UOL Notícias Internacional
 

05/09/2008

Para um grande doador, uma grande experiência na convenção republicana

The New York Times
Michael Luo
Em Saint Paul, Minnesota
Dentre todos os grandes doadores na Convenção Nacional Republicana nesta semana, Robert Wood Johnson 4º, o herdeiro bilionário da fortuna da Johnson & Johnson e dono do New York Jets, pode ser o maior.

Ele carregava um grande número de credenciais em volta de seu pescoço a semana toda, tendo acesso a muitos dos recônditos mais exclusivos da convenção. Ele dividiu um camarote no Xcel Energy Center com Rick Davis, o diretor da campanha presidencial do senador John McCain. De forma mais significativa, ele era o único grande arrecadador de fundos com seu nome gravado em sua própria suíte, o "Lounge Privado Woody Johnson do Comitê Organizador de Minneapolis-Saint Paul 2008".

O status elevado de Johnson aqui mostra que apesar de todos os esforços de McCain para purgar a influência do dinheiro na política, os grandes doadores ainda possuem influência considerável nesta convenção, tendo acesso singular à campanha e moldando a rede infinita de festas e eventos fora do salão da convenção.

Os articuladores da campanha de McCain dedicaram grande atenção a Johnson e outros como ele - seu itinerário era um desfile de recepções exclusivas para doadores VIP.

Antes de a convenção esquentar na noite de terça-feira, Johnson, 61 anos, estava entre um grupo de membros da campanha de McCain e simpatizantes que estava do lado de fora de uma suíte guardada por um assessor. Enquanto Carly Fiorina, a ex-presidente-executiva da Hewlett-Packard e importante conselheira de McCain, conversava em um pequeno círculo, Johnson estava no centro de outro ao lado do dela, antes de desaparecer dentro da suíte acompanhado de Davis.

Johnson participa da política republicana há muito tempo - ele foi um Bush Ranger em 2000 e 2004, arrecadando mais de US$ 200 mil em cada eleição. Ele já doou pessoalmente mais de US$ 1 milhão para os candidatos e comitês republicanos ao longo dos anos.

Mas neste ano, ele despontou como o doador mais cobiçado do partido. Em maio, após transformar seu escritório em uma sala de guerra por mais de um mês e às vezes dar mais de 50 telefonemas por dia, ele orquestrou um evento para arrecadação de fundos em Nova York e arrecadou US$ 7 milhões em uma única noite para McCain, a maior quantia arrecadada até aquela altura por uma campanha que estava tendo dificuldade para levantar dinheiro.

Mais recentemente, Johnson saiu em socorro do comitê organizador da convenção de Minneapolis-Saint Paul, a ajudando a tapar um buraco de mais de US$ 10 milhões na sua verba em questão de semanas, preenchendo ele mesmo um cheque considerável, fazendo com que sua mãe, que é de Minneapolis, fizesse o mesmo, mas também solicitando várias grandes contribuições de seu círculo de amigos ricos.

"O que precisávamos era de alguém de fora que, por meio da infra-estrutura republicana, tivesse os contatos que não necessariamente tínhamos aqui em Minnesota", disse Jeff Larson, presidente-executivo do comitê organizador da convenção.

Os monitores do financiamento de campanha há muito criticam a forma como indivíduos e corporações, muitos com interesses em Washington, podem fazer doações ilimitadas para convenções políticas, diferentemente dos tetos impostos às contribuições para as campanhas e partidos, como uma forma indireta de obter favores os partidos e seus candidatos. Mas Johnson disse acreditar que as convenções são importantes e não vê motivo para conter o ingresso de dinheiro privado nelas.

"Eu realmente não acredito em limites", disse Johnson.

Johnson raramente fala longamente com os repórteres. Mas em uma série de conversas, ele disse estar motivado pela crença em McCain e no processo democrático.

"Eu me envolvo apenas nas coisas em que realmente acredito", ele contou.

