UOL Notícias Internacional
 

30/08/2008

McCain escolhe governadora do Alasca como companheira de chapa

The New York Times
Michael Cooper e Elisabeth Bumiller
Em Dayton, Ohio
Em uma medida surpreendente, o senador John McCain anunciou na sexta-feira (29), aqui em Dayton, que escolheu a governadora do Alasca, Sarah Palin, como a sua companheira de chapa, sacudindo o universo político em um momento em que a campanha dele tem procurado atrair as mulheres, especialmente as eleitoras inconformadas da senadora Hillary Rodham Clinton.

"Hoje estou muito feliz por passar o meu aniversário com você, e por fazer um anúncio histórico em Dayton", disse McCain, que fez 72 anos na sexta-feira, explicando que vinha procurando um colega de chapa que o ajudasse "a sacudir Washington".

Ao escolher Palin - uma conservadora de 44 anos e mãe de cinco filhos, que é governadora há menos de dois anos - a campanha de McCain distanciou-se bastante de Washington em uma eleição na qual o candidato presidencial democrata, o senador Barack Obama, disputa com uma plataforma de mudanças.

"Ela não é desta região, não é de Washington, mas quando vocês a conhecerem, ficarão tão impressionados quanto eu", disse McCain, ao apresentar Palin a uma multidão reunida no Ervin J. Nutter Center, em Dayton, estimada pela sua campanha em 15 mil pessoas.

A seguir Palin subiu ao palanque com o marido, Todd, que é dono de uma empresa de pesca, e com quatro dos seus cinco filhos. Ela disse que o filho mais velho está no exército, e seguirá para o Iraque em 11 de setembro.

Ela se auto-descreveu como sendo "apenas uma mãe comum que leva os filhos para jogar hóquei", que ingressou na associação de pais e professores das escolas dos filhos e foi eleita prefeita e governadora. Palin acrescentou que não entrou para o governo com o objetivo de ter um emprego fácil e seguro.

"Um navio no porto está seguro, mas não foi para isso o que ele foi construído", disse Palin, acrescentando que "desafiará o status quo com o objetivo de servir ao bem comum".

Palin elogiou a façanha de Hillary Clinton, que perdeu uma longa e amarga disputa nas eleições primárias para Obama, e afirmou que Hillary deixou "18 milhões de rachaduras" no mais alto telhado de vidro do país.

A seguir, fazendo um apelo explícito ao eleitorado desapontado de Hillary Clinton, ela afirmou: "Acontece que as mulheres ainda não estão derrotadas, e nós podemos quebrar esse telhado de vidro".

Palin, que foi prefeita da pequena cidade de Wasilla, um subúrbio de Anchorage, e que já foi eleita a rainha de um concurso de beleza, tornou-se conhecida ao denunciar o comportamento anti-ético do governo do Alasca.

A escolha de McCain constitui-se em uma aposta em que uma injeção de liderança nova - e a novidade representada pela primeira mulher candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano - mais do que compensará o risco de que Palin possa minar o argumento central da campanha de McCain: a alegação de que Obama é muito inexperiente para ser presidente.

A escolha de Palin contrasta fortemente com a seleção do candidato democrata à vice-presidência, o senador Joseph R. Biden, de Delaware, parlamentar veterano e presidente do Comitê de Relações Internacionais.

Mas Palin disputou como agente da mudança quando foi eleita governadora do Alasca em 2006. E, em uma medida que pode ter atraído McCain, ela foi intensamente criticada por membros do seu próprio partido ao expor os deslizes dos republicanos do Alasca, alguns dos quais estavam envolvidos em escândalos de corrupção.

Ela elegeu-se governadora do Alasca após uma disputa eleitoral com um ex-governador democrata que desejava retornar ao cargo. A sua vitória ocorreu depois que ela ajudou a expor o comportamento anti-ético do governador Frank Murkowski, que mais tarde ela derrotou em uma primária republicana.

Palin é contrária aos direitos ao aborto, o que poderia contribuir para tranqüilizar os conservadores em um partido cujos membros estavam preocupados com um boato de que McCain poderia escolher um indivíduo que não fosse contrário ao aborto.

Mas ela discorda de McCain na polêmica questão ambiental centrada no seu Estado: Palin defende a construção de um novo oleoduto que bombearia trilhões de metros cúbicos de gás natural da região de North Slope para os 48 Estados contíguos no sul. Ela acredita que com isso o Alasca viverá um outro boom econômico. A oposição de McCain a esse projeto - anda que ele tenha mudado algumas das suas posições e passado a defender a exploração de petróleo no alto-mar - irritou muitos republicanos.

A campanha de Obama pareceu não dar importância à escolha de McCain.

"Hoje, John McCain colocou a ex-prefeita de uma cidade de 9.000 habitantes, com experiência zero em política externa, a uma distância da presidência do tamanho de uma batida de coração", disse em uma declaração à imprensa Bill Burton, um porta-voz da campanha de Obama. "A governadora Palin apóia o compromisso de McCain de anular a Roe v. Wade (decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que torna o aborto legal), de continuar beneficiando as grandes companhias de petróleo e de dar continuidade às políticas econômicas fracassadas de George Bush - esta não é a mudança da qual necessitamos, é apenas mais uma dose de tudo o que temos visto".

A escolha de Palin foi um segredo fortemente guardado, e ela passou despercebida pelos radares políticos durante meses, enquanto McCain procurava um companheiro de chapa. Grande parte da discussão pública nos últimos dias esteve centrada em Mitt Romney, o ex-governador de Massachusetts e ex-rival de McCain nas primárias para a escolha do candidato republicano; no governador de Minnesota, Tim Pawlenty; em Tom Ridge, ex-governador da Pensilvânia e secretário de Segurança Interna, e no senador Joseph I. Lieberman, de Connecticut, o democrata que se tornou independente após ter sido o companheiro de chapa de Al Gore em 2000. Os defensores do conservadorismo social ficaram aliviados e bastante satisfeitos.

"Eles estão mais do que eufóricos", afirma Ralph Reed, ex-presidente da Coalizão Cristã. "Esta foi uma jogada de mestre. Ela é uma governadora reformista solidamente contrária ao aborto e profundamente cristã. A governadora Palin é de fato uma das novas estrelas mais brilhantes do firmamento republicano".

Palin é conhecida entre os conservadores por ter decidido não submeter-se a um aborto após ficar sabendo, dois anos atrás, que estava grávida de uma criança com síndrome de Down. "É quase impossível exagerar a importância da atitude dela para a comunidade de fé conservadora", diz Reed.

Não se sabe se a escolha permitirá que McCain atraia as mulheres que apoiaram Hillary Clinton. Tanto McCain quanto Palin opõem-se aos direitos ao aborto, que é uma questão importante para algumas mulheres. E um grande tema da convenção democrata recém-encerrada em Denver foi o fato de tanto Hillary Rodham Clinton quanto o ex-presidente Bill Clinton terem pedido aos seus eleitores que se unam em torno de Obama.

A seleção de McCain lembrou a escolha de Dan Quayle, um jovem senador, por George H.W. Bush como seu companheiro de chapa em 1988. A mídia e a maioria dos integrantes do Partido Republicano ficaram surpresas com o anúncio de uma figura relativamente desconhecida fora de Indiana.

De forma similar, vários assessores não muito próximos a McCain reagiram com assombro ao terem sido informados de que Palin foi a escolhida. Um deles afirmou que isso enfraquecerá a principal crítica feita por McCain a Obama: que ele é muito inexperiente para ser comandante-em-chefe.

"Embora esta seja uma escolha dramática e interessante, daqui por diante será difícil usar tal argumentação contra Obama", disse o assessor.

A confirmação da escolha de Palin ocorreu apenas uma hora antes de McCain apresentá-la a nação, aqui em Dayton, ao final de uma manhã caótica e por vezes cômica, durante a qual os noticiários focavam-se a cada momento em uma possibilidade diferente. Os dois nomes que vinham sendo constantemente cogitados até a noite da quinta-feira - Romney e Pawlenty - foram eliminados na manhã da sexta-feira.

As atenções voltaram-se para as notícias de que um jato Gulfstream vindo de Anchorage havia pousado perto de Dayton no final da quinta-feira, o que sugeriu que Palin estava a bordo.

No Alasca, Carrie Hollier, 27, uma eleitora de Obama, disse que se sente meio triste por não votar na governadora que admira.

"Sem dúvida isso torna as coisas difíceis, porque é impossível não adorar Sarah Palin", afirmou Hollier.

Em novembro, Palin discursou na cerimônia de retorno à frente iraquiana da companhia militar do seu marido, Daniel Norman, um franco-atirador do exército que recebeu a medalha Purple Heart devido aos ferimentos provocados pelos estilhaços de uma bomba plantada à beira da estrada no Iraque. "A governadora falou com tanto carinho para as famílias reunidas que não havia uma só pessoa que não estivesse chorando", contou Hollier.

Em outras circunstâncias Hollier poderia cogitar votar em Palin. "Ela nunca se comportou como uma republicana integral", diz Hollier. "Mas Obama é que trará todos os soldados de volta para casa".

Mitchell L. Blumenthal e Michael Grynbaum, em Nova York, e Jodi Cantor, em Denver, contribuíram para esta matéria. UOL

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