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02/09/2008

Revelações sobre Palin destacam processo seletivo de McCain

The New York Times
Elisabeth Bumiller
Em Saint Paul, Minnesota
Uma série de revelações sobre a governadora Sarah Palin, a escolha do senador John McCain como companheira de chapa, colocou em dúvida na segunda-feira quão cuidadosamente McCain examinou o retrospecto dela antes de colocá-la na chapa presidencial republicana.

 Jim Wilson/The New York Times 
A candidata a vice Sarah Palin aparece com sua família na Convenção Republicana

Na manhã de segunda-feira, Palin e seu marido, Todd, emitiram uma declaração dizendo que a filha solteira de 17 anos deles, Bristol, estava grávida de cinco meses e que pretendia se casar com o pai da criança.

Entre outras notícias menos chamativas do dia: foi descoberto que Palin atualmente possui um advogado particular em uma investigação de ética no Legislativo do Alasca, sobre se abusou de poder ao demitir o comissário de segurança pública do Estado; que foi membro por dois anos nos anos 90 do Partido pela Independência do Alasca, que às vezes buscou colocar em votação a secessão ou não do Estado; e que Todd Palin foi preso há 22 anos por dirigir embriagado.

Assessores de McCain disseram contar com uma equipe no Alasca analisando mais atentamente o retrospecto de Palin. Um republicano com laços com a campanha disse que a equipe designada para verificar Palin no Alasca só chegou lá na quinta-feira, um dia antes de McCain surpreender o mundo político com sua escolha para a vice-presidência.

Apesar da campanha de McCain ter dito que este sabia da gravidez de Bristol Palin antes dele convidar a mãe dela para se juntar a ele na chapa eleitoral, e que não considerava isso desqualificador, importantes assessores foram vagos na segunda-feira sobre como e quando ele soube da gravidez, e por meio de quem.

Apesar de não haver sinal de que a indicação formal dela nesta semana está ameaçada, as perguntas que giram em torno de Palin no primeiro dia da Convenção Nacional Republicana, já perturbada pelo furacão Gustav, provocaram ansiedade entre os republicanos, que temem que os democratas usem Palin para questionar o juízo de McCain e sua capacidade de tomar decisões cruciais.

No mínimo, republicanos próximos da campanha disseram estar cada vez mais aparente que Palin foi escolhida como vice de McCain com mais pressa do que os conselheiros do candidato descreveram inicialmente.

Até meados da semana passada, cerca de 48 a 72 horas antes de McCain apresentar Palin em um comício na sexta-feira, em Dayton, Ohio, McCain ainda mantinha a esperança de que indicaria como companheiro de chapa um bom amigo, o senador Joseph I. Lieberman, um independente de Connecticut, disse um republicano próximo da campanha. McCain também estava interessado em outro favorito, o ex-governador da Pensilvânia, Tom Ridge.

Mas ambos são favoráveis aos direitos de aborto, anátema para os cristãos conservadores que compõem uma base crucial do Partido Republicano. Assim que vazou a notícia de que McCain estava seriamente considerando um dos dois homens, a campanha foi bombardeada pelo ultraje de conservadores influentes, que previram uma briga explosiva na convenção e prometiam a rejeição de Ridge ou Lieberman pelos delegados.

Talvez mais importante, disseram vários republicanos, McCain estava sendo orientado a fazer algo para agitar a disputa, caso contrário sua campanha ficaria presa em uma trajetória potencialmente perdedora.

Com o tempo se esgotando - e com McCain descartando duas opções mais seguras, o governador de Minnesota, Tim Pawlenty, e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, como sendo previsíveis demais - ele se voltou para Palin. Ele realizou sua primeira entrevista face a face com ela na quinta-feira e lhe ofereceu a candidatura momentos depois.

"Eles não a consideravam seriamente até quatro ou cinco dias antes dela ser escolhida, talvez na quinta-feira ou sexta-feira anterior", disse um republicano próximo da campanha. "No final isso foi feito realmente às pressas, porque John não conseguiu o que queria. Ele queria Joe ou Ridge."

Os conselheiros de McCain disseram repetidas vezes na segunda-feira que Palin foi "verificada meticulosamente", um processo que incluía uma revisão de todos seus registros legais e financeiros, assim como seu retrospecto criminal. Um assessor de McCain disse que a campanha estava ciente da investigação de ética e que a analisou.

Pessoas familiarizadas com o processo disseram que Palin respondeu a um formulário padrão com mais de 70 perguntas.

"Era obviamente algo que qualquer um que buscasse Sarah Palin no Google sabia que estava no noticiário e houve uma verificação também a respeito da filha", disse o assessor.

Mark Salter, o conselheiro mais próximo de McCain, disse por um e-mail que Palin foi entrevistada por Arthur B. Culvahouse Jr., um advogado veterano de Washington encarregado do processo de verificação do vice-presidente para McCain, assim como por outros advogados que trabalhavam para Culvahouse. Salter não respondeu ao e-mail que perguntava se Palin disse a Culvahouse e seus advogados que sua filha estava grávida.

No Alasca, vários líderes estaduais e autoridades locais disseram desconhecer qualquer esforço por parte da campanha de McCain para obter mais informação sobre Palin antes do anúncio de sua seleção. Apesar das campanhas costumarem ser discretas quando investigam companheiros de chapa potenciais, as autoridades no Alasca disseram na segunda-feira que consideravam peculiar o fato de ninguém no Estado ter visto o menor indício de que Palin estava sendo considerada.

"Eles não falaram com ninguém no Legislativo, não falaram com ninguém da comunidade empresarial", disse Lyda Green, a presidente do Senado estadual, que vive em Wasilla, onde Palin serviu como prefeita.

A deputada Gail Phillips, uma republicana e ex-presidente da Câmara estadual, disse que a enorme surpresa no Alasca quando Palin foi convidada para a chapa a fez se perguntar quão intensamente a campanha de McCain a verificou.

"Eu comecei a dar telefonemas e perguntar, e não consegui encontrar ninguém que tivesse sido chamado", disse Phillips. "Eu telefonei para entre 30 e 40 pessoas, líderes políticos, líderes empresariais, líderes comunitários. Nenhum deles foi ouvido. O Alasca é uma comunidade muito pequena, nós conhecemos as pessoas, mas não encontrei ninguém que tivesse sido procurado."

A atual prefeita de Wasilla, Dianne M. Keller, disse que não soube de nenhum esforço para investigar o retrospecto de Palin. E Randy Ruedrich, o presidente do Partido Republicano do Estado, contou que ele também não sabia nada sobre a realização de alguma sondagem.

O senador estadual Hollis French, um democrata que está dirigindo a investigação de ética, disse que ninguém lhe perguntou sobre as alegações. "Não ouvi nenhuma palavra, não recebi nenhum contato", falou.

French, um ex-promotor, disse ter conhecimento das verificações sobre os antecedentes dos candidatos e ele, também, ficou surpreso com o fato da campanha não ter procurado os líderes do Legislativo estadual.

Vários republicanos disseram que a campanha de McCain ficou em parte com suas mãos atadas em seus esforços para manter o processo seletivo tão sigiloso.

"Se você realmente deseja que seja uma surpresa, o círculo de pessoas com conhecimento terá que ser pequeno, e esta é a natureza disso", contou Dan Bartlett, um ex-advogado do presidente Bush e um conselheiro em ambas as suas campanhas presidenciais.

Ex-estrategistas de McCain discordam se teria sido útil o nome de Palin tivesse sido mencionado publicamente antes de sua escolha, para que questões como a investigação de ética e a gravidez de sua filha já tivessem sido divulgadas e não parecessem tão novas no momento de seu anúncio.

"Se a história tivesse sido escrita há três meses, ninguém mais se preocuparia com ela", disse Dan Schnur, um ex-assessor de McCain que agora dirige o Instituto Jesse M. Unruh de Política da Universidade do Sul da Califórnia. "É um risco. Independentemente de quão grande seja o candidato, é um risco significativo colocar alguém na chapa" que não tenha passado por um escrutínio público.

"Eles obviamente sentiram que valia a penas correr o risco de agitar a base e potencialmente atrair os eleitores de Clinton", disse Schnur.

Mas Howard Opinsky, outro veterano de McCain, disse que chamar a atenção para uma possível candidatura de Palin durante o processo de busca teria minado o impacto de sua escolha.

"Se o nome dela tivesse corrido pela imprensa por meses e meses, não pareceria algo tão ousado", disse Opinsky. "Ou você tem frescor e é obrigado a conviver com o que obtém na sua verificação, ou você perde o frescor." George El Khouri Andolfato

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