UOL Notícias Internacional
 

27/09/2008

Candidatos se enfrentam no primeiro debate presidencial

The New York Times
Michael Cooper e Elisabeth Bumiller
Do The New York Times
O senador Barack Obama fez um forte ataque à condução da economia por parte do governo Bush na noite de sexta-feira - e, por extensão, aos laços do senador John McCain com Bush - e McCain respondeu pintando Obama como o típico liberal que gosta de cobrar impostos e gastar, durante o primeiro debate da eleição geral.

Ambos deram apoio ao plano de resgate financeiro que está sendo discutido no Congresso, dizendo que o país precisa agir para escorar a economia, mas que certas condições precisam ser adicionadas ao plano.

"Este é o veredicto final a oito anos de políticas econômicas fracassadas, promovidas por George Bush, apoiadas pelo senador McCain", disse Obama, o candidato presidencial democrata, no debate, que quase foi cancelado por causa da crise. "Uma teoria que diz basicamente que podemos descartar as regulações e as proteções aos consumidores, dar mais e mais para a maioria, e de alguma forma a prosperidade fluirá."

McCain, o candidato republicano, rebateu chamando Obama de o membro mais liberal do Senado. "É difícil dialogar com o outro lado, que esta tão distante à extrema esquerda", ele disse.

O debate - realizado com cada um dos dois homens diante de um púlpito, sobre um palco com carpete vermelho na Universidade do Mississippi, em Oxford, Mississippi - forneceu a primeira oportunidade para dezenas de milhões de americanos assistirem Obama e McCain lado a lado, expondo suas posições e suas diferenças, em um momento em que as pesquisas mostram que a disputa presidencial ainda está apertada.

Levou 40 minutos para que o debate se voltasse para a política externa - que originalmente seria o único tema do primeiro debate - e foi apenas aí que os candidatos se envolveram na discussão mais vigorosa em torno do tema favorito de McCain: a condução da guerra no Iraque.

McCain disse que Obama "incrivelmente" não foi ao Iraque por 900 dias, pediu uma reunião com o general David H. Petraeus e acrescentou com ar de superioridade que "o senador Obama não entende a diferença entre tática e estratégia". McCain também disse que "o senador Obama se recusa a reconhecer que estamos vencendo no Iraque".

"Isso não é verdade, isso não é verdade", resmungou Obama.

McCain respondeu que Obama estava errado em relação à mudança de estratégia do presidente Bush no Iraque, o aumento de tropas. "O senador Obama afirmou que o aumento de tropas não funcionaria, disse que aumentaria a violência sectária, falou que estava condenado ao fracasso", ele expôs
"Recentemente, em um programa de televisão, ele disse que ultrapassou nossas expectativas mais exageradas. Mas ainda assim, após reconhecer isso, ele ainda afirmou que seria contrário ao aumento de tropas caso tivesse que decidir isso hoje."

Obama respondeu com uma relação de coisas que ele disse que McCain errou: "Você fala sobre o aumento de tropas. A guerra começou em 2003. Naquela época, quando a guerra começou, você disse que seria rápida e fácil. Você disse que sabíamos onde estavam as armas de destruição em massa. Você estava errado. Você disse que seríamos recebidos como libertadores. Você estava errado. Você disse que não havia histórico de violência entre xiitas e sunitas e você estava errado".

O fardo sobre cada candidato era grande. Obama, 47 anos, um senador em primeiro mandato, foi ao debate esperando tranqüilizar os eleitores de que possui o temperamento e o juízo para ser comandante-em-chefe. E McCain, 72 anos, que espera substituir um presidente republicano impopular com o qual compartilha muitas posições, tentava recuperar o terreno perdido nas duas últimas semanas, com sua resposta instável à crescente crise financeira do país.

O próprio debate era incerto até o final da manhã. McCain disse que só iria ao debate se um acordo fosse fechado em torno da proposta federal de resgate ao setor financeiro; mas após uma reunião cheia de drama na Casa Branca, na quinta-feira, da qual participaram o presidente Bush, os dois homens que esperam sucedê-lo e os líderes do Congresso, ter fracassado em chegar a um acordo, McCain reconsiderou e concordou em participar do debate.

