UOL Notícias Internacional
 

03/09/2008

Bush diz que McCain é a opção para liderar em momento de perigo

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg
Em Saint Paul, Minnesota
O presidente Bush proclamou o senador John McCain "pronto para liderar este país" em um discurso de despedida para a convenção republicana, aqui na noite de terça-feira. Mas longe de ser o tipo de despedida unificadora e a passagem de bastão elaborada por Ronald Reagan e Bill Clinton, a noite apenas acentuou a vontade de McCain de retirar o presidente de cena.

"John é um homem independente que pensa por conta própria", Bush disse via satélite da Casa Branca, um dia após o furacão Gustav tê-lo forçado a cancelar seus planos de aparecer aqui pessoalmente na noite de segunda-feira. "Ele não tem medo de dizer a você quando discorda."

A breve aparição tornou Bush o primeiro presidente em exercício a não participar da convenção nacional de seu próprio partido desde que Lyndon B. Johnson não compareceu ao encontro democrata em 1968. Com a maioria dos delegados aqui devotados ao presidente até o fim, ela ofereceu a Bush, o presidente mais impopular na história recente, uma chance de desfrutar, mesmo que à distância, de um tipo de afeição que raramente recebe atualmente.

Lembrando os temas que tratou por toda sua presidência, Bush usou o discurso para argumentar que McCain é o homem com a experiência e a determinação necessária para conduzir os Estados Unidos durante tempos perigosos - uma abordagem que oferecia elogio implícito às próprias decisões de Bush, e uma crítica implícita ao candidato democrata, o senador Barack Obama.

"Nós vivemos em um mundo perigoso", disse Bush, "e precisamos de um presidente que entenda as lições do 11 de Setembro de 2001: que para proteger a América, nós devemos permanecer na ofensiva, impedir os ataques antes que aconteçam e não esperarmos ser atingidos de novo. O homem que precisamos é John McCain".

Mas a distância física do presidente da convenção em Saint Paul também realçou o abismo entre os campos de Bush e McCain.

Se a trama secundária da convenção democrata em Denver foi o ressentimento persistente entre Obama e a senadora Hillary Rodham Clinton, aqui é a antiga tensão entre Bush e McCain, e os esforços de McCain para se distanciar politicamente do homem que espera suceder. Apesar de McCain ter feito campanha diligentemente por Bush em 2004, o senador saiu arranhado da disputa entre eles nas primárias presidenciais de 2000, e a noite de terça-feira fez com que o relacionamento complexo deles fechasse o círculo, com Bush simbolicamente entregando o partido para McCain.

Bush não comandou a hora que foi transmitida em rede nacional de televisão; esta honra foi dada pela campanha de McCain ao senador Joseph I. Lieberman, de Connecticut, um democrata que virou independente e que quase foi o companheiro de chapa de McCain.

"O que, afinal, está fazendo um democrata como eu em uma convenção republicana como esta?" Perguntou Lieberman, segundo trechos do discurso que foram divulgados por representantes do Partido Republicano. "A resposta é simples. Eu estou aqui para apoiar John McCain, porque o país é mais importante do que o partido."

Apesar de Bush não ter criticado explicitamente Obama, Lieberman o fez, tratando da guerra no Iraque - a questão que o une a McCain e Bush.

"Quando outros queriam se retirar em derrota do campo de batalha, quando Barack Obama votava para cortar a verba de nossas tropas em solo, John McCain teve a coragem de se erguer contra a opinião pública e apoiar o aumento de tropas", disse Lieberman, "e por causa disso, hoje nossas tropas estão começando a voltar para casa, não em fracasso, mas com honra".

Os aliados de McCain disseram que esperavam que a jornada de Lieberman de candidato democrata a vice-presidência em 2000 a ferrenho defensor de McCain - com sua mensagem de transcendência do partidarismo- seria a história da noite, um momento ainda mais poderoso do que a aparição na convenção republicana de 2004 do senador Zell Miller, um democrata da Geórgia que se voltou contra seu próprio partido.

"Eu não acho que estaremos falando sobre o discurso do presidente Bush no domingo", disse o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, um dos principais conselheiros de McCain, prevendo que a conversa seria ofuscada por outras notícias. "A grande história política não é o que o presidente Bush diz sobre si mesmo, mas sim como Joe Lieberman se explica."

Tanto a Casa Branca quanto representantes do Partido Republicano disseram que a opção de não participar pessoalmente da convenção foi de Bush. Com as lembranças do furacão Katrina - um evento que muitos republicanos acreditam que prejudicou o partido - ainda frescas, o presidente viajará para a Louisiana na quarta-feira para inspecionar os danos causados pela tempestade, e não estava inclinado a deixar Washington antes do resultado completo da tempestade ser conhecido, disseram assessores.

