UOL Notícias Internacional
 

10/09/2008

Kim Jong Il está seriamente doente, diz autoridade americana

The New York Times
Mark Mazzetti e Choe Sang-Hun
Em Washington e Seul
O líder norte-coreano Kim Jong Il está seriamente doente e pode ter sofrido um derrame semanas atrás, segundo disse nesta terça-feira (9) em Washington um oficial da inteligência americana, depois que Kim deixou de participar de uma comemoração em pequena escala - fato raro - do 60º aniversário de seu país.

A autoridade, falando sob a condição do anonimato, disse que a situação exata da saúde do líder norte-coreano não é clara, mas que não parece que ele esteja à beira da morte.

A saúde de Kim é foco de intensa atenção entre governos e especialistas em segurança. Ele governa um dos regimes mais isolados e imprevisíveis do mundo, com um programa de armas nucleares que provoca preocupação internacional.

Kim não perdeu nenhum dos dez desfiles militares ou de milícias anteriores nos grandes aniversários do partido, militares e de Estado, nos quais colunas de veículos blindados e lançadores de foguetes percorrem a principal praça de Pyongyang enquanto legiões de soldados em passo de ganso o saúdam.

Mas para o 60º aniversário - um marco profundamente significativo na Coréia - houve apenas um desfile de milícias encarregadas da defesa civil, e Kim não o assistiu, segundo um porta-voz da agência de espionagem de Seul, o Serviço Nacional de Inteligência.

Especula-se sobre a saúde de Kim há algum tempo, disse um oficial americano em Washington, mas sua ausência da comemoração é uma evidência de que ele continua em estado grave.

No entanto, disse o oficial, há poucos indícios de que as autoridades norte-coreanas estejam se preparando para uma transferência de poder.

O maior jornal da Coréia do Sul, "Chosun Ilbo", relatou na terça-feira que Kim teve um colapso em 22 de agosto, citando um diplomata sul-coreano não identificado em Pequim. O governo de Seul não pôde confirmar o relato. A agência de inteligência sul-coreana disse que está tentando confirmar relatos sobre problemas de saúde de Kim.

A mídia da Coréia do Norte, dirigida pelo Estado, não relatou qualquer aparição pública de Kim desde meados de agosto, e há especulações de que ele poderia estar doente. Segundo o serviço de inteligência da Coréia do Sul, Kim tem doença cardíaca crônica e diabetes. Ele tem cerca de 65 anos.

Desde a fundação da Coréia do Norte, em 1948 sob a proteção soviética, o país só teve dois líderes: Kim Il Sung e, depois de sua morte em 1994, seu filho, Kim Jong Il, o primeiro e único líder hereditário no mundo comunista. Kim tem três filhos. Nenhum deles surgiu como herdeiro aparente, e os especialistas em Coréia do Norte estão divididos sobre quem sucederá ao presidente.

Uma segunda autoridade americana informada sobre a saúde de Kim manifestou preocupação porque não parece haver um plano claro para transferir o poder no caso de sua morte. "Não há um caminho de sucessão, o que poderia levar à luta interna e ao caos", ele disse.

Especialistas em Coréia do Norte em Seul advertiram que Kim muitas vezes desapareceu da atenção do público por longos períodos, usando os rumores e a incerteza para manter distante o mundo exterior.

"Kim Jong Il tem uma história de se manter longe do olhar do público quando tinha algo importante a decidir, e as relações externas da Coréia do Norte pioraram", disse Koh Yu-hwan, um antigo observador da Coréia do Norte na Universidade de Seul.

Kim Keun Sik, um especialista em Coréia do Norte na Universidade de Kyungnam na Coréia do Sul, disse: "As negociações nucleares estão em um impasse. As tensões com os EUA estão se aprofundando. Kim sabia que o mundo estava observando se ele apareceria na terça-feira. Para ele esta pode ser a oportunidade perfeita de chamar a atenção do mundo".

Em uma declaração conjunta de lealdade à Kim na terça-feira, os principais órgãos de governo do Norte - incluindo o Partido dos Trabalhadores, o gabinete e os militares - elogiaram Kim por construir um "poderoso dissuasor de guerra que pode proteger a sobrevivência da nação".

"Se os imperialistas americanos ousarem acender as chamas da guerra, vamos mobilizar todos os nossos poderosos potenciais para punir impiedosamente os invasores e ganhar decisivamente em nosso grande confronto contra os EUA", disse a declaração transmitida pela agência de notícias oficial do Norte, KCNA.

Esses pronunciamentos estridentes tornaram-se mais comuns na retórica oficial do Norte nas últimas semanas.

Quando as tensões com os EUA aumentam, o governo redobra esforços para inspirar o temor de uma invasão americana. Essa propaganda encerra uma urgência particular porque o Norte alimenta 20% de seus 23 milhões de habitantes com ajuda alimentar fornecida pelos EUA, que sua mídia oficial chama habitualmente de "nosso inimigo jurado".

Os esforços para deter as iniciativas de armas nucleares da Coréia estagnaram recentemente. O Norte havia concordado em abandonar seus programas de armas nucleares em troca de recompensas econômicas e políticas dos EUA e seus aliados. A Coréia do Norte começou a desmontar sua central nuclear da era soviética em Yongbyon, ao norte de Pyongyang, em novembro passado, em uma importante vitória diplomática do governo Bush.

Mas parou os trabalhos em agosto, irritada porque Washington não a retirou da lista negra do terrorismo. Os EUA disseram que a Coréia do Norte deve primeiro aceitar um programa de inspeção abrangente para revelar se está escondendo alguma arma nuclear. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host