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09/09/2008

Friedman: Pensando na Geórgia

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Na quarta-feira, a versão online do "New York Times" destacou uma manchete que chamou minha atenção: "EUA anunciarão pacote de ajuda de US$ 1 bi para reparar a Geórgia". Uau, eu pensei. Isso é ótimo: US$ 1 bilhão para consertar as estradas e escolas da Geórgia. Mas enquanto lia, eu percebi rapidamente que estava pensando na Geórgia errada.

Nós vamos gastar US$ 1 bilhão para consertar a Geórgia entre a Rússia e a Turquia, não aquela entre a Carolina do Sul e a Flórida.

Desculpe, mas a idéia de gastarmos US$ 1 bilhão para reparar um país cujo presidente, apesar de ser um democrata, provocou de forma imprudente uma guerra com a brutal Rússia, que estava com coceira para atacar sua vizinha, não faz o menor sentido para mim. Sim, nós temos que pressionar diplomaticamente a Rússia até que retire suas tropas; ninguém deveria invadir seus vizinhos.

Mas onde estão nossas prioridades? Quantas guerras podemos travar sem concluir pelo menos uma? Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão e agora a Geórgia. Qual é a prioridade? Os americanos estão passando por dificuldades para pagar suas hipotecas, e estamos enviando US$ 1 bilhão para um país cujo presidente se comportou de forma irresponsável, apenas para provocar Vladimir Putin. Não poderíamos provocar Putin com US$ 100 milhões? E não deveríamos estar estimulando um diálogo entre a Geórgia e Putin? Caso contrário, onde isso vai parar? Uma nova Guerra Fria? Em torno do quê?

E isso me traz à nossa eleição.

O que senti que faltou em ambas as convenções foi um senso de prioridades. Tanto Barack Obama quanto John McCain ofereceram uma lista das boas coisas que planejam fazer na presidência, mas, como não é possível fazer tudo, onde estará o foco?

Esse foco precisa estar no fortalecimento de nossa capacidade de inovação - nossa vantagem competitiva. Se não pudermos permanecer o país mais inovador do mundo, nós não teremos US$ 1 bilhão para dar seja ao país Geórgia, seja ao Estado da Geórgia.

Apesar de ainda termos uma enorme energia inovadora fervendo no povo americano, ela não está sendo apoiada e cultivada da forma necessária no mundo supercompetitivo atual. No momento, nós nos sentimos como um país em um lento declínio - na infra-estrutura, na pesquisa básica e no ensino - apenas lento o suficiente para nos levar a achar que temos todo o tempo e dinheiro para gastarmos em Tbilisi, Geórgia, e não em Atlanta, Geórgia.

Como Chuck Vest, o ex-presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, me disse: "Ambos os candidatos falaram muito sobre 'mudança', mas na maioria das áreas necessárias, a inovação é o único mecanismo que pode de fato mudar as coisas de modo substantivo. A inovação é onde o pensamento criativo e o know-how prático se encontram para fazer as coisas de novas formas, e as velhas coisas de novas formas".

"A ironia de ignorar a inovação como um tema para nossos tempos é o fato dos Estados Unidos ainda serem o país mais inovador do planeta", acrescentou Vest. "Mas só poderemos manter essa liderança se investirmos nas pessoas, na pesquisa que a permite e produzir um ambiente de políticas no qual ela possa prosperar em vez de ser sufocada. Nossa forte base de ciência e tecnologia construída por investimentos do passado, nossa economia de livre mercado construída sobre uma base de democracia e uma população diversa são inigualáveis até o momento; mas nós consideramos isso como sendo algo garantido."

A competitividade de um país desenvolvido agora vem principalmente de sua capacidade de inovar - a capacidade de criar novos produtos e serviços que as pessoas desejam, acrescenta Curtis Carlson, presidente-executivo da SRI International, uma empresa de pesquisa do Vale do Silício. Logo, "a inovação agora é o único caminho para o crescimento, prosperidade, sustentabilidade ambiental e segurança nacional para a América. Mas também é um mundo incrivelmente competitivo. Muitas indústrias de informática exigem que os produtos sejam melhorados em 100% a cada 12 a 36 meses, apenas para que a empresa possa permanecer nos negócios".

Logo, nossa competitividade é baseada segundo ele em dispor de uma força de trabalho com alto grau de instrução, universidades de pesquisa soberbas, impostos que apóiem a inovação, políticas de imigração e reguladoras, uma infra-estrutura produtiva física e virtual, e uma cultura que abrace o trabalho árduo e a criação de novas oportunidades.

"A América ainda é o melhor lugar do mundo para a inovação", disse Carlson. Mas, estamos ficando para trás no ensino básico, infra-estrutura e em políticas fiscais, reguladoras e de imigração, que não mais dão as boas-vindas às mentes mais talentosas do mundo. "Estas questões devem estar no topo da agenda nacional, porque determinam nossa capacidade de fornecer atendimento de saúde, energia limpa e oportunidades econômicas para nossos cidadãos."

(Para um bom plano, leia o novo "Closing the Innovation Gap", de autoria da tecnóloga Judy Estrin.)

A propósito, os republicanos acabaram de realizar uma convenção onde o aborto recebeu bem mais atenção do que a inovação, onde os pedidos de ajuda a Tbilisi, Geórgia, abafaram qualquer por ajuda a Atlanta, Geórgia, e "perfurar" foi entoado em vez de "inovar".

Se realmente estivéssemos falando sério sobre enfraquecer Putin e o putinismo, nós investiríamos US$ 1 bilhão no Instituto de Tecnologia da Geórgia para inventar alternativas para o petróleo - cujo preço elevado é o único motivo para o Kremlin estar no momento forte o suficiente para intimidar seus vizinhos e seu próprio povo. George El Khouri Andolfato

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