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09/09/2008

Assistindo 'Friends' em Gaza: cultura como uma força moderadora

The New York Times
Michael Kimmelman
Na Cidade de Gaza, Faixa de Gaza
Em uma encardida fachada de loja em um quarteirão barulhento, no meio da Cidade de Gaza, prateleiras de metal entortavam com fitas cassete exaltando o Hamas, o Fatah e a Jihad Islâmica. Ao lado delas, uma brava Jennifer Lopez acenava da capa de um CD.

Ali Ali/The New York Times 
Loja de discos vende CDs de música pop e de canções árabes na Faixa de Gaza

DVDs também são oferecidos, de filmes "ainda não oficialmente lançados" como "O Procurado", "Hancock" e "Zohan - O Agente Bom de Corte", a comédia de Adam Sandler sobre um agente do Mossad que vira cabeleireiro em um salão de Nova York dirigido por uma mulher palestina.

Amer Kihail, um homem esguio de 32 anos com um rosto elástico, servil, dirige a loja, chamada Novo Som. Os moradores de Gaza que vivem sob o Hamas compram muita música ocidental ou muitos filmes ocidentais? Kihail parecia um pouco desconcertado, talvez até um pouco irritado, com a pergunta.

"É claro", ele disse.

Governados pelo Hamas, encurralados por Israel, enfrentando escassez diária de alimentos e suprimentos, os moradores de Gaza precisam de uma fuga. A cultura se revela não apenas uma reflexão tardia mas, muitos dizem, algo essencial para sobreviver aqui. Especialmente para os jovens, o que está na televisão por satélite e na Internet, em fitas cassete e em CDs, é uma janela para o mundo além dos postos de controle blindados, e um elo com a sociedade árabe de outros lugares e, crucialmente, com o Ocidente.

E naquela que é claramente uma luta emergente dentro do Hamas, entre o pragmáticos políticos, que querem consolidar sua nova autoridade, e os extremistas, que começaram a pressionar por uma agenda fundamentalista, a cultura é um campo de batalha central para o controle de Gaza. Em uma fuga do confinamento e das dificuldades, até mesmo a televisão mundana tem peso neste contexto.

Assim como na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, esta é uma linha de frente na chamada guerra global contra o terror, na qual os ramos anti-Ocidente do Islã entram em atrito com as inclinações sociais e culturais de muitos muçulmanos, talvez a maioria. Como o Ocidente se sairá, por mais improvável que possa parecer, poderá depender das pessoas neste território abandonado e em outras partes do mundo estarem assistindo "Zohan" e Dr. Phil, tanto quanto dos confrontos nas montanhas ao sul de Cabul. O que está acontecendo em uma humilde loja de música em Gaza, na prática, tem repercussões por toda a região e além.

Gaza não é o que uma pessoa poderia imaginar, culturalmente falando. Como a Cisjordânia, ela ocupa um lugar especial no Oriente Médio: os moradores de Gaza podem odiar Israel, mas trabalharam lá ou passaram anos em prisões israelenses, e apesar de não terem adotado a cultura judaica, eles provaram a vida ocidental como muitos outros árabes nunca o fizeram. Isso encoraja uma sensibilidade que, até recentemente, tinha um efeito moderador tanto na religião quanto na sociedade.

Não distante da Novo Som, vendedores de livros no antigo mercado desta cidade mascateiam manuais de educação sexual juntamente com livros amarelados do Egito interpretando o Alcorão. As traduções árabes de velhos romances da editora Harlequin estão expostas em mesas dobráveis ao lado de livros de piadas, nos quais personagens muçulmanos fazem humor semelhante ao humor judeu americano. (Esposa no consultório do psiquiatra: "Meu marido fala quando está dormindo. O que devo fazer?" Psiquiatra: "Você pode dar uma chance para ele falar quando estiver acordado?")

Um garoto magro com dentes ruins, cuidando das mesas de livros certa manhã, deu risada quando uma mulher veio e folheou "O que Fazer se Você tem Problemas no Sexo?"

