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24/09/2008

Relatório de lideranças norte-americanas recomenda conversações com muçulmanos

The New York Times
Laurie Goodstein
Após passar 18 meses examinando as relações cada vez piores entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano durante o governo Bush, um grupo diversificado de lideranças norte-americanas divulgará nesta quarta-feira (24), em Washington, um relatório pedindo uma reformulação completa da estratégia estadunidense no sentido de reverter a disseminação do terrorismo e do extremismo.

O relatório recomenda um maior relacionamento diplomático, até mesmo com o Irã e outros adversários, e mais investimentos em desenvolvimento econômico nos países muçulmanos a fim de criar empregos para uma juventude alienada. Ele recomenda que o novo presidente use o seu discurso de posse para indicar uma mudança de abordagem, renunciar imediatamente ao uso da tortura e designar um enviado especial nos primeiros três meses com a missão de reativar as negociações entre Israel e os palestinos.

O relatório, "Changing Course: A New Direction for U.S. Relations with the Muslim World" ("Mudando de Rumo: Uma Nova Direção para as Relações dos Estados Unidos com o Mundo Muçulmano"), foi produzido por 34 lideranças religiosas, empresariais, militares, acadêmicas e das áreas de política externa, de fundações e de organizações sem fins lucrativos. O grupo inclui democratas como Madeleine Albright, que foi secretária de Estado no governo do presidente Clinton, e os ex-parlamentares republicanos Vin Weber e Steve Bartlett.

Também fazem parte do grupo Thomas Dine, ex-diretor-executivo do Comitê de Relações Públicas Americano-Israelenses, e Ingrid Mattson, presidente da Sociedade Islâmica da América do Norte. Um terço do grupo é formado por muçulmanos estadunidenses. Os membros foram escolhidos pelas organizações patrocinadoras, a Search for Common Ground e o Consensus Building Institute, que promovem a resolução não violenta de conflitos.

"Vim um pouco cético quanto à possibilidade de chegarmos a um acordo", disse em uma entrevista Weber, que atualmente é presidente da organização National Endowment for Democracy. "Eu apoiei a invasão do Iraque, e aquilo foi sem dúvida algo bastante negativo para a percepção dos Estados Unidos por parte do mundo muçulmano".

Quando o grupo examinou várias pesquisas de opinião realizadas em diversos países muçulmanos, os seus integrantes concluíram que as percepções negativas foram provocadas mais pelas políticas norte-americanas do que pelas crenças religiosas e culturais muçulmanas. Segundo o relatório, se as políticas forem alteradas, as percepções também deverão mudar.

Dalia Mogahed, diretora-executiva do Centro Gallup para Estudos Muçulmanos, afirma que as pesquisas demonstram que nos países islâmicos o povo sente-se "desrespeitado" pelos Estados Unidos, um sentimento que se intensificou com a invasão do Iraque e as fotografias da prisão Abu Ghraib mostrando detentos torturados e humilhados.

"As pessoas nos disseram que admiram os nossos valores democráticos, mas existe uma lacuna entre os valores admirados por elas e a percepção do tratamento dispensado aos muçulmanos", afirmou Mogahed.

Albright disse em uma entrevista: "Não estamos envolvidos em um choque de civilizações nem em um conflito entre crenças religiosas. Existem políticas e ações que são as raízes deste problema. Em certos casos, são as nossas políticas e, em outros, as deles".

As quatro recomendações básicas feitas pelo grupo foram: confiar na diplomacia como o "instrumento principal", promover melhor governança em países muçulmanos autoritários que são aliados dos norte-americanos como a Arábia Saudita e o Egito, ajudar a criar empregos e desenvolvimento econômico em países muçulmanos e fomentar programas de intercâmbio a fim de educar indivíduos do mundo muçulmano sobre os Estados Unidos e vice-versa.

"A urgência é bem grande", declarou Weber. "O governo Bush tem uma má imagem no mundo muçulmano e, infelizmente, isto fez com que os Estados Unidos também passassem a ter uma imagem ruim".

As campanhas de McCain e de Obama foram informadas a respeito das recomendações contidas no relatório, e ambas foram receptivas, segundo disseram Weber e outros integrantes do grupo. Nesta quarta-feira haverá uma apresentação dos resultados perante o Comitê da Câmara para Assuntos Externos e para membros do Congresso, bem como uma divulgação pública do relatório no Clube Nacional de Imprensa, em Washington.

O senador republicano Richard G. Lugar, de Indiana, o líder do Comitê de Relações Exteriores, enviou o relatório aos seus colegas com uma carta afirmando que o documento contém "recomendações construtivas a respeito de como podemos abordar esta questão urgente em uma estrutura bipartidária". UOL

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