"Havia uma posição de proceder com cautela", disse Kevin Sullivan, o diretor de comunicação de Bush, "de que apesar das coisas aparentemente terem transcorrido bem, não devemos tirar nossos olhos da bola".

Mas a equipe de McCain estava claramente mais interessada em usar a convenção para promover suas metas - tentar definir Obama em termos negativos e construir uma narrativa positiva para McCain e sua nova companheira de chapa, a governadora Sarah Palin do Alasca- do que olhar para trás para a presidência de Bush ou permitir que McCain seja associado mais estreitamente com o presidente.

Representantes do Partido Republicano disseram que pretendiam usar a noite de terça-feira para retomar a mensagem e se recuperar do caos da segunda-feira, quando as atividades foram interrompidas por causa da tempestade e a cobertura da imprensa foi dominada pela notícia da gravidez da filha de 17 anos de Palin. Os membros do partido também tentavam, até aqui sem sucesso, recuperar tempo de televisão perdido, persuadindo as emissoras a ampliarem a cobertura noturna, que registraria o discurso de Bush.

A meta específica da noite era reapresentar McCain para o público, por meio de depoimentos de pessoas que o conhecem bem, incluindo companheiros de cela de seus dias como prisioneiro de guerra no Vietnã, e Lieberman, que viajou muito com McCain e, como ele, foi um forte defensor do envio por Bush de mais soldados ao Iraque.

"Vocês verão a pessoa de John McCain ser desenvolvida nesta noite por pessoas que o conhecem intimamente", disse o presidente do partido, Mike Duncan, em uma entrevista. O trabalho de Lieberman, ele disse, era apresentar o candidato como "John McCain, o independente, aquele que faz com que as coisas sejam feitas em Washington".

Enquanto os republicanos tentam deixar a presidência de Bush para trás, muitos se sentem profundamente ambivalentes a respeito do homem que ocupou o Escritório Oval nos últimos oito anos, e o sentimento ficou evidente na platéia da convenção na noite de terça-feira. Os presentes aqui representam o núcleo fiel do partido e cerca de 30% dos americanos que as pesquisas sugerem que acreditam que Bush está fazendo um bom trabalho.

São pessoas como Pat Fink, uma delegada do Alasca que disse que Bush tem "grandes convicções", e Patt Parker, uma delegada de Maryland que disse lamentar que o presidente não pôde estar aqui pessoalmente.

"Eu não tenho como explicar quão entusiasticamente eu o apóio", disse Parker. "Eu posso não concordar com todas as suas decisões, mas ele se mantém firme nelas, e é uma das coisas que admiro nele."

Mas também havia uma sensação na platéia da convenção de que os republicanos estavam prontos para seguir em frente.

"Ele é nosso presidente e nós respeitamos nosso presidente", disse Lynne Cottrell, uma delegada do Colorado. "Mas estamos seguindo em frente."

Para Bush, e para a família Bush estendida, o discurso representa a passagem da tocha. Os pais do presidente, o ex-presidente George Bush e Barbara Bush, estavam no Xcel Energy Center aqui na noite de terça-feira; sua esposa, Laura, falou na convenção, e a Casa Branca disse que sua irmã, Doro, estaria presente. Os Estados Unidos tiveram um Bush na Casa Branca como presidente ou vice-presidente em 20 dos últimos 28 anos; logo, o clã Bush incluirá dois ex-presidentes.

Em alguns aspectos, a presença reduzida de Bush ofereceu um tipo de final para a convenção republicana de 2000 na Filadélfia, quando Bush aceitou a indicação após uma disputa amarga nas primárias com McCain. McCain falou na Filadélfia, mas apenas após o campo de Bush ter insistido em aprovar seu discurso.

Os republicanos disseram que o campo de McCain não editou ou aprovou o discurso do presidente na noite de terça-feira. Mas ocorreu uma coordenação estreita entre a campanha e a Casa Branca sobre os temas que Bush deveria abordar.

Os republicanos próximos do presidente disseram que Bush confia no tratamento que tem recebido do campo de McCain, em parte porque está ciente de que uma vitória de McCain reforçaria seu próprio legado. O próprio Bush vem dizendo que fará tudo o que McCain quiser - mesmo que signifique se manter discreto ou fora do caminho do senador. Dan Bartlett, o ex-conselheiro de Bush, disse que o presidente "deu ordens aos seus funcionários para que haja o máximo de deferência" à campanha de McCain.

"Ele é um político esperto", disse Bartlett. "Ele entende qual é o objetivo aqui." George El Khouri Andolfato

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