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12/09/2008

Nova York faz uma pausa no Marco Zero em homenagem às vítimas do 11 de setembro

The New York Times
Ralph Blumenthal
Em Nova York
Sob nuvens cinzentas e frias que gradualmente deram lugar a faixas de céu azul, a cidade de Nova York fez uma pausa na quinta-feira (11) no sétimo aniversário daquele dia que, conforme disse o prefeito Michael R. Bloomberg, "começou como outro qualquer e terminou como nenhum outro".

Com lágrimas nos olhos, muitas vezes com uma postura desafiadora e agitando grandes fotos de algumas das 2.751 pessoas mortas no World Trade Center, centenas de parentes e amigos lutaram contra o pesar e observaram a passagem de mais um ano desde que terroristas lançaram dois jatos seqüestrados contra as torres gêmeas. Outros reuniram-se em cerimônias menores em torno do local, em departamentos de bombeiros, parques e igrejas.

Pelo segundo ano seguido, as obras de construção fizeram com que a cerimônia fosse realizada fora do buraco escavado no Marco Zero, mas muitas pessoas que levavam buquês de flores e objetos em homenagem às vítimas desceram um rampa até o local em que ficavam as bases das torres. Poucas horas depois, os dois principais candidatos presidenciais fizeram o mesmo trajeto até o buraco.

Lorraine e Tommy Betancourt, de Astoria, no Queens, vieram neste ano, como fazem todos os anos, para sentirem-se próximos ao filho que perderam, o bombeiro Paul Gill, 34, da Companhia de Bombeiros 54, da região de West Side, em Manhattan. Gill deixou dois filhos.

Para eles foi importante estar no local. "Iremos sempre até o Marco Zero prestar as nossa homenagens enquanto formos capazes de fazer isso", disse Betancourt, uma enfermeira aposentada. "Ninguém nunca recuperou nenhuma parte do corpo dele, de forma que, para nós, é lá que ele está enterrado".

O nome de cada uma das vítimas foi lido em voz alta e anunciado por 105 pares de leitores. Cada par incluía um parente de uma vítima e um estudante estrangeiro representando um dos 95 países que perderam algum cidadão na carnificina. Foram necessárias mais de três horas para a leitura de todos os nomes.

Um sino tocou e a multidão fez silêncio em quatro momentos: às 8h46, quando o vôo 11 da American Airlines chocou-se contra a torre norte; às 9h03, quando o vôo 175 da United bateu contra a torre sul; às 9h59, quando a torre sul caiu; e às 10h29, quando a torre norte veio abaixo.

A leitura de alguns dos nomes foi acompanhada pelo lançamento de balões em forma de coração que passaram sobre a multidão e seguiram para o norte, em direção aos arranha-céus do centro da cidade. Quando chegava a vez de proferir o nome do próprio filho, filha, marido ou mulher, muitos leitores acrescentavam uma pungente nota pessoal: "Mamãe e eu desejamos a você um feliz aniversário", disse o pai de uma vítima.

"Sinto que ele estava aqui naquele dia, e voltar faz com que eu me sinta próximo a ele", disse Joyce Boland, de Ringwood, Nova Jersey, cujo filho, Vincent, 25, morreu com vários colegas de trabalho nos escritórios da Marsh & McLennan, que foram atingidos em cheio. Ele tinha acabado de obter o seu mestrado na Universidade Stanford, conta Boland. "Ele retornou em junho, começou a trabalhar em julho e foi morto em setembro".

A cerimônia teve início com a exibição de uma bandeira norte-americana rasgada que ficava hasteada sobre o World Trade Center, e incluiu breves discursos dos governadores de Nova York, David A. Paterson, e de Nova Jersey, Jon S. Corzine, bem como do ex-prefeito Rudolph W. Giuliani, do ex-governador George E. Pataki, e de Michael Chertoff, o secretário de Segurança Interna.