McCain atacou Obama a respeito da destinação de recursos e excesso de gastos, mas Obama rebateu dizendo que US$ 18 bilhões em destinação de recursos no orçamento federal empalideciam em comparação aos efeitos orçamentários dos US$ 300 bilhões em redução de impostos de McCain.

Obama foi agressivo nos ataques a McCain desde o início. Ele usou um comentário feito por McCain antes da crise financeira sair de controle para tentar pintá-lo como fora da realidade, dizendo: "Há dez dias, John disse que os fundamentos da economia estavam sólidos".

O moderador, Jim Lehrer, tentando promover um engajamento mais direto, disse: "Diga isso diretamente para ele".

Obama atendeu, provocando risos: "John, há 10 dias, você disse que os fundamentos da economia estavam sólidos".

McCain respondeu, provocando mais risos: "Você teme que eu não possa ouvi-lo?"

Mas ambos ficaram sérios ao usarem a atual crise econômica para defender suas propostas fiscais: McCain disse que uma maior redução de impostos para as empresas é necessária para promover o crescimento econômico, enquanto Obama acusou que as reduções de impostos de McCain favoreceriam os ricos, enquanto as suas ajudariam a classe média.

McCain soou com freqüência como um senador voltado aos procedimentos técnicos durante o primeiro terço do debate, falando sobre destinação de recursos e abusos legislativos enquanto falava sobre a economia. Mas ganhou mais vigor quando a conversa se voltou para a política externa, e ao falar sobre seu apoio à nova estratégia no Iraque.

Obama, por sua vez, conseguiu usar exemplos mais vívidos de como a crise econômica estava prejudicando as pessoas comuns, e como elas poderiam se beneficiar com seu plano de redução de impostos para a classe média, que ele notou que permitiria às famílias comprar um novo computador para seus filhos, ou apenas tornar a gasolina mais barata. Mas ele se tornou mais cauteloso quando a conversa passou para a política externa, quando se viu aparando os ataques de McCain, que visam questionar sua prontidão - ao mesmo tempo que apontava que McCain esteve errado em muitas de suas suposições centrais a respeito da guerra no Iraque.

O debate foi originalmente concebido como uma chance para os dois candidatos exporem seus pontos de vista e diferenças sobre política externa. Mas devido ao agravamento da crise no setor financeiro, e da disputa dramática em Washington em torno do plano de resgate proposto, questões sobre a economia passaram a ser relevantes demais para serem ignoradas.

Neste aspecto, o debate foi emblemático da eleição presidencial em geral: uma disputa que muitos esperavam que giraria em torno da política externa, e cujos candidatos de ambos os partidos foram escolhidos principalmente por causa de suas posições em relação à guerra no Iraque, e que passou a ser dominada pela economia, e a dúvida sobre qual candidato é capaz de lidar melhor com ela.

Pouco a respeito do debate -d os assuntos tratados ao suspense sobre se ocorreria ou não - seguiu o roteiro estabelecido. Nenhum dos candidatos teve aquilo com que contava.

Obama montou uma elaborada simulação de debate na Flórida nesta semana, completo com palco improvisado e pessoas para fazer o papel de McCain e do moderador do debate, Jim Lehrer. Mas a simulação na Flórida mal foi usada, já que Obama deixou sua equipe de conselheiros para trás e partiu para se encontrar com McCain na Casa Branca, deixando Obama com pouco o que fazer na noite de quinta-feira, exceto ler seu material preparado.

McCain destinou um tempo para treino em sua agenda nesta semana, apenas para se ver ocupado com as negociações em torno do pacote de resgate. Mas ele conseguiu dedicar algumas poucas horas de ensaio no final da noite de quinta-feira, em uma sala em seu apartamento na Virgínia, que sua campanha preparou com um púlpito e perguntas e críticