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20/09/2008

Gates diz que o Ocidente deve evitar extremos nas respostas às ameaças

The New York Times
Thom Shanker
Em Woodstock (Inglaterra)
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert M. Gates, pediu às potências ocidentais na sexta-feira que evitem os erros do passado, de penderem ou à determinação militar excessiva ou ao comedimento excessivo, à medida que o mundo enfrenta ameaças de uma Rússia ressurgente, do extremismo islâmico violento e de líderes inamistosos em busca de armas nucleares.

Em um discurso para um grupo britânico de estudos estratégicos, o Oxford Analytica, Gates alertou que os assuntos de guerra e paz foram com muita freqüência debatidos em extremos polares, "entre uma avidez excessiva pelo uso da força militar e uma aversão extrema a ela".

Ele disse que as políticas ainda estavam exageradamente influenciadas pelas longas sombras de dois eventos históricos: o de agosto de 1914, onde "erro de cálculo, excesso de confiança, belicosidade, medo de parecer fraco" levaram à Primeira Guerra Mundial; e a jornada há 70 anos neste mês do primeiro-ministro Neville Chamberlain do Reino Unido para Munique, onde ele apaziguou Hitler ao ceder às reivindicações do líder nazista a uma parte da Tchecoslováquia que era habitada por pessoas de etnia alemã.

O curso apropriado para os líderes mundiais atuais, argumentou Gates, é "equilibrar moderação nas questões internacionais com determinação e vontade de apoiar nossos compromissos e defender nossos interesses quando necessário".

"A meta deve ser nos unirmos e darmos passos firmes e prudentes agora -políticos, econômicos e, quando apropriado, militares- para moldar o ambiente internacional e as escolhas de outras potências", disse Gates. "Nós devemos prevenir situações onde só temos duas escolhas desoladoras: confrontação ou capitulação, 1914 ou 1938."

O discurso do secretário de Defesa foi feito no Palácio de Blenheim, local de nascimento e lar da família de Winston Churchill, a poucos quilômetros da Universidade de Oxford.

Foi outro de uma série de discursos feitos por Gates, desde que foi chamado de volta ao governo em 2006, que tratam de assuntos muito além de sua pasta como secretário de Defesa, incluindo conversas sobre a conciliação das raízes pragmática e ideológica da política externa americana, e sobre a necessidade de articular poder econômico e diplomático juntamente com a força militar.

Gates alertou os aliados contra correr na adoção de medidas punitivas contra a Rússia por sua incursão militar em território soberano da ex-república soviética da Geórgia. "Moscou parece estar retornando aos 'hábitos e aspirações czaristas', mas eles são uma ameaça bem menor do que o 'esforço baseado em ideologia visando dominar o mundo' do Kremlin da era comunista", ele disse.

Ele sugeriu que a Europa e os Estados Unidos ajudem a reconstruir a Geórgia e, ao mesmo tempo, coloquem o ingresso desejado pelo Kremlin em organizações econômicas globais em espera até que os líderes russos retornem a um comportamento aceitável.

Gates disse que a Rússia está diante da escolha entre ser "uma parceira plenamente integrada e responsável na comunidade internacional" ou ser uma nação isolada, vista basicamente como uma fonte de combustível para a Europa.

O presidente da Rússia, Dmitri A. Medvedev, tratou desse assunto na sexta-feira, sugerindo que o Ocidente esta retratando injustamente a Rússia assim como o suposto caminho para o autoritarismo.

Ele disse que a Rússia está sendo pressionada de modos que visam isolá-la.

Em um comentário à parte autodepreciativo, Gates notou um fato incomum, o de que os Estados Unidos contavam com dois kremlinólogos de carreira servindo como secretários de Estado e Defesa durante um período em que as aspirações por laços mais estreitos com a Rússia estavam evaporando.

"A esta altura, eu devo notar que pela primeira vez, tanto a secretária de Estado quanto o secretário de Defesa dos Estados Unidos têm doutorados em estudos russos", disse Gates. "Uma gordura que muito bem nos fez."

Gates fez um forte alerta a aqueles que argumentam por tornar rapidamente a Geórgia um país membro da Otan visando proteger sua soberania de outro ataque russo.

Ele notou que o Artigo 5º da carta da Otan exige que todos os aliados defendam o território de qualquer membro que esteja sob ataque. E ele deixou implícito que deve ser feita uma avaliação plena antes que os Estados Unidos e outros aliados obriguem a si mesmos a uma ação militar, ao permitir o ingresso da Geórgia na Otan.

"Nós precisamos ser cuidadosos em relação aos compromissos que assumimos, mas devemos estar dispostos a manter os compromissos assim que forem feitos", disse Gates, sem especificar o debate na Otan em torno do ingresso da Geórgia.

"No caso da Otan, o Artigo 5º deve significar o que diz", ele acrescentou. "Como as tropas aliadas combatendo no Afeganistão podem atestar, a Otan não é apenas local de conversa nem uma fim de semana renascentista em esteróides."

Durante uma reunião em Londres dos ministros da Defesa da Otan, na quinta e sexta-feira, a questão do ingresso da Geórgia não foi discutida, segundo um alto funcionário americano. As conversas se concentraram principalmente em como ampliar as capacidades da Otan.

Gates falou aqui após uma reunião separada em Londres com o ministro da Defesa tcheco, na sexta-feira. Os dois assinaram uma declaração de cooperação estratégica em defesa e um acordo para posicionamento de tropas americanas na República Tcheca, como parte da base do radar para defesa antimísseis, um plano que provoca ultraje na Rússia. O acordo de tropas agora vai para o Parlamento Tcheco para aprovação. George El Khouri Andolfato

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