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08/09/2008

Estar entre os mais simpáticos do colégio não é o mesmo que ser popular

The New York Times
Benedict Carey
O culto à popularidade que predomina no ensino médio pode parecer curioso, quando visto a partir de uma distância segura, como a sua reunião de 20 anos após a formatura. Até então, a ordem social pode ter dado uma reviravolta como a de uma ampulheta: os adolescentes que eram socialmente invisíveis acabaram se mostrando personagens animados, confiantes, transformados. Outros parecem preservados no tempo, os mesmos de sempre, enquanto alguns antigos príncipes e "rainhas" minguaram ou são simplesmente ausentes, agora invisíveis.

Durante anos os pesquisadores concentraram muita atenção nos adolescentes que se destacavam mais, acompanhando suas peculiaridades e comportamentos. Os estudos revelaram, para surpresa de ninguém, que a proeminência na adolescência em geral envolve um período agressivo, egoísta, que pode não funcionar bem fora dos corredores escolares.

O culto se dispersa e as normas mudam.

Mas os estudantes do ensino médio sabem quase por instinto que a popularidade é bem mais que uma competição superficial e temporária, e nos últimos anos psicólogos confirmaram essa intuição. As novas descobertas sugerem que o nicho dos adolescentes na escola - sua popularidade e como eles a compreendem e exploram - oferece importantes pistas sobre seu bem-estar psicológico mais tarde.

"Quando você se torna um adolescente, seu mundo social se amplia", disse Kathleen Boykin McElhaney, psicóloga na Universidade de Massachusetts. "Eles podem ter um emprego de meio período, estar envolvidos com um grupo na igreja, uma panelinha na escola, todos eles podendo ampliar a percepção do que é a popularidade e o que isso representa."

Cientistas sociais mapeiam a topologia social de uma escola fazendo os estudantes classificar seus colegas a partir de várias medidas, incluindo a capacidade de atrair simpatia. Por exemplo, a pergunta "com quem você gostaria mais de sair num sábado?" rapidamente revela uma lista daqueles que são considerados a melhor companhia (excluindo-se as prováveis paqueras). Essa é uma medida que diferencia popularidade de proeminência - o zagueiro e a líder de torcida mais bonita podem ou não ser mencionados - e identifica uma classe talentosa de um tipo diferente.

Em torno de 15% a 20% dos estudantes do ensino médio entram nessa categoria, segundo Mitchell Prinstein, professor de psicologia na Universidade da Carolina do Norte, e não é difícil encontrá-los. "Eles tendem a ter amizades mais íntimas, sobressair-se academicamente e se dar bem com a maioria das pessoas, incluindo os pais - os seus próprios e os dos amigos."

Em um estudo continuado com 185 estudantes em uma escola em Charlottesville, Virgínia, os pesquisadores liderados por Joseph P. Allen, da Universidade da Virgínia concluíram que esse grupo é "caracterizado por ter um grau de abertura para fortes experiências emocionais" e otimismo a respeito de seus relacionamentos, passados e futuros. "Eles são jovens com grande aptidão social, realmente capacitados a dominar as complexidades de diversas situações sociais," disse Allen em uma entrevista por telefone.

As pesquisas sugerem que cerca de 50% dos estudantes estão na média - ou seja, têm bons amigos, mas nenhum deles é particularmente querido ou desprezado por companheiros de classe. Outros 30% a 35% estão divididos entre os estudantes de baixo status ou "rejeitados", que estão no fundo da pilha, e os desprezados, que nem aparecem no radar.

Mas a maior parte dos jovens em qualquer escola sabe quais são os seus colegas populares e simpáticos e sabem disso ao observar uma situação social dinâmica, que, afinal de contas, dura vários anos. "Temos evidências de que os jovens desprezados são aqueles com maior probabilidade de ascender ou de mover-se entre grupos," observa Prinstein. "São estes sem uma reputação estabelecida - que de certa forma não chegam a se destacar - e isso dá a eles um tipo de liberdade".

Não se pode dizer o mesmo do grupo rejeitado, no degrau mais baixo da escada. Em vários estudos importantes, os pesquisadores reuniram estudantes de diferentes escolas, representando diferentes níveis da hierarquia social. Em poucas horas, às vezes menos, os jovens assumem seus lugares de costume - os populares no topo, os socialmente esquisitos embaixo. Sair do gueto dos "geeks" é difícil, mesmo que uma criança saiba o que é ser simpática.

Crianças fora do clube popular às vezes compensam isso ao se iludir efetivamente. Um estudo de um ano sobre 164 estudantes com idades entre13 e 14 anos, publicado em maio, mostra que ao pedir a eles mesmos que dessem uma classificação à sua popularidade - independentemente da classificação dos colegas - mostrou ser um forte fator de previsão sobre seu ajustamento psicológico e acadêmico.

Um grupo de desajustados, sem qualquer tipo de encontros românticos entre eles pode criar sua própria definição interna de aceitação. "O que isso me diz é que nós deveríamos estar perguntando aos próprios jovens qual a opinião deles", disse McElhaney, a principal autora do estudo. "Se você acha que se encaixa, onde quer que seja, então você se saiu bem." Se não, o caminho é muito mais difícil, ela afirma.

Popularidade, mesmo do tipo agradável, pode ter seus custos. Em seu prolongado estudo, Allen notou que os estudantes mais socialmente preparados têm uma probabilidade três vezes maior de beber aos 14 que aqueles de fora do grupo. Depois, até os 18, têm também maior probabilidade de cometer atos de vandalismo, fumar maconha e cometer furtos em lojas. Eles são, em resumo, aparentemente mais vulneráveis às pressões e expectativas dos colegas .

Alguns desses comportamentos podem apenar ser atribuídos ao aumento de oportunidades e acesso: uma pessoa não pode se servir do bufê se não for convidada para a festa.

Mas, afinal de contas cabe aos adolescentes que vêem esses acontecimentos diariamente fazer uma avaliação. Se o ensino médio é a primeira vez em que os jovens assumem uma identidade pública, é também o melhor ponto para observar as vantagens e riscos do charme social.

Talvez essa seja a razão pela qual alguns adolescentes podem parecer ao mesmo tempo tão auto-iludidos a respeito de seu próprio prestígio e fascinados pelos feitos do grupo do qual fazem parte. Eles sabem intuitivamente que uma parte crucial de uma educação secundária acontece fora da sala de aula, segundo "Estudos de Popularidade 101".

Pergunte a alguns deles na próxima reunião. A seita se dispersou, a festa está aberta a todos e eles terão algumas histórias para contar. Claudia Dall'Antonia

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