Apontando para os livros religiosos, ela perguntou: "Muita gente compra destes?"

"Claro", disse o menino.

"Estes também?" ela perguntou, apontando para uma pilha de romances baratos com uma foto da jovem Cheryl Tiegs na capa.

"Sim!" ele disse.

Naquela noite, no jardim de um restaurante de família chamado Raízes ("Sem Armas, Por Favor", dizia um aviso na porta da frente), os clientes comiam saladas e assistiam a "Friends" em um telão. Todos estavam esperando por "Noor".

Como ocorre em grande parte do mundo árabe atualmente, as ruas ficam vazias à noite, quando "Noor" é exibida. Uma novela turca, centrada na personagem título e sua família muçulmana rica que passa por todos os apuros habituais das novelas, a série se tornou tão popular que os imãs na Arábia Saudita e em Gaza recentemente emitiram fatwas contra qualquer um que a assistir. Naturalmente, ninguém dá atenção.

Até mesmo o Hamas assiste. Imad Alifranji está ajudando a montar a "Alquds", uma nova emissora de televisão islâmica, a segunda de Gaza depois da "Al-Aqsa", a emissora do Hamas, que recentemente dedicou três dias inteiros de programação a histórias de estudantes colegiais promissores de Gaza. Alifranji está pensando no que poderia atrair mais espectadores.

"Há tanta pressão aqui para encontrar empregos, por causa do cerco israelense, por causa dos combates internos, pela falta de lugares onde os jovens possam ir, que os moradores de Gaza se consolam em uma novela turca", disse Alifranji dando de ombros. "É verdade, o Hamas está incomodado com algumas cenas em 'Noor', que ele teme que sirvam de mau exemplo para as famílias palestinas, cenas de sexo antes do casamento. Minha filha de 15 anos é obcecada por 'Noor'. Meu filho, Mosab, que tem 18 anos, tenta impedi-la de assistir. Ele desaprova."

Como se aguardasse pela deixa, Mosab, que parecia ter 12 anos, entrou no escritório de Alifranji. Na única vez que visitou um café em Gaza, disse Mosab, ele foi embora porque estava passando "Noor" na televisão. Ele costumava ouvir astros pop árabes como Elissa e Tamer Hosni, mas agora acha que "eles não têm respeito pela religião". Ele prefere os filmes de Jackie Chan e rap. Segundo ele, "'Noor' não sabe a diferença entre o que deve ser tabu e o que é aceitável".

De repente, o celular de Mosab toca. Ele ficou corado.

O toque era o tema de "Noor".

Hip-hop e novelas

Gaza não tem sala de cinema desde que a última pegou fogo há duas décadas, durante a primeira intifada. Os territórios palestinos são divididos de forma amarga, com o mais moderado Fatah governando a Cisjordânia, e Gaza sob o controle do Hamas, que venceu a eleição popular palestina há dois anos e rechaçou uma tentativa de golpe do Fatah no ano passado. Agora Gaza está isolada. O Centro Cultural Francês é virtualmente a única instituição que organiza uma modesta exposição de arte ou um recital musical de vez em quando.

Mas isso não significa que os moradores de Gaza não consumam ou produzam cultura.

Certa tarde quente, uma dúzia de jovens amigos casados se sentavam em volta de uma mesa de piquenique em um clube de natação, perto da praia na Cidade de Gaza, conversando sobre "Oprah", "24 Horas" e "Prison Break". O clube, um retiro privado em meio ao lixo e ruínas, era um oásis pintado de branco de buganvílias e toldos de lona esfarrapados em postes azuis enferrujados, uma espécie de foto Polaroid desbotada de Coney Island por volta de 1965, com nadadoras vestindo calças e camisetas encharcadas, não biquínis, e meninos adolescentes sem camisa jogando futebol.

"Nós fazemos o que queremos privativamente", explicou Rajah Abujasser, 20 anos, vestindo um lenço de cabeça verde e mangas longas apesar do calor.

Do outro lado da cidade, Mothafar Alassar, estava gravando uma nova faixa no Mashareq, um estúdio de gravação. Ele é um rapper de 20 anos e rosto de bebê, com a cabeça raspada. Há poucos anos ele formou a banda S.B.R. com um amigo. "Por meio da TV e da Internet eu me apaixonei pelo rap, com Tupac e 50 Cent, Keny Arkana de Marselha", ele disse. "No início as pessoas riam. O rap era novidade em Gaza. O Centro Cultural Francês me deu dinheiro para gravar um álbum. Agora, quando nos apresentamos recentemente, vieram 700 pessoas."

O Hamas então prendeu Alassar, dizendo que ele não tinha licença para se apresentar, mas o soltou após ele ter dado uma amostra ao vivo de seu hip-hop para uma autoridade barbada, perplexa. "O Hamas não é contra a arte", disse Alassar. "Eles apenas não a entendem."

Rima Morgan, uma estudante de administração de 28 anos que virou cantora, usando um lenço de cabeça branco e uma roupa de malha preta, também estava no Mashareq, gravando um jingle para uma emissora de rádio da Cisjordânia. "Minha família, que é tradicional, não queria que eu cantasse, porque significava viver na noite, em festas, com homens e mulheres juntos", ela disse. "Mas para mim, cantar é a única forma de continuar." Ela disse que escuta música indiana, Celine Dion e Julio Iglesias. e astros pop árabes como Elissa. Na televisão, ela assiste "Friends".

E "Noor", é claro.

"Nós não podemos viajar, de forma que é nossa exposição a outra sociedade islâmica", ela disse.

Ramy Okasha, um cantor que também estava lá, balançou sua cabeça. "O homem não é homem", ele se queixou sobre o marido de Noor, Mohannad, o galã de olhos azuis da novela; seu rosto, como o de Noor, está pendurado nas paredes de quartos de inúmeras adolescentes de Gaza. "Ela é teimosa demais", reclamou Okasha.

E o que ele prefere assistir?

A novela americana "The Bold and the Beautiful", ele respondeu.

Cartuns ousados

O Hamas produz sua própria versão de cultura.

As charges da cartunista Omayya Joha aparecem em muitos jornais e revistas árabes. Ela é viúva de um combatente do Hamas morto pelos israelenses. Ela se casou com outro combatente após a morte dele. "Eu tenho uma pena em uma mão e uma arma na outra", ela gosta de dizer.

Em um escritório do Hamas há não muito tempo, sentada de forma reservada trajando o hijab (véu) e luvas pretas diante de uma mesa de conferência e uma bandeja com doces e suco de fruta, ela disse friamente: "Israel me considera uma anti-semita radical, mas não sou. Eu apenas não acho que algum dia teremos paz. De jeito nenhum. Nunca".

Ela estuda os cartuns e charges ocidentais. "A exposição é muito importante", ela explicou, se animando diante da perspectiva de conversar sobre seu ofício, não sobre política. Ultimamente, o jornal ligado ao Fatah na Cisjordânia tem rejeitado alguns de seus trabalhos, o que a entristece. "Você começa a se autocensurar", ela se queixou, "tentando prever o que o Fatah não gostará".

Isso é exatamente o que muitos moradores de Gaza dizem que o Hamas recentemente os têm feito fazer.

Ela endureceu diante do comentário. "Há um preço a pagar por suas afiliações", ela disse.

Eyad Sarraj balançou sua cabeça quando isso foi repetido para ele.

"O Hamas ainda não impôs oficialmente seu programa cultural, mas ele está em vigor", ele disse. Ele é um psiquiatra de Gaza. "Após a eleição do ano passado, nos foi assegurado que o Hamas não violaria nossa liberdade pessoal, mas agora eles estão se esforçando para provar que estamos errados. Eles estão entrando em nossas casas." Ele se referia a um incidente no mês passado, quando policiais encapuzados do Hamas invadiram um apartamento de cobertura de um empresário e sua esposa, que estavam discretamente bebendo com seus convidados. Os policiais bateram nos homens e confiscaram a bebida alcoólica.

