UOL Notícias Internacional
 

25/09/2008

Presidente diz ao país que inação pode provocar longa recessão

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg e David M. Herszenhorn
Em Washington (EUA)
O presidente Bush fez um apelo à nação na noite de quarta-feira (24), para que apóie o plano de US$ 700 bilhões para evitar um colapso financeiro em Wall Street, e convidou os dois principais candidatos presidenciais para se juntarem a ele e líderes do Congresso na Casa Branca, na quinta-feira (25), para negociar uma acordo bipartidário.

Alertando que "uma longa e dolorosa recessão" poderá ocorrer caso o Congresso não aja rapidamente, Bush disse que as conseqüências poderão levar a um "cenário desesperador", incluindo potenciais quebras de bancos, perda de empregos e incapacidade para os americanos comuns de tomarem empréstimos para compra de carros ou enviar seus filhos à faculdade.

"Caros cidadãos, nós não podemos permitir que isso aconteça", ele disse.

O discurso, e a oferta extraordinária de reunir o senador Barack Obama, o candidato presidencial democrata, e o senador John McCain, o candidato republicano, apenas semanas antes da eleição, ressaltou o crescente senso de urgência por parte do governo para que o Congresso faça sua parte para evitar um colapso econômico de amplas conseqüências.

Foi a primeira vez na presidência de Bush que ele fez um discurso no horário nobre dedicado exclusivamente à economia, e ocorreu em momento em que o profundo desconforto público em relação aos mercados financeiros se somou ao ceticismo e raiva em relação ao resgate promovido pelo governo, que seria o mais caro na história americana.

O discurso concluiu um dia caótico e agitado em Washington, na campanha presidencial e em Wall Street.

No Capitólio, as negociações delicadas entre o secretário do Tesouro, Henry M. Paulson Jr., e líderes democratas e republicanos a respeito do plano de resgate, foram complicadas pela reação negativa de muitos legisladores após ouvirem queixas de seus eleitores.

Pela primeira vez, o governo sinalizou que estaria disposto a fazer grandes concessões para garantir a aprovação no Congresso, incluindo restringir a remuneração dos executivos cujas empresas buscarem assistência do governo e um plano para dar aos contribuintes uma participação acionária em algumas das firmas, para que o governo possa lucrar caso as empresas prosperem no futuro.

Bush fez seu convite a Obama e McCain por volta das 19h30, disse a Casa Branca, após os desdobramentos na campanha começarem a interferir nas negociações no Congresso. McCain anunciou que suspenderia sua campanha, adiaria o debate presidencial de sexta-feira e voltaria a Washington para buscar um consenso bipartidário que, ele disse, o governo não era capaz de obter por conta própria. A Casa Branca disse que o encontro ocorreria na tarde de quinta-feira.

E em Wall Street, os mercados financeiros continuaram enfrentando dificuldades. O custo de tomada de empréstimo para bancos, empresas e consumidores disparou e os investidores correram para refúgios como os títulos do Tesouro - um lembrete de que os mercados de crédito, que se recuperaram um pouco após Paulson anunciar as linhas gerais do plano de resgate na semana passada, permanecem extremamente tensos, com muitos investidores ainda nervosos.

Líderes do Congresso e funcionários do Tesouro disseram que esperavam trabalhar ao longo de toda a noite de quarta-feira, à medida que suas conversas se intensificavam em negociações detalhadas sobre artigos legislativos específicos.

Um alto assessor da liderança democrata disse que os legisladores da Câmara e do Senado planejavam um encontro às 10 horas da manhã de quinta-feira, para acertar um "projeto de lei final bipartidário para ser aprovado e sancionado em lei". O assessor, que pediu anonimato por causa da natureza delicada das negociações, disse: "Não restam muitas questões não resolvidas".

O senador Christopher J. Dodd, democrata de Connecticut e presidente do comitê bancário, disse que um acordo poderia sair já na quinta-feira. Vários legisladores disseram esperar que o Congresso trabalhará durante todo o fim de semana.

"Há uma boa possibilidade de que chegaremos lá em mais um dia ou dois", disse Dodd, após os senadores democratas se reunirem por mais de uma hora e meia com Paulson e com o presidente do Federal Reserve (o banco central americano), Ben S. Bernanke - a mais recente de uma maratona de reuniões das quais os dois participaram no Capitólio, em um esforço para persuadir os legisladores profundamente céticos a aprovarem o plano de resgate.

No início da noite, após McCain ter dito que "está claro que nenhum consenso surgiu em apoio à proposta do governo", os líderes de ambos os partidos na Câmara declararam que, na verdade, estavam ocorrendo progressos.

"Trabalhando de modo bipartidário nós obtivemos progressos", disseram a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o deputado John A. Boehner, o líder da bancada republicana, em uma declaração conjunta. "Nós concordamos que mudanças-chave devem ser feitas na proposta do governo. Ela deve incluir princípios básicos de boa governança, incluindo supervisão rigorosa e independente, fortes padrões de indenização e proteções aos contribuintes."

O discurso de Bush ocorreu após a Casa Branca, sob pressão dos legisladores republicanos, ter aberto um novo esforço agressivo para retratar o pacote de resgate financeiro como algo crucial, não apenas algo para estabilizar Wall Street, mas sim para proteger o meio de vida de todos os americanos.

Mas a Casa Branca pensou cuidadosamente no momento; os assessores de Bush disseram que não queriam que parecesse que o presidente está forçando uma solução ao Congresso.

"Muita gente está perguntando se este discurso visa pressionar o Congresso?" disse Tony Fratto, o vice-secretário de imprensa da Casa Branca, no início da noite. "Não é um discurso para pressionar o Congresso. Este é um discurso para o povo americano, para falar sobre a amplitude e profundidade desta crise, e quão urgente é lidar com ela agora."

No Capitólio, Paulson, diante de um segundo dia respondendo perguntas dos legisladores, desta vez perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, tentou se concentrar tanto no varejo quanto em Wall Street.

"Toda empresa na América depende diariamente do fluxo de dinheiro pelo sistema financeiro", disse o secretário do Tesouro.

Talvez em seu argumento mais agudo para o público do canal "C-Span" (da Câmara e Senado) de todo o país, Paulson disse: "Toda esta proposta visa beneficiar o povo americano, porque o atual sistema financeiro frágil coloca o bem-estar econômico dele em risco". Sem ação, ele acrescentou: "As economias pessoais dos americanos e a capacidade dos consumidores e empresas de financiar gastos, investimento e criação de empregos estará ameaçada".

Mas foram os comentários de Paulson sobre as restrições à remuneração dos executivos que sinalizaram a maior mudança na posição da Casa Branca e a maior urgência por parte do governo em obter a aprovação do Congresso o mais rápido possível.

Paulson, é claro, recebeu centenas de milhões de dólares como presidente-executivo do Goldman Sachs. "O povo americano está com raiva da remuneração dos executivos, o que é justo", ele disse. "Ninguém entende remuneração por fracasso."

Funcionários disseram que a legislação quase certamente incluirá uma proibição aos chamados "golden parachutes" (pára-quedas dourados), os generosos pacotes de rescisão contratual que muitos executivos recebem quando deixam seus cargos, para as empresas que buscarem ajuda do governo. A medida também incluirá provavelmente um mecanismo para as empresas recuperarem quaisquer bônus ou incentivos pagos baseados em lucros corporativos ou outros resultados que, posteriormente, provarem ter sido declarados de forma errônea.

Os democratas também estavam trabalhando para a inclusão de artigos que estabeleceriam um limite de quanto do salário de um executivo a empresa poderia deduzir no imposto de renda, para US$ 400 mil - o valor que ganha o presidente. Ao mesmo tempo, os legisladores democratas sinalizaram uma maior disposição de sacrificar este artigo visando a conclusão de um acordo. O principal defensor de leis de falência mais rígidas é o senador Richard J. Durbin, democrata de Illinois, que talvez seja o maior defensor de Obama no Senado. George El Khouri Andolfato

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