UOL Notícias Internacional
 

26/09/2008

Riscos para McCain na política da crise econômica

The New York Times
Adam Nagourney e Elisabeth Bumiller
O senador John McCain pretendia voltar a Washington na quinta-feira como um líder que deixou de lado a política presidencial para ajudar a mediar uma solução para a crise financeira.

Em vez disso, ele se viu no meio de um confronto partidário notável, sem uma mensagem pública clara sobre como promover o fim disso.

Na reunião bipartidária na Casa Branca para a qual McCain foi convidado um dia antes, ele ficou sentado em silêncio por mais de 40 minutos, mais observador do que líder, e então ofereceu apenas um senso vago de qual era sua posição, segundo pessoas presentes na reunião. Nas entrevistas subseqüentes para televisão, ele não indicou se apoiaria o plano bipartidário negociado pelo governo Bush e pelos líderes do Congresso, ou o alternativo colocado na mesa pelos raivosos republicanos da Câmara, com os quais se encontrou antes de ir para a Casa Branca.

McCain disse que tinha esperança de que um acordo seria acertado rapidamente, e que então poderia comparecer ao debate marcado para a noite de sexta-feira contra seu rival democrata na corrida presidencial, o senador Barack Obama. Mas não havia evidência de que ele teve um papel significativo nos esforços frenéticos no Capitólio, na noite de quinta-feira, para a obtenção de um acordo.

A situação evoluía tão rapidamente que era praticamente impossível julgar as implicações políticas; com o governo sob pressão para evitar outra quebra de confiança nos mercados financeiros globais, era possível o acordo ser fechado sem causar maiores mudanças na campanha e McCain ainda poder reivindicar um papel em um resultado positivo.

Ainda assim, em termos de aparência política - uma consideração chave para McCain a menos de seis semanas da eleição e em um momento em que algumas pesquisas sugerem que ele está perdendo terreno para Obama, especialmente em economia - os eventos do dia provocaram acima de tudo um questionamento de qual precisamente foi o motivo para McCain pedir o adiamento do primeiro debate e retornar para Washington para se concentrar no plano de resgate - e sobre quais eram suas posições a respeito do que devia ser feito.

A crise financeira tem se mostrado um desafio difícil para McCain. A governadora do Alasca, Sarah Palin, sua companheira de chapa, passou apuros com as perguntas sobre suas credenciais em política externa durante uma entrevista para a CBS News. McCain foi ridicularizado no programa de fim de noite de David Letterman.

Obama pode não ter se saído muito melhor. Ele veio de forma relutante a Washington, ficando aberto às críticas dos republicanos de que estava colocando sua eleição à frente da necessidade de resolver a crise em Wall Street, e provocando preocupação entre os democratas de que sua reação aos eventos foi fria demais, considerando o que estava em risco.

Ainda assim, ao anoitecer, o dia forneceu ao mais jovem e menos experiente Obama uma oportunidade para, na prática, trocar de papel com McCain. Por um momento, pelo menos, era Obama quem se apresentava como o veterano em consenso e a verdadeira face da política bipartidária.

"O que descobri, e acho que se confirmou hoje, é que quando se injeta a política presidencial em negociações delicadas, isso não necessariamente contribui do modo necessário", Obama disse aos repórteres na noite de quinta-feira. "Simplesmente por haver muito brilho dos holofotes, há o potencial de exibicionismo ou suspeita."

"Quando não há preocupação a respeito de quem receberá o crédito, ou quem será culpado, então as coisas tendem a avançar de uma forma um pouco mais construtiva", ele disse.

No mínimo, as ações de McCain sacudiram a campanha política e as negociações em torno do pacote de resgate. Isso o colocou no centro das atenções, permitiu que ele se apresentasse como colocando seu país à frente de sua campanha - um tema recorrente de sua candidatura - e o deixou posicionado para, mesmo que não tenha ajudado a orquestrar um acordo, pelo menos ser associado a um.

Mas McCain certamente está vendo os riscos de promover uma intervenção direta. Agora ele se vê no meio de uma guerra ideológica que coloca os republicanos conservadores, que odeiam a idéia de gastar tanto dinheiro dos contribuintes em Wall Street, contra a Casa Branca de Bush, que, com o apoio dos democratas e de um número considerável de republicanos, vê o pacote de resgate como sendo essencial para evitar um desastre econômico potencial.

Apesar de sem dúvida existir um meio-termo, no momento McCain se vê entre os conservadores que necessita manter ao seu lado na eleição - um grupo que, apesar de há muito desconfiar dele, se uniu em torno dele após a escolha de Palin como companheira de chapa- ou ser identificado com o fracasso em completar um plano.

As ações de McCain colocaram em dúvida um momento crítico da campanha: o primeiro debate presidencial, marcado para a noite de sexta-feira no Mississippi. Ao suspender sua campanha, McCain declarou que não participaria do debate a menos que um acordo fosse acertado. A ameaça gerou um volume considerável de críticas na quinta-feira - do campo de Obama, assim como dos editoriais dos jornais - e à medida que o dia prosseguia, McCain dava indícios de que o ultimato não era tão inflexível quanto alegava.

O debate na noite de sexta-feira no Mississippi aparentemente favorecia McCain: seu tema, por acordo das duas campanhas e da comissão do debate, supostamente seria segurança nacional e relações exteriores. Mas o moderador do debate, Jim Lehrer, disse na quinta-feira que não se sentia obrigado a se ater aos dois assuntos, considerando o que aconteceu no país nas duas últimas semanas.

"Eu não estou impedido de fazer perguntas sobre a crise financeira", disse Lehrer em um e-mail. "Fiquem ligados!"

De uma forma ou de outra, poderia ser do interesse de McCain deixar esta questão para trás. Uma pesquisa New York Times/CBS News, divulgada na quinta-feira, apontou novas evidências de que a deterioração do ambiente econômico estava favorecendo Obama, ao custo de McCain. Os eleitores que disseram que a economia é a questão chave têm maior probabilidade de votar em Obama, e 64% expressaram confiança na capacidade de Obama de tomar a decisão certa em questões de economia, em comparação a 55% que disseram ter confiança na capacidade de McCain, segundo a pesquisa.

E em um resultado que sugere o terreno difícil no qual McCain precisará navegar enquanto o Congresso considera o resgate a Wall Street, 52% dos entrevistados disseram que McCain se importava mais em proteger os interesses das grandes corporações, em comparação a 32% que disseram que ele se importava mais em proteger os interesses das pessoas comuns. Em comparação, 16% dos entrevistados disseram que Obama estava mais preocupado em proteger os interesses das grandes corporações, em comparação a 70% que disseram que ele estava mais preocupado com as pessoas comuns.

A pesquisa apontou que Obama conta com o apoio de 47% dos eleitores registrados, em comparação a 42% para McCain; basicamente o mesmo que na pesquisa Times/CBS News da semana passada, quando Obama tinha 48% em comparação a 43% para McCain. A pesquisa foi realizada de domingo até quarta-feira e envolveu 936 adultos, dentre os quais 844 eram eleitores registrados.

McCain e Obama deixaram a tensa sessão de uma hora na Casa Branca por portas laterais, para evitar os repórteres que aguardavam. McCain realizou uma série de entrevistas para as emissoras a tempo do noticiário noturno, usando a oportunidade para dizer novamente que entendia a gravidade da crise e que acreditava que seria resolvida.

"De novo, eu odeio ser tão repetitivo - eu estou confiante de que chegaremos a um acordo", ele disse à ABC News. "Nós precisamos." George El Khouri Andolfato

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