Ayman Taha, um líder do Hamas, alegou que aquilo foi um erro. "Foram erros cometidos por alguns indivíduos no Hamas e que não refletem a posição do movimento", ele disse. Com rosto impassível e um tipo físico de levantador de peso, ele estava sentado em um pátio com vista para o mar, olhando sem se ofuscar para o sol. Abaixo, meninos brincavam nas ondas e mulheres com lenços de cabeça, e algumas sem, se sentavam sob tendas improvisadas. Com rifles sobre seus colos, policiais vestidos de preto, que estão por toda parte em Gaza, estavam empoleirados em um dique em ruínas ao lado do pátio, observando.

"O Hamas não implantou nenhuma restrição à vida cultural", disse Taha.

Fora uma desaceleração no acesso à Internet, ostensivamente para impedir os moradores de Gaza de verem pornografia, o que é tecnicamente verdade. Mas também não há lei aqui contra o álcool, mas não é possível encontrar um bar em Gaza. Taha atribuiu o ataque ao empresário, juntamente com um número crescente de eventos semelhantes, a elementos desgarrados no Hamas, ex-soldados e agora policiais inexperientes que, ele destacou, não afetam a unidade básica do partido.

"Se algumas pessoas estão restringindo suas próprias liberdades como reação, por medo, é por decisão delas", ele prosseguiu com voz impassível. "Está ouvindo essa música?" Um restaurante estava tocando Steely Dan do outro lado do pátio. "Eu uso meu poder para impedir isso? Não. As pessoas têm direito ao seu comportamento - desde que não prejudiquem esta cultura."

Mas aí está um problema. A Galeria Mina, um espaço de arte do Ministério da Cultura que por anos promoveu leituras de poesia, exibição de filmes e exposições de arte ao estilo ocidental, estava entre as centenas de organizações recentemente invadidas pelo Hamas, sob a desculpa de eliminar os laços com o Fatah; agora a Mina foi transformada em lar de eventos aprovados pelo Hamas.

A Associação de Cultura e Pensamento Livre, uma organização sem fins lucrativos em Khan Yunis, uma cidade ao sul de Gaza, que possui um teatro, um acampamento de verão e uma série de programas de arte, foi saqueada há não muito tempo pelas forças de segurança do Hamas, que mantiveram uma mulher encarregada sob a mira de armas e posteriormente foram à casa dela. Os líderes do Hamas em Khan Yunis posteriormente pediram desculpas, alegando, como Taha, que os invasores eram renegados.

Vale a pena notar que os lugares invadidos pelo Hamas não são livrarias vendendo manuais de sexo ou cafés exibindo programas humorísticos, mas centros culturais que promovem a arte que aspira ser mais que um ópio para o povo, o que implica em um ataque organizado.

"O Hamas quer criar uma impressão em Gaza de que não controla a vida individual ou reprime a liberdade cultural, e querem que essa mensagem chegue ao exterior", disse Jamal Al Rozzi, diretor da Associação Palestina de Teatro, em Gaza, cujo escritório também foi atacado. "Mas ao mesmo tempo, tudo está sob controle. O Hamas não nos diz oficialmente que não podemos fazer algo, mas você pode ser preso e espancado por 30 dias e ninguém saberá onde você está."

Segurança a um preço

Khan Yunis é, mesmo segundo os padrões de Gaza, um bastião de tradição religiosa, um quebra-cabeça assado pelo sol de prédios malconservados e ruas sujas, o Velho Oeste em comparação à cosmopolita Cidade de Gaza. Também é uma fortaleza do Hamas, apesar de antes do Hamas assumir o governo, uma loja local ter sofrido um ataque a bomba por extremistas islâmicos por vender música pop.

