UOL Notícias Internacional
 

18/09/2008

Imagem de mudança não cola em McCain, mostra pesquisa NYT/CBS News

The New York Times
Robin Toner e Adam Nagourney*

Em Washington
Apesar do intenso esforço para se distanciar da forma como seu partido atua em Washington, os eleitores acham menos provável que o senador John McCain promova mudanças na capital americana do que o senador Barack Obama.

McCain é amplamente visto como um "republicano típico", que manteria ou expandiria as políticas do presidente Bush, segundo a mais recente pesquisa New York Times/CBS News. As pesquisas realizadas após a convenção nacional republicana sugeriam que McCain desfrutava de um aumento de apoio -particularmente entre as mulheres brancas, após a escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, como companheira de chapa- mas a mais recente pesquisa indica que o "efeito Palin" foi, pelo menos até o momento, um aumento limitado de interesse.

A disputa parece estar a grosso modo onde estava antes das duas convenções e antes da escolha dos vice-presidentes: Obama conta com o apoio de 48% dos eleitores registrados, em comparação a 43% para McCain, uma diferença dentro da margem de erro da pesquisa, e estatisticamente inalterada em comparação ao levantamento feito na última pesquisa New York Times/CBS News, em meados de agosto.

A pesquisa mostrou que McCain mantém alguns pontos fortes, como uma vantagem substancial sobre Obama como comandante-em-chefe potencial. E apontou que, pela primeira vez, 50% dos entrevistados pela pesquisa Times/CBS News consideram que o aumento do número de tropas no Iraque, uma política defendida por McCain desde o início, melhorou a situação lá.

A pesquisa também destacou quanto a convenção de McCain, e sua escolha de Palin, empolgou a base eleitoral republicana em relação à sua candidatura, o que não é pouco em meio a uma disputa que continua sendo acirrada: 47% dos simpatizantes de McCain se descreveram como entusiasmados com a chapa presidencial republicana, quase o dobro em relação a antes das convenções. Como freqüentemente acontece nesta época do ano, os partidários se aglutinam em torno dos indicados de seu partido e os independentes cada vez mais passam a ser os eleitores a serem disputados.

Mas a pesquisa Times/CBS News sugere que a escolha de Palin ajudou McCain, até o momento, apenas entre os eleitores republicanos; não há evidência de um aumento significativo de apoio a ele entre o eleitorado feminino em geral. As mulheres brancas estão igualmente divididas entre McCain e Obama; antes das convenções, McCain estava à frente de Obama entre as mulheres brancas, 44% a 37%.

Em comparação, a esta altura na campanha de 2004, o presidente Bush estava à frente do senador John Kerry de Massachusetts, seu oponente democrata, por 56% a 37% entre as mulheres brancas.

A mais recente pesquisa nacional por telefone Times/CBS News foi realizada entre sexta e terça-feira com 1.133 adultos, incluindo 1.004 eleitores registrados. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos para toda a amostragem e para os eleitores registrados. Entre outros grupos, Obama exibiu uma pequena vantagem entre os independentes, e uma vantagem de 16% entre os eleitores com idades entre 18 e 44 anos. McCain liderava por 17 pontos entre os homens brancos e pela mesma margem entre eleitores com 65 anos ou mais. Antes das convenções, os eleitores com 65 anos ou mais estavam quase que igualmente divididos. Na mais recente pesquisa, os eleitores de meia-idade, entre 45 e 64 anos, eram aqueles que estavam mais igualmente divididos entre os dois candidatos.

A pesquisa foi realizada durante um período de turbulência extraordinária em Wall Street. Por um número esmagador, os americanos disseram que a economia é tema que mais afeta sua intenção de voto e continuaram manifestando profundo pessimismo a respeito do futuro econômico do país. Eles continuaram a expressar uma maior confiança na capacidade de Obama de administrar a economia, apesar de McCain estar buscando agressivamente colocar isso em dúvida.

A pesquisa apontou evidência de preocupação com as qualificações de Palin para ser presidente, particularmente em comparação ao senador Joe Biden de Delaware, o escolhido por Obama como companheiro de chapa. Mais de 6 entre 10 se disseram preocupados com a possibilidade de McCain não conseguir concluir seu mandato e Palin ser obrigada a assumir. Em comparação, dois terços dos eleitores pesquisados disseram que Biden estaria qualificado a assumir o lugar de Obama, um número que não vai além da divisão partidária.

E 75% disseram achar que McCain escolheu Palin mais para ajudá-lo a vencer a eleição, e não por considerá-la qualificada para ser presidente; em comparação, 31% disseram que Obama escolheu Biden para ajudá-lo a vencer a eleição, enquanto 57% disseram ser porque considerava Biden qualificado para o cargo.

Esta pesquisa foi realizada após Palin ter participado de uma série de entrevistas de destaque com Charles Gibson, da ABC News.

