas ninguém deixou de perceber a natureza histórica da votação, e ela movimentou o Pepsi Center enquanto uma procissão de delegados estaduais votava e o salão, ligeiramente vazio no início da votação, ficava superlotado de democratas ansiosos por presenciar esse momento.

Conforme o planejado, coube a Hillary Clinton alçar Obama à vitória. Ele foi declarado candidato oficial do partido às 16h47 (hora local), após Hillary - usando um conjunto azul e em meio a uma multidão que incluía quase todos as autoridades eleitas do Estado de Nova York - ter solicitado que se suspendesse a chamada e que Obama fosse declarado o candidato do partido por unanimidade. O momento do final da votação foi escolhido para coincidir com o início das transmissões noturnas das redes de televisão.

"Com os olhos firmemente fixados no futuro, no espírito da unidade, com o objetivo da vitória, com fé no nosso partido e no nosso país, declaremos juntos e em uníssono, bem aqui e agora, que Barack Obama é o nosso candidato e que ele será o nosso presidente", afirmou Hillary Clinton. "Eu peço que o senador Barack Obama de Illinois seja escolhido por esta convenção para ser o candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos".

A líder da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, de pé no palanque, pediu para falar e foi saudada por inúmeras vozes. Um bramido de aprovação foi ouvido quando ela pediu que a solicitação de Hillary Clinton fosse aprovada.

Quando a votação foi interrompida, Obama tinha recebido 1.549 votos contra 231 de Hillary Clinton.

Para Obama, a candidatura - conquistada na disputa com Hillary, que há um ano era tida como a favorita óbvia, especialmente por ter um oponente político dotado de um currículo político minguado - foi um feito notável naquilo que tem sido uma ascensão impressionante. Faz menos de quatro anos que Obama - que anteriormente havia sido senador estadual em Illinois - tornou-se membro do Senado dos Estados Unidos. Ele tem 47 anos, e é filho de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia.

A oficialização da candidatura de Obama ocorre 120 anos após Frederick Douglass ter sido o primeiro negro norte-americano a disputar a candidatura na convenção de um grande partido.

Douglass recebeu um voto na convenção republicana em Chicago em 1888. O senador Benjamin Harrison, de Indiana, obteve a candidatura republicana e tornou-se o presidente naquele ano.

O que tornou o momento ainda mais marcante foi a natureza histórica da disputa de Hillary Clinton. Ela foi a terceira mulher a ter o nome apresentado em uma convenção de um grande partido para concorrer à presidência. Quando ela pediu o encerramento da votação, algumas mulheres presentes foram vistas enxugando lágrimas dos olhos.

O candidato presidencial é tipicamente uma figura ausente nos primeiros dias de uma convenção. Mas, neste caso, o vácuo deixado por Obama foi preenchido pelos Clinton e pelo tributo prestado pelo partido a Kennedy na noite da segunda-feira. O que ocorreu nos últimos dois dias pode ter sido politicamente necessário e até útil, mas não chegou a ajudar Obama a atingir algumas das metas críticas desta convenção.

Como resultado, ele está sofrendo pressões consideráveis para que, na noite de quinta-feira, use o seu discurso em um palco ambicioso - um estádio de futebol - para apresentar um retrato integral de si próprio aos norte-americanos que possam ter dúvidas quanto ao seu preparo para ser presidente, e ainda para apresentar um quadro daquilo que faria na Casa Branca. Para Obama, o discurso final não é a conclusão de uma convenção. Sob diversos aspectos, ele poderá representar a sua convenção inteira.

Obama, que chegou em Denver pouco depois das 14h, estava em um hotel no centro de Denver com a mulher e as filhas quando soube que havia sido escolhido por unanimidade. UOL

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