"Após a explosão, nós perdemos tanta coisa que só pudemos alugar metade de nosso espaço anterior", disse Mazin Abdeen, 35 anos, o dono da loja. Ele estava recostado na porta da frente de sua nova loja em uma tarde recente, conversando com um vendedor de sorvete vizinho em meio ao barulho de um gerador. Como sempre, estava faltando eletricidade. O ar estava tomado pelo cheiro de óleo de cozinha reutilizado, que, por Israel fornecer pouca gasolina, é utilizado pelos moradores de Gaza como combustível.

Em um balcão de vidro na loja de Abdeen, repleto de relógios e roupas íntimas femininas, havia fitas de Elissa e Nancy, as cantoras pop. "Agora que o Hamas está no governo, não há problema", ele disse. "Eles nos protegem."

Esse é o paradoxo. O Hamas fornecia segurança à Gaza antes sem lei, o que ajudou o partido a vencer a eleição contra o Fatah. Mas agora o Hamas faz muitos moradores de Gaza se sentirem inseguros. Majeda Alsaqqa é a mulher que dirige a Associação de Cultura e Pensamento Livre, aquela que ficou sob a mira de armas. Por ora, ela está de volta às atividades. Mas o Hamas há não muito tempo tomou a biblioteca local, e realiza peças sobre as vidas dos soldados palestinos mortos por Israel, que às vezes são encenadas na rua ao lado do jardim de Alsaqqa.

"Eles usam explosivos de verdade!" ela disse rindo. "Costumava ser diferente aqui. Eu costumava circular de bicicleta trajando um vestido. A batida realizada contra nós visava impor uma cultura diferente - uma contrária ao nosso tipo de teatro, onde homens e mulheres se misturam. Eram crianças que sofreram lavagem cerebral e que vieram empunhando rifles Kalashnikov, que foram ensinadas a não gostarem de estrangeiros e nem de acampamentos de verão, onde ensinamos às crianças a não aceitarem nada como garantido. Pela primeira vez, eu estou assustada."

Ela não é a única. Mesmo assim, os habitantes de Gaza são teimosos. Atualmente, tocar em público canções enaltecendo o Fatah é uma provocação direta ao Hamas. Certa noite, um hino do Fatah era ouvido pelas ruas. Era uma despedida de solteiro. Um palco com luzes alugado foi montado em uma praça.

Os homens, com as cabeças para o alto, dançavam com intensidade insana, mergulhando na música ensurdecedora. O mar escuro estava próximo da rua, silencioso e cintilante. Não havia trânsito, nenhum movimento nas calçadas, mas no final do quarteirão, vários soldados jovens do Hamas, armados, pairavam nas sombras.

"Você nunca sabe", disse Kihail, na Novo Som. "Ninguém fez uma ameaça direta, mas não se pode brincar com o Hamas." Ao lado da caixa registradora - ao lado das fitas contendo a imagem do fundador de rosto longo e barba branca do Hamas, Ahmed Yassin - ele ainda estoca fitas do Fatah com imagens de Samih Madhoun, o combatente que foi executado no ano passado pelo Hamas. Quando lhe foi pedido que tocasse um trecho da fita, Kihail ficou de olho na porta.

"Arafat, você partiu", gemia o cantor, "mas você deixou para trás um terremoto que é Samih Madhoun".

Então uma mulher de meia-idade com lenço de cabeça entrou e se interessou por um CD de Mustafa Amar, um cantor egípcio em um elegante lenço de cabeça branco, diante das pirâmides. "É uma fuga", ela disse, deixando claro que falava da música, não da capa do disco. Kihail perguntou se ela também era fã de Abdel Halim, um cantor egípcio, que morreu em 1977 e que permanece universalmente adorado por aqui. Ele recordou uma canção de Halim, uma sobre um homem abandonado por seu amor, com uma melodia triste. Ela acenou a cabeça positivamente. Por um breve momento, Kihail ficou com os olhos marejados.

"Eu culpo ele", disse a mulher, sobre Halim, "por ser tão romântica. A vida não é mais assim".

"Não", disse Kihail, "não é". George El Khouri Andolfato

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