Mas Johnson claramente tem sua própria agenda. Funcionários do Capitólio creditam a ele um papel chave em 2002, na pressão para que os membros do Congresso, incluindo o presidente J. Dennis Hastert, destinassem US$ 750 milhões ao longo de cinco anos para a pesquisa da diabete juvenil. A filha mais velha de Johnson, Casey, tem diabete do Tipo 1, e ele já destinou milhões na busca por uma cura.

"Nós nos sentamos e conversamos umas duas vezes", disse Hastert, que acrescentou que ele e Johnson também criaram um laço estreito devido ao futebol. "Ele apresentou um bom argumento de que ao investirmos dólares, nós na verdade economizaríamos dinheiro."

Johnson, que tem outra filha com lupo auto-imune e arrecadou milhões para esta causa, também se reuniu com o presidente Bush na Casa Branca para pressionar por pesquisa de células-tronco embrionárias, um encontro que Johnson acredita que pode ter ajudado Bush a ceder em sua política e permitir o financiamento federal para pesquisa das linhas de células-tronco já existentes.

A força política de Johnson certamente não o prejudica como proprietário dos Jets e na busca por um novo estádio para a equipe, mesmo que sua tentativa de construir um em Manhattan tenha fracassado. Ele é franco a respeito da necessidade de também fazer contribuições para os democratas de Nova York e Nova Jersey, dados seus interesses na região.

Os Jets e os Giants estão construindo juntos um estádio de US$ 800 milhões em Nova Jersey, mas alguns críticos questionaram a validade do Estado assumir mais de US$ 100 milhões em dívidas como parte do acordo.

Como outros grandes doadores, Johnson viajou com McCain em várias paradas de campanha. McCain também costuma telefonar para ele para agradecer. Mas Johnson minimiza o acesso que desfruta, dizendo não ser diferente de qualquer outro. "Você também pode telefonar para o senador", disse Johnson.

Em uma recepção dada na terça-feira pelos Minnesota Vikings, Johnson exibiu relações amigáveis com Hastert, que agora trabalha para uma firma de lobby, e com o senador Orrin G. Hatch, republicano de Utah.

Na noite de quarta-feira, dentro do salão da convenção, a suíte de Johnson atraiu republicanos importantes, como o ex-senador Fred Thompson, do Tennessee; Charlie Black, um importante conselheiro de McCain; e o ex-senador Alfonse M. D'Amato, de Nova York.

O jeito descontraído de Johnson o torna popular entre outros arrecadadores. Em uma viagem de caça no Texas pelos Bush Rangers, ele certa vez levou uma arma para elefante que usou em uma caçada na África, desafiando os outros para ver se conseguiriam lidar com seu coice poderoso. Atualmente, muitos perguntam a ele sobre o novo quarterback dos Jets, Brett Favre.

O que torna Johnson tão eficaz como arrecadador de fundos, segundo aqueles que o cercam, é sua disposição de dar centenas de telefonemas.

"Para arrecadar sete dígitos como Woody consegue para um evento e fazer com que outros também o façam, é preciso conversar bastante", disse Larry Bathgate, um importante arrecadador para McCain e que conhece Johnson há duas décadas.

Quando Johnson estava organizando seu evento em Nova York no primeiro semestre, ele removeu as pinturas da parede de seu escritório e colou mais de uma centena de pedaços de papel com os nomes das pessoas que esperava persuadir que doassem US$ 100 mil cada, ou pelo menos US$ 25 mil, marcando seu progresso após cada chamada.

A lista incluia um quem é quem entre os ricos e poderosos em Nova York, de Donald Trump, um amigo próximo, a David H. Koch, o bilionário co-proprietário da Koch Industries, o conglomerado de petróleo e gás.

Quando a equipe de Johnson estava considerando para quem telefonar, alguém sugeriu Charles F. Dolan, o presidente da Cablevision e um amargo adversário de Johnson na sua luta pelo estádio em Manhattan. Johnson rapidamente concordou e no final obteve o que descreveu como uma doação generosa.

"Qualquer coisa por John McCain", disse Johnson. George El Khouri Andolfato

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