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10/09/2008

Candidatos à presidência dos EUA têm laços com Fannie e Freddie

The New York Times
Jackie Calmes
Em Washington
Os senadores Barack Obama e John McCain citam o socorro às agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac como evidência do aconchego corrosivo entre lobistas e políticos, e prometem acabar com isso. Mas ambos os candidatos e seus partidos também têm laços com as gigantes em dificuldades, o que complicará o trabalho do próximo presidente em reformar as empresas de financiamento hipotecário que são essenciais para a economia.

O candidato republicano, McCain do Arizona, tem vários relacionamentos estreitos e recebe doações de atuais e ex-lobistas das empresas.

E Obama, seu rival democrata de Illinois, é o segundo entre todos os membros do Congresso em doações de funcionários e comitês de ação política das empresas.

Além da mensagem anti-lobby, Obama também condena o governo Bush e os republicanos que controlaram o Congresso por uma dúzia de anos até 2007, incluindo McCain, Ele os culpa pela falta de regulação que liberou as empresas para se afundarem em dívidas para compra de hipotecas, o que as arruinou com a persistência da crise imobiliária.

Mas seus companheiros democratas no Congresso são conhecidos há anos como defensores das duas empresas, protegendo as responsabilidades conflitantes das empresas de facilitar o acesso aos imóveis tanto quanto maximizar os lucros dos acionistas.

Apesar de todo seu atual ultraje, nem Obama, com menos de quatro anos no Senado, nem McCain, após um quarto de século na Câmara e no Senado, têm registro de contestação direta às empresas. Obama alertou publicamente sobre uma futura crise imobiliária, em março de 2007, cinco meses antes dela estourar e do governo tomar as primeiras medidas.

Vários ex-executivos da empresa, assim como atuais e ex-funcionários republicanos do Senado, disseram que McCain buscava evitar assuntos ligados ao setor financeiro após a última grande crise do setor -o colapso de poupança e empréstimos do final dos anos 80. Ele foi um dos senadores "Keating Five" investigados pelo Senado por intercederem junto aos reguladores federais em prol de um operador de um banco falido. McCain recebeu uma reprimenda leve, mas desde então fala de quanto aquilo foi embaraçoso e posteriormente passou a defender limites para o financiamento de campanha.

Mais do que Obama, o círculo de assessores de McCain e doadores de campanha inclui atuais e ex-lobistas ou diretores das empresas, apesar de que desde de julho ele pediu pela proibição de qualquer lobby por parte das duas companhias.

Entre os ex-defensores das empresas estão o diretor da campanha de McCain, Rick Davis, um antigo lobista; e o confidente e conselheiro de McCain, Charlie Black, cuja firma trabalhou para a Freddie Mac por vários anos, até 2005; e o vice-presidente de financiamento da campanha, Wayne L. Berman, um vice-presidente da Ogilvy Worldwide e ex- Fannie Mae.

Davis já chefiou a Homeownship Alliance, uma coalizão de bancos, empresas hipotecárias e outros interesses do setor imobiliário liderados pela Fannie e Freddie para rechaçar as regulações propostas e taxas do governo.

O grupo foi formado em resposta a outra organização, a FM Watch, uma aliança de instituições financeiras e associações de lobby que queriam igualar o campo de jogo contra a Fannie Mae e Freddie Mac, no final contestando a garantia implícita do governo que permite às duas empresas tomar empréstimos a taxas de juros mais baixas.

McCain conta com seis doadores da empresa de lobby e consultoria republicana Fierce Isakowitz and Blalock, que doaram US$ 13.250 na atual campanha, segundo os registros financeiros desta.

O investidor Geoffrey T. Boisi de Nova York, um membro do conselho da Freedie Mac, contribuiu com mais de US$ 70 mil para os comitês de McCain e do Partido Republicano nesta eleição. Tanto ele quanto o lobista da Fannie Mae, Richard F. Hohlt, estão entre os arrecadadores de fundos de McCain, que já levantaram entre US$ 100 mil e US$ 250 mil de outros, segundo o site da campanha.

Os selecionadores de candidatos à vice-presidência de ambos os senadores têm laços com a Fannie. O ex-presidente James Johnson inicialmente liderou o comitê de seleção de Obama, mas renunciou após uma controvérsia em torno de termos favoráveis de empréstimo que recebeu de outra firma. O selecionador de McCain, Arthur B. Culvahouse Jr., foi um ex-lobista da Fannie.

Entre os doadores de Obama estão o vice-presidente sênior da Freddie Mac, Robert Y. Tsien, e os diretores William M. Lewis Jr., um banqueiro da Lazard, e Brenda J. Gaines, a empresária de Chicago. Ele não aceita contribuições de lobistas, mas Obama é o favorito entre os funcionários da Fannie Mae e do comitê de ação política deles, segundo uma análise do não-partidário Centro para Políticas Responsáveis.

Ele só ficou atrás do presidente do comitê bancário do Senado, Christopher J. Dodd, democrata de Connecticut, em contribuições dos funcionários e comitês de ação política das duas empresas desde 1998, apontou a análise, apesar de Obama estar no Senado apenas desde 2005.

O centro disse que ele recebeu US$ 122.850, dos quais US$ 101.150 vieram da Fannie Mae. Apesar de ambas as empresas há muito serem cuidadosas em contratar e contribuir para ambos os partidos, em geral a Fannie Mae se mostra favorável aos democratas e a Freddie Mac aos republicanos.

Até agora, as empresas estavam entre as potências de lobby na capital -contratando ex-membros do Congresso, funcionários do governo e altos assessores como lobistas próprios, contratando firmas de lobby externas, e distribuindo projetos de desenvolvimento e contribuições de caridade entre os distritos legislativos.

Com a ação do fim de semana do Tesouro colocando a Fannie e a Freddie sob intervenção do governo, a questão sobre o que saiu errado e como consertar invadiu o debate presidencial. Caberá ao próximo presidente liderar a reparo das empresas de forma a manter a liquidez do mercado hipotecário e conter as taxas de juros para os mutuários.

McCain quer ver as empresas divididas e privatizadas, como as instituições financeiras comerciais há muito desejam. Phil Gramm, um amigo e antigo assessor de McCain, também adotou essa posição quando foi presidente do comitê bancário do Senado, do final dos anos 90 até 2003.

Os comentários de Obama sinalizam uma preferência por uma espécie de híbrido público-privado como eram a Fannie e o Freddie, mas com controles mais rígidos. As duas firmas, até agora, eram de propriedade de acionistas e altamente lucrativas, mas contavam com uma garantia implícita do governo que agora é explícita.

Ambos os senadores emitiram declarações no fim de semana apoiando a intervenção do Tesouro. George El Khouri Andolfato

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