UOL Notícias Internacional
 

31/08/2008

Campanha eleitoral nos EUA muda com escolha da vice de McCain

The New York Times
Adam Nagourney

Jim Rutenberg

Jeff Zeleny
Os senadores John McCain e Barack Obama começaram a reajustar suas estratégias para a campanha presidencial e a reconsiderar algumas das premissas básicas sobre quais Estados e eleitores estão em jogo, numa disputa transformada pela inesperada escolha da governadora Sarah Palin, do Alaska, como vice de McCain.

Um dia depois de McCain anunciar sua decisão, tomando a todos de surpresa exceto seu círculo mais íntimo, ambos os lados tentavam avaliar os riscos e oportunidades de ter uma mulher jovem, relativamente inexperiente e socialmente conservadora na chapa republicana.

A campanha de Obama e o Partido Democrata prepararam propagandas políticas e linhas de ataque dirigidas aos dois homens que haviam sido mencionados com mais freqüência como opções para a vice-presidência de McCain, o ex-governador Mitt Romney de Massachusetts e o governador Tim Pawlenty de Minnesota, mas não haviam considerado Palin como uma escolha provável o suficiente para fazer o mesmo em relação a ela. Um novo comercial de campanha ligando o presidente Bush a McCain foi rapidamente editado, mas fazia apenas uma menção rápida a Palin.

Segundo os conselheiros de Obama, essa hesitação refletiu sua dificuldade de questionar as credenciais e a ideologia de uma mulher cuja candidatura poderia ser abraçada por muitas mulheres, numa virada histórica. Depois de ser formalmente nomeada durante a convenção republicana em Mineápolis-St.Paul esta semana, Palin, que foi eleita governadora há dois anos, será a segunda mulher escolhida por um grande partido como candidata à vice-presidência.

A campanha de Obama não planeja atacar Palin diretamente nos próximos dias. Em vez disso, planeja aumentar os ataques a McCain por conta de sua oposição às leis de pagamento igualitário e direito ao aborto - dois assuntos extremamente relevantes para muitas mulheres - enquanto tenta impedir a tentativa de McCain de usar Palin para conseguir o voto das mulheres democratas e independentes que apoiaram a senadora Hillary Rodham Clinton.

Os conselheiros de McCain dizem que uma das principais funções de Palin nas próximas semanas será a de angariar os votos das mulheres indecisas. Eles dizem que sua agenda de campanha a levará a algumas áreas de Estados com voto indefinido como Ohio e Pensilvânia, onde há grupos de mulheres que apoiaram Clinton nas primárias.

Ao mesmo tempo, sugerem, Palin também receberá a tarefa de apelar aos eleitores evangélicos, que não têm demonstrado muito entusiasmo em relação a McCain. De várias formas, a escolha de Palin poderá se provar tanto como um esforço para aumentar o comparecimento da base republicana nas eleições, quanto como um movimento para competir pelo voto feminino.

"Nós tínhamos uma base republicana e evangélica forte", disse Charlie Black, consultor sênior de McCain. "Mas agora vai ser muito mais intenso."

James C. Dobson, o influente líder conservador cristão que durante as primárias disse que nunca votaria em McCain, afirmou que a seleção de Palin o havia convertido. Se fosse votar hoje, disse Dobson ao âncora de rádio Dennis Prager na sexta-feira, "eu puxaria aquela alavanca."

Se Palin motivar os evangélicos a apoiar os republicanos como fizeram com Bush em 2004, isso pode ser significativo em Estados como Iowa e Ohio, onde os republicanos ganharam por uma margem estreita em 2004. Pode também ter algum efeito na Carolina do Norte, um Estado solidamente republicano que Obama está tentando ganhar apelando para os eleitores negros e novos moradores.

Os líderes republicanos da Carolina do Norte, que estavam cada vez mais ansiosos com os esforços intensivos de Obama no Estado, disseram que ficaram encorajados com a escolha de Palin.

"Nosso povo está entusiasmado", disse Linda Daves, presidente do Partido Republicano na Carolina do Norte. "Os conservadores são um público no qual ela irá encontrar apoio."

