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01/09/2008

Gandula? Triatleta? Portadora de deficiência? Todas as anteriores

The New York Times
Por Joshua Robinson
Depois de cada série de jogadas na Quadra 14, Kelly Bruno se abaixava para alcançar sua perna direita e mexia em algo. Era um gesto tão discreto e rápido, que parecia que ela estava espantando um inseto. Foi também a única coisa que ela fez que não fazia parte do protocolo de uma gandula do U.S. Open - em nenhum lugar está escrito para apertar a válvula de pressão da perna mecânica.

Bruno nasceu com vários defeitos em sua perna direita e foi amputada com seis meses de idade. Aos 18, ela havia se transformado em uma estrela das corridas entre os atletas deficientes, com seus próprios contratos de patrocínio. E como uma triatleta de classe internacional e competidora do Ironman, ela correu em algumas das competições mais difíceis do planeta.

Agora, com 24 anos, Bruno alterou seu programa de treinamento por três semanas para disparar de um lado para o outro das quadras do Centro Nacional de Tênis Billie Jean King recolhendo as bolas próximas à rede. Num trabalho que é feito corretamente apenas por aqueles que quase não são percebidos, Bruno se sobressaiu por se integrar.

"Com certeza é muito mais difícil do que eu esperava", diz ela, sorrindo fácil. "Para mim, correr não é tão cansativo, mas eu não imaginava que ficar em pé fosse tão exaustivo."

E isso vem de uma mulher que começou sua jornada para o U.S. Open depois de nadar brutais 1.500 metros em águas repletas de água-viva, andar 38 quilômetros de bicicleta e correr 9,5 quilômetros debaixo do sol escaldante do triatlo da cidade de Nova York em junho. John Korff, organizador do triatlo e membro da diretoria da Associação de Tênis dos EUA, sugeriu que ela tentasse se tornar gandula para dar maior exposição aos atletas deficientes.

Desde o início, ela não recebeu nenhum tratamento especial. Em junho, ela se apresentou para a primeira rodada de testes, junto com outra deficiente - que se tornou assistente de quadra - entre cerca de 400 outros pretendentes. Antes da segunda rodada, sua mentalidade de atleta despertou. Ela decidiu que faria o mesmo caminho que os jogadores do torneio: iria treinar. Em vez de treinar saques e voleios, ela iria dominar a pegada com as duas mãos e o lançamento em um pulo.

Bruno trabalhou diligentemente durante o segundo teste e as rodadas de qualificação para o torneio, e tornou-se uma das 75 pessoas convocadas para serem gandulas durante as principais partidas do US Open. Primeiro, ela teve de responder uma série de perguntas de seus colegas mais jovens, o que fez com seu bom humor costumeiro.

"A maioria deles nunca conheceu ninguém que tenha corrido um Ironman, muito menos que tenha perdido uma perna", disse.

Em 18 anos como diretora do programa de gandulas do US Open, Tina Taps disse que nunca viu nenhum amputado se candidatar para a tarefa. "Não posso dizer que ela não é diferente de ninguém", disse Taps. "Ela é provavelmente superior em termos de habilidade atlética."

Mas muito antes de a habilidade atlética de Bruno catapultá-la para a elite do esporte, ela praticou esportes como o futebol, basquete e beisebol para provar que podia estar entre a média.

"Principalmente durante os anos em que você tenta se adequar, você quer ser como todo mundo", disse ela. "Eu obviamente não era."

No colegial, ela se voltou para a corrida. Sustentou brevemente os recordes paraolímpicos em sua categoria nos 200 e 800 metros. Mas as lesões por conta do desgaste e da compensação por causa sua prótese Cheetah - o mesmo tipo usado pelo corredor sul-africano Oscar Pistorius - levaram-na a praticar o cross-training quando entrou na universidade Duke. Foi lá, passando tempo na piscina, na bicicleta ergométrica e treinando com a equipe de cross-country da Duke que ela começou a explorar os triatlos.

Em três anos, havia alcançado o Campeonato Mundial da União Internacional de Triatlo. Ela competiu lá desde sua graduação em 2006 e terminou em terceiro lugar entre as mulheres este ano em Vancouver, correndo entre as competidoras sem deficiência. É o único lugar, diz ela, em que seus resultados de fato importam.

"É um grupo muito pequeno, competir apenas nas categorias para deficientes físicos", diz. "Então para realmente melhorar o desempenho, você tem de escolher outro objetivo."

Bruno mora em Durham, Carolina do Norte, e está se candidatando à faculdade de medicina. Ela tem mais duas grandes corridas nessa temporada, e disse que seu treinamento foi severamente afetado pelo US Open. Todo o tempo livre que ela teve em Nova York, as horas preciosas não consumidas pelo tênis ou por seus estudos, foi gasto suando na academia do hotel e em corridas longas e solitárias.

É o mesmo tipo de comprometimento que ela vê todos os dias nos jogadores que lançam bolas nas redes que ela patrulha.

"O que eu mais gosto é de simplesmente estar na quadra com alguém que também é competitivo", diz. "Consigo apreciar sua motivação e seu vigor. Você quase que se sente parte daquilo." Eloise De Vylder

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