UOL Notícias Internacional
 

28/08/2008

Friedman: os sete anos bíblicos

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Após estar presente na espetacular cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim e ter sentido as vibrações de centenas de tambores chineses pulsando no meu peito, eu fiquei tentado a concluir duas coisas: "Minha nossa, a energia que emana deste país não tem igual". E a segunda: "Nós estamos fritos. Comecem a ensinar mandarim para seus filhos".

Mas ao longo dos anos eu aprendi a não interpretar exageradamente qualquer evento de duas semanas. Os Jogos Olímpicos não mudam a história. Eles são meros retratos instantâneos - um país posando na sua melhor roupa dominical para que o mundo todo veja. Mas, no que se refere a retratos, o apresentado pela China durante os Jogos Olímpicos foi enormemente poderoso - e é um sobre o qual os americanos precisam refletir neste período eleitoral.

A China não construiu a magnífica infra-estrutura de US$ 43 bilhões para estes Jogos, ou realizou cerimônias de abertura e encerramento sem paralelo, simplesmente por ter tido a sorte de descobrir petróleo. Não, tudo foi a culminação de sete anos de investimento nacional, planejamento, poder concentrado do Estado, mobilização nacional e trabalho árduo.

Sete anos... Sete anos... Isso mesmo. O direito de realizar estes Jogos Olímpicos foi concedido à China em 13 de julho de 2001 - apenas dois meses antes do 11 de Setembro.

Enquanto estava sentado em meu lugar no Ninho do Pássaro, assistindo milhares de dançarinos, percussionistas, cantores e acrobatas chineses realizarem sua mágica na cerimônia de encerramento, eu não pude deixar de refletir em como a China e os Estados Unidos gastaram os últimos sete anos: a China se preparando para os Jogos Olímpicos; nós nos preparando para a Al Qaeda. Eles estiveram construindo melhores estádios, metrôs, aeroportos, estradas e parques. E nós construindo melhores detectores de metal, Humvees blindados e aeronaves não tripuladas.

A diferença está começando a aparecer. Apenas compare a chegada ao terminal que parece um lixão de La Guardia, em Nova York, e dirigir pela infra-estrutura caindo aos pedaços em Manhattan, com a chegada ao elegante aeroporto de Xangai e tomar o trem de levitação magnética de 350 km/h, que usa propulsão eletromagnética em vez de rodas de aço e trilhos, para chegar à cidade em um piscar.

Então se pergunte: quem está vivendo em um país de Terceiro Mundo?

Sim, se você se afastar uma hora de carro de Pequim, você encontrará o vasto terceiro mundo pobre da China. Mas eis o que é novo: as partes ricas da China, as partes modernas de Pequim, Xangai ou Dalian, agora são mais avançadas do que a América rica. Os prédios apresentam arquitetura mais interessante, as redes sem fio são mais sofisticadas, as estradas e trens mais eficientes e agradáveis. E, eu repito, eles não conseguiram tudo isso descobrindo petróleo. Eles conseguiram com esforço próprio.

Eu percebo as diferenças: nós fomos atacados no 11 de Setembro; eles não foram. Nós temos inimigos reais; os deles são pequenos e a maioria domésticos. Nós tivemos que responder ao 11 de Setembro pelo menos eliminando a base da Al Qaeda no Afeganistão e investindo em uma segurança doméstica mais reforçada. Eles puderam evitar confusões no exterior. Tentar construir uma democracia no Iraque, o que eu apoiei, foi uma guerra por opção e dificilmente produzirá qualquer coisa à altura de seu enorme preço.

Mas a primeira regra dos buracos é que quando você está em um, pare de cavar. Quando se vê quanta infra-estrutura moderna foi construída na China desde 2001, sob a bandeira dos Jogos Olímpicos, e se vê quanta infra-estrutura foi adiada nos Estados Unidos desde 2001, sob a bandeira da guerra contra o terrorismo, fica claro que os próximos sete anos precisam ser dedicados a uma construção de nação nos Estados Unidos.

Nós precisamos encerrar nossos negócios no Iraque e no Afeganistão o mais rápido possível, o motivo de ser uma afronta o Parlamento iraquiano entrar em férias enquanto 130 mil soldados americanos montam guarda. Nós não podemos mais adiar a construção de nossa nação enquanto os iraquianos discutem o que fazer com a deles.

Muitas pessoas estão aconselhando Barack Obama a jogar sujo com John McCain. Combater fogo com fogo. Isso é necessário, mas não é suficiente.

Obama chegou tão longe porque muitos eleitores projetaram nele que ele poderia ser o líder da renovação americana. Eles sabem que agora precisamos de uma construção de nação em casa - não no Iraque, não no Afeganistão, não na Geórgia, mas nos Estados Unidos. Obama não pode perder este tema.

Ele não pode permitir que os republicanos transformem esta eleição em que é o mais durão para enfrentar a Rússia ou Bin Laden. Ela precisa ser sobre quem é mais forte, mais concentrado, mais criativo e mais unificador para fazer com que os americanos reconstruam a América. O próximo presidente pode ter toda experiência em relações exteriores do mundo, mas ela será inútil, totalmente inútil, se nós, como um país, formos fracos.

Obama está mais certo do que imagina quando proclama que este é "nosso" momento, esta é a "nossa" hora. Mas é nossa hora de voltarmos a trabalhar na única casa que temos, nossa hora de construir a América. Eu não quero nunca ter que dizer para as minhas filhas - e certamente Obama sente o mesmo em relação às dele - que elas precisam ir para a China para ver o futuro. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h29

    -0,67
    3,152
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h33

    0,52
    68.707,91
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host