UOL Notícias Internacional
 

26/09/2008

Escândalo do leite da China agora é visto como um risco na Europa

The New York Times
Elisabeth Rosenthal
Os reguladores da União Européia ordenaram na quinta-feira (25) testes rigorosos de produtos importados contendo pelo menos 15% de leite em pó, após concluírem que o alimento contaminado da China pode estar circulando na Europa e colocando crianças em risco.

A ação, anunciada pela Agência Européia de Segurança Alimentar e pela Comissão Européia, expande significativamente o alcance geográfico potencial de um escândalo de leite adulterado na China, agora incluindo uma série de alimentos vendidos ao redor do mundo. Os europeus dizem que biscoitos, balas de caramelo e chocolates são as maiores preocupações.

A Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) expressaram preocupação na quinta-feira com a contaminação do leite chinês e as implicações disso para outros alimentos. Nos Estados Unidos, alguns grupos de consumidores pediram à Food and Drug Administration (FDA), a agência americana de controle de alimentos e medicamentos, que restrinja a importação de alimentos que possa conter ingredientes suspeitos da China.

Produtos contendo leite na China, contaminados com a substância química industrial melamina, adoeceram mais de 50 mil crianças nas últimas semanas.

Apesar de ser ilegal a importação de leite, laticínios e alimentos para bebês da China para a União Européia, os países europeus importam muitos alimentos processados contendo leite em pó produzido fora da Europa. Alguns desses produtos poderiam conter leite em pó vindo da China.

Apesar de países por toda a Ásia já terem retirado laticínios chineses das prateleiras dos supermercados por precaução, agora está claro que o risco pode ir além do leite em si. Em 2007, a União Européia importou da China cerca de 19.500 toneladas de produtos de confeitaria, como massas, bolos e biscoitos e cerca de 1.250 toneladas de chocolate e outros alimentos contendo cacau.

"As crianças que consomem tanto os biscoitos quanto o chocolate poderiam potencialmente ultrapassar a TDI em mais de três vezes", disse a Agência Européia de Segurança Alimentar na quinta-feira, se referindo à ingestão máxima diária de melamina que a agência considera segura. Níveis acima disso poderiam resultar em pedras nos rins, disse Ian Palombi, um porta-voz da agência, em uma entrevista por telefone.

Em Bruxelas, Bélgica, a Comissão Européia tentava avaliar a extensão do risco. "O problema é com produtos alimentares compostos, que podem ser importados, mesmo se contiverem leite em pó da China", disse Nina Papadoulaki, uma porta-voz. Ela disse que a comissão não sabe quantas empresas que vendem alimentos snacks na Europa fabricam na China ou compram ingredientes lá.

Ela disse que foi pedido aos países membros e companhias alimentícias na União Européia - que são responsáveis por assegurar a segurança alimentar - que testassem os produtos para melamina nos últimos 10 dias e que até agora não foi detectado nenhum problema.

Nos Estados Unidos, alguns grupos de consumidores também pediram por regulação mais rígida. "Agora está claro que a China exportou produtos como leite em pó e proteína de leite para todo o mundo, e sabemos que parte deles veio para os Estados Unidos", disse Wenonah Hauter, diretora executiva da Food & Water Watch. "É hora da FDA levar este assunto a sério e parar de importar laticínios da China até que esta situação esteja sob controle."

Os Estados Unidos importaram neste ano 2 milhões de libras de uma proteína de leite chamada caseína e outras proteínas de leite em pó, que são usadas como ingredientes em muitos alimentos processados, segundo números da FDA. Isso inclui 293 mil libras que foram importadas em julho, quando algumas autoridades chinesas estavam cientes da contanimação dos produtos com melamina.

A FDA não retornou imediatamente os telefonemas que pediam por comentários. A melamina é uma substância química industrial usada na manufatura de plásticos, que às vezes pode ser adicionada aos alimentos para aumentar artificialmente seu conteúdo aparente de proteína nos testes. Sua presença foi detectada em rações para animais oriundas da China no ano passado.

Mesmo se estiver presente em alimentos na Europa, o leite em pó contaminado com melamina dificilmente causará o tipo de desastre de saúde pública que está ocorrendo entre os bebês chineses. Na China, os bebês beberam o leite em pó contaminado como sendo sua única fonte de nutrição por semanas, quando não meses; vários morreram.

Como o mal causado pela melamina está relacionado ao peso, ela é muito menos prejudicial para crianças mais velhas e raramente perigosa para adultos. Além disso, para as crianças e adultos na Europa, o leite em pó contaminado com melamina é apenas um pequeno componente de uma dieta mais ampla. Os efeitos tóxicos da melamina são cumulativos, criando pedras nos rins que podem, em casos severos, levar à falência renal.

Ainda assim, crianças que comem quantidades muito grandes de doces podem correr risco.

Nesta semana, vários países e empresas que já retiraram laticínios chineses das prateleiras dos supermercados, começaram a remover alimentos snacks contendo leite em pó. Na quinta-feira, membros da Associação Filipina de Supermercados removeram produtos alimentícios feitos na China contendo ingredientes de leite.

Em uma economia de alimentos cada vez mais globalizada, os fabricantes produzem cada vez mais com matérias-primas de todas as partes do mundo, o que dificulta a rastreamento da origem dos ingredientes. A Kraft, fabricante dos biscoitos Oreo, recentemente transferiu uma de suas maiores fábricas da Austrália para a China.

Mas Claire Regan, uma porta-voz corporativa da empresa, disse que a maioria dos produtos que a Kraft produz na China é distribuída dentro da China, apesar de um "número limitado" ser exportado para outros países.

A maioria dos produtos que a Kraft produz na China não contém ingredientes de leite do país e, quando contêm, o nível de ingredientes de leite é muito baixo, ela disse. Os produtos feitos fora da China não contêm ingredientes de leite chineses. George El Khouri Andolfato

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