A escolha do vice de McCain vem num momento crucial da campanha. Ela aconteceu depois do que até mesmo os republicanos dizem ter sido uma convenção de sucesso de Obama. E veio às vésperas da convenção de McCain, com os republicanos nervosos acompanhando o furacão Gustav que se aproxima do Golfo do México, numa lembrança ruim de como a resposta hesitante da Casa Branca de Bush ao furacão Katrina em 2005 prejudicou o presidente e seu partido politicamente.

McCain, numa entrevista gravada para o programa "Fox News Sunday", disse que o programa da convenção pode ser reduzido ou suspenso por um dia ou dois se a tempestade for muito forte.

Com ambos os candidatos à presidência tendo definido seus vices - Obama deveria fazer campanha neste sábado com seu vice, o senador Joseph R. Biden Jr. de Delaware -, as campanhas agora engataram uma marcha mais acelerada.

Os assessores de Obama disseram estar confiantes em manter todos os Estados em que o senador John Kerry de Massachusetts ganhou contra Bush em 2004, e afirmaram já estarem bem posicionados para conquistar Iowa e o Novo México, que votaram para Bush com uma pequena margem. A campanha de Obama está investindo pesado para competir em terrenos mais desafiadores para os democratas, incluindo a Flórida e a Virgínia.

Mas McCain está investindo pesado para tirar dois grandes Estados dos democratas: Michigan e Pensilvânia. Ambos têm grupos de eleitores brancos de classe trabalhadora que estão preocupados com a economia, um grupo que já se mostrou difícil para Obama e que poderia ser receptivo ao apoio de Palin ao porte de armas e sua imagem de mãe de cinco que freqüenta a igreja e tem os mesmos valores que eles.

As preocupações dos republicanos de que McCain não teria dinheiro suficiente para competir se amainaram. Uma vez que ele for nomeado no final desta semana, poderá receber US$ 84 milhões de dinheiro federal. Isso é suficiente, dizem os republicanos, para que ele continue competitivo em relação a Obama, que optou por não participar do sistema de financiamento público e de seus limites de gasto, mas tem de investir tempo e dinheiro para levantar fundos nos próximos dois meses até o dia das eleições.

Obama quer continuar sua campanha durante a convenção republicana, visitando Indiana, Pensilvânia e Wisconsin. Ele dará atenção particular ao eleitorado feminino e continuará a pressionar McCain em relação à segurança nacional.

Numa parada na noite de sexta-feira no oeste da Pensilvânia, uma das falas de Obama que mais foi aplaudida foi retirada de seu discurso em Denver, e fazia piada com o fato de McCain ter prometido seguir Osama bin Laden até "os portões do inferno" apesar de não apoiar o envio de forças militares suficientes ao Afeganistão para capturá-lo, na visão dos democratas.

Neste fim de semana, Obama começou a divulgar o comercial que fala sobre Palin e a ligação de McCain e Bush, que segundo os assessores será um tema dominante de sua propaganda política nas próximas semanas. No programa, enquanto imagens de McCain com Palin e depois com Bush são mostradas, um locutor diz: "Apesar de essa ser sua vice, os Estados Unidos sabem qual é o compromisso de John McCain". Mas a campanha está prestes a se voltar para anúncios específicos para cada Estado, dedicados aos temas locais, possivelmente incluindo um sobre uma proposta de fundo nacional de auxílio para seguro contra furacões, popular na Flórida, diz David Plouffe, gerente de campanha de Obama.

Os conselheiros de Obama disseram que, em comparação com as montanhas de dados que reuniram sobre Pawlenty e Romney, tinham bem menos informações sobre Palin. Seu dossiê consistia em um documento fino baseado principalmente em sua disputa para governadora e recortes de jornal a respeito de uma investigação que averiguava se ela havia pressionado um alto oficial da polícia estadual para liberar o ex-marido de sua irmã da polícia. E, segundo eles, há relativamente pouco material de vídeo disponível sobre ela, por conta de seu pouco tempo no governo.

Os auxiliares disseram que o partido estava enviando membros da equipe e aliados para o Alaska para vasculhar documentos públicos relacionados à estadia de Palin no palácio do governo, seus dois mandatos como prefeita de Wasilla, Alaska, e seus dois mandatos como membro do Conselho da Cidade de Wasilla.

Os democratas não são os únicos a se reorganizarem rapidamente. Os oficiais republicanos disseram que apesar de terem tido tempo para coletar material superficial sobre Palin e seu marido, eles não haviam examinado o resto da família dela.

Além disso, os organizadores republicanos disseram que os assessores da convenção responsáveis por revisar todos os discursos de palanque estão agora de prontidão para enfraquecer os ataques sobre a capacidade de liderança de Obama, e revisando o quanto devem enfatizar o tema da convenção: "Ele Não Está Pronto para 2008"

Eles estão conscientes de que essas críticas num momento de grande visibilidade poderiam dar uma oportunidade para que os democratas façam as mesmas acusações contra Palin, que praticamente não tem nenhuma experiência em política internacional e foi governadora por apenas 20 meses.

Vários delegados republicanos disseram que eles também estavam chocados com a escolha de Palin e, apesar de quererem-na bem, estavam profundamente preocupados com o fato de que ela não tem experiência em política internacional ou segurança nacional para estar no comando.

"Nos últimos meses, nos disseram que essa experiência é o que mais importa no próximo governo da Casa Branca", disse John Scates, delegado de St. Louis. "Mas McCain escolheu alguém cuja experiência é pouca ou quase nada, ou, na melhor das hipóteses, desconhecida. Ela pode ser capaz de adquirir essa experiência - espero que ela consiga - mas agora esse é o ponto mais fraco dela."

Os conselheiros de Obama disseram que nos próximos dias procurarão não somente definir Palin como extremamente conservadora em assuntos como aborto, mas também levantar questões sobre suas credenciais como parte de um esforço maior de questionar o julgamento de McCain ao tomar uma decisão tão crítica. Eles também irão argumentar que a decisão de McCain provará ser um erro no que diz respeito a apelar para o eleitorado feminino e que isso irá prejudicá-lo em importantes campos de batalha como os subúrbios de Filadélfia.

"Em termos dos subúrbios clássicos, é uma bomba", diz Marcel L. Groen, presidente do Partido Democrata de Montgomery County, na Filadélfia. "Então no que diz respeito às mulheres dos subúrbios, isso não ajudará McCain de nenhuma forma: elas são a favor da opção pelo aborto e contra as armas."

É um terreno complicado, conforme reconhecem tanto os assessores de Obama quanto os de McCain. Qualquer percepção nova de que Obama ou seus aliados estejam tentando atacar Palin poderá renovar a ira entre os que apoiavam Clinton.

"Não consigo imaginar a equipe de Obama gastando tempo com Palin; eles gastarão seu tempo com os comerciais negativos e atacando McCain e Bush", diz Mandy Grunwald, estrategista-chefe de publicidade de Clinton. "É preciso tomar cuidado para não levar as pessoas para o lado dela por atacá-la demais."

De fato, os assessores de Obama indicaram que permaneceriam focados principalmente na mensagem de sua convenção, de que McCain é "mais do mesmo". E disseram que a própria história de Palin será lançada no meio apenas para enfatizar esse tema ou levantar questões em relação ao julgamento de McCain.

Os republicanos disseram que Palin forneceria uma saída para as mulheres irritadas com o tratamento ruim que, segundo eles, Clinton recebeu da campanha de Obama, da liderança do Partido Democrata e da mídia. Nicolle Wallace, conselheira sênior de McCain, disse: "Acho que o público aceita o fato de que houve um jogo sujo e que o sexismo teve um papel importante na primária."

A campanha de Obama avançou para uma série de frentes na tentativa de aumentar seu apelo para as mulheres. Líderes femininas em Estados disputados estão sendo mobilizadas, e um número desproporcional de representantes mulheres estão sendo enviadas para argumentar a favor do candidato na televisão. Elas estão sendo instruídas para se concentrarem nos direito de aborto e de igualdade salarial, dizem os assessores, e para evitar criticar Palin por sua experiência limitada nas urnas e no governo.

Os assessores de Obama disseram que Clinton fará aparições regulares a seu favor para tentar coibir os esforços de McCain, pedindo a seus eleitores para continuarem a votar no Partido Democrata.

A campanha de Obama disse que agora há 18 estados em jogo, incluindo o Alaska. Nas entrevistas, oficiais da campanha disseram que irão competir lá, apesar do fato de o nome da popular governadora do Estado constar da cédula eleitoral.

Os conselheiros de McCain riram disso. "Estamos morrendo de medo de perder o Alaska", disse Black. Eloise De Vylder

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