Richard Sadowy, um eletricista aposentado, portava uma bandeira dos Estados Unidos afixada a uma cruz branca de madeira e uma fotografia do genro, o policial Paul Talty, 40, da Unidade Número 10 de Serviços de Emergência. Talby tinha três filhos, e morreu no 20º andar da torre sul.

Enquanto a neta de sete anos, Kelly, brincava alegremente em volta dele, a reportagem indagou a Sadowy se, com o passar do tempo, os aniversários dos atentados ficam mais suportáveis. Ele respondeu com uma única palavra: "Não", e começou a chorar.

Ao longo da Broadway, milhares de pessoas comprimiam-se contra as barreiras policiais para observar a cerimônia que tinha como fundo várias gruas de construção. Uma jovem usando uma camisa branca e pérolas parou para um momento de silêncio quando os sinos começaram a badalar. Ela fechou os olhos, balançou a cabeça e começou a balançar ligeiramente o corpo de um lado para o outro. E, quando os sinos silenciaram, ela abriu os olhos e deixou que as lágrimas escolhessem pela face.

Uma mão masculina apertou o seu ombro, e ela inclinou-se para o seu companheiro, enxugando as lágrimas.

Conforme ocorreu na cidade em 11 de setembro de 2001, e nos dias seguintes, o pesar misturou-se às opiniões políticas polarizadas. Cerca de 50 pessoas protestaram perto das ruas Church e Vesey usando camisetas pretas com slogans como "Investiguem o 11 de setembro - respeitem os mortos com a busca incansável da verdade" e "O 11 de Setembro foi um trabalho interno". Em uma pequena praça próxima à Rua Liberty, uma discussão em voz alta irrompeu envolvendo terrorismo e política, mas a polícia rapidamente conteve os ânimos.

Fora do local da cerimônia, o murmúrio dos nomes dos mortos misturava-se a cânticos do Coral Jovem Menonita, de Russel, Massachusetts, cujos membros reuniram-se na calçada para cantar. Perto do coro, Julia Indichova, 58, uma linguista de Woodstock, Nova York, inclinou a cabeça silenciosamente, perto de cartaz que explicava a sua missão.

"Eu inclinarei a cabeça em público no 11º dia de cada mês, e, algumas vezes, em outros dias, sempre às 8h46", disse ela. "Eu inclino a cabeça para o bem que existe em mim e em você".

Por volta das 16h, os dois principais candidatos presidenciais, os senadores John McCain e Barack Obama, caminharam juntos descendo a rampa, sendo seguidos pela mulher de McCain, Cindy, e pelo prefeito Bloomberg. Michelle Obama ficou na sua casa em Chicago com as duas filhas.

E, em departamentos de bombeiros em toda a cidade, o dia foi marcado pela solenidade. Na Rua South, bombeiros das companhias Engine 4 e Ladder 15 usando uniformes azul-marinho alinharam-se em filas para lembrar os momentos em que os dois aviões atingiram os prédios e em que as torres caíram. As duas companhias perderam 14 integrantes em 11 de setembro de 2001.

Às 8h46, em Park Slope, no Brooklyn, 24 bombeiros da Engine Company 220, Engine Company 239 e Ladder Company 122 postaram-se em forma usando uniformes de gala em frente à sua base na Rua 11. A bandeira estava a meio-pau. Uma sirene tocou. Uma voz em um auto-falante anunciou: "Faremos agora um momento de silêncio em homenagem a todos os membros do departamento que deram as suas vidas em 11 de setembro de 2001".

A seguir, como em todos os outros departamentos de bombeiros da cidade, os homens abaixaram silenciosamente a cabeça. O tenente Vincent LaMalfa, 39, da Ladder 122, disse que estava pensando no primo que perdeu sete anos atrás. Ele não quis falar muito.

"Após observarmos o momento de silêncio, seguimos normalmente com as nossas tarefas diárias", disse ele. UOL

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