Nas últimas duas semanas, McCain vem tentando cada vez mais se distanciar do seu partido e de Bush, concorrendo como se fosse um forasteiro contra Washington. A pesquisa sugeriu a urgência da tarefa de McCain: o percentual de americanos que desaprovam o modo como Bush está conduzindo seu cargo, 68%, é o mais alto de qualquer presidente em exercício na história da pesquisa do New York Times. E 81% disseram que o país está caminhando na direção errada.

A pesquisa apontou que 46% dos eleitores acham que McCain manteria as políticas de Bush, enquanto 22% disseram que ele seria mais conservador do que Bush. (Cerca de um quarto disseram que uma presidência de McCain seria menos conservadora do que a de Bush.) E em um momento em que McCain tenta ter apelo junto aos eleitores independentes ao se distanciar de seu partido, notadamente com seu discurso na convenção, 57% de todos os eleitores disseram que o consideram um republicano típico, em comparação a 40% que disseram que ele é um tipo diferente de republicano.

"Por tudo o que ouvi que ele planeja fazer se for eleito, McCain não soa diferente de Bush para mim", disse Susan Bearman, 47 anos, uma eleitora independente e uma escritora de Evanston, Illinois, na entrevista após a pesquisa.

Apesar de quase metade dos eleitores também descrever Obama como um democrata típico, a imagem do partido não está tão desgastada quanto a dos republicanos; o Partido Democrata era visto favoravelmente por 50% em agosto, em comparação a 37% para os republicanos, uma tendência bastante consistente na pesquisa Times/CBS News desde 2006, e parte do cenário político geral que muitos analistas acreditam favorecer os democratas.

Em uma das maiores diferenças acentuadas na pesquisa, 37% disseram que McCain promoveria mudanças em Washington, em comparação a 28% antes das convenções dos dois partidos. Mas 65% dos entrevistados disseram que Obama promoveria mudanças reais em Washington.

Apesar de semanas de fortes ataques republicanos, Obama manteve uma vantagem em várias medições-chave de liderança presidencial, como administração da economia; 60% dos eleitores disseram confiar na capacidade dele de tomar as decisões certas em economia, em comparação a 53% que sentiam o mesmo em relação a McCain; 60% também disseram que ele entende as necessidades e problemas "de pessoas como você", em comparação a 48% que disseram isso em relação a McCain.

E mais que o dobro disse que uma presidência de Obama melhoraria a imagem dos Estados Unidos ao redor do mundo, 55%, em comparação a aqueles que acreditam que uma presidência de McCain faria isso. Obama também consegue altas notas por "compartilhar valores da maioria dos americanos", apesar dos esforços orquestrados dos republicanos para retratá-lo como sendo da elite e fora de contato com os eleitores comuns; 66% disseram que Obama compartilha seus valores, em comparação de 61% que disseram isso sobre McCain.

Mas McCain mantém algumas vantagens importantes, particularmente em preparo para ser presidente e capacidade para servir como comandante-em-chefe; 48% disseram que Obama está suficientemente preparado para ser presidente, em comparação a 71% que consideraram McCain como adequadamente preparado.

McCain "muito provavelmente" seria um comandante-em-chefe eficaz para 52%, o dobro dos que sentiam isso em relação a Obama. "O que mais me preocupa é que ele realmente não entende as forças armadas", disse Juanita Sellers, uma agente de seguros de Scooba, Mississippi. "Ele nunca serviu (nas forças armadas)".

Mas os dois homens receberam avaliações semelhantes quando foi perguntado aos eleitores a respeito do que há muito era visto como um ponto forte de McCain: a capacidade de tomar as decisões certas a respeito da guerra no Iraque. Entre os pesquisados, 52% se disseram "muito" ou "um tanto" confiantes na capacidade de Obama nesta frente; 56% se sentiam assim a respeito de McCain.

Um argumento republicano contra Obama parece estar surtindo efeito: 49% disseram acreditar que seus impostos subirão caso o democrata seja eleito, apesar de Obama ter prometido que a classe média receberia redução de impostos, não aumentos, em seu governo.

Em geral, Palin foi vista de forma mais favorável (40%) do que desfavorável (30%). Ela foi particularmente popular entre os eleitores republicanos, brancos e conservadores, que se descrevem como cristãos evangélicos, o que explica seu efeito estimulante na base republicana. Quase 70% dos eleitores de McCain disseram ter ficado entusiasmados com a escolha de Palin; 27% dos eleitores de Obama disseram ter ficado entusiasmados com a escolha de Biden.

Quando perguntados sobre quem achavam que venceria em novembro, 45% disseram que Obama, e 38% acham que McCain.

* Marjorie Connelly, em Washington; Marina Stefan, Dalia Sussman e Megan Thee, em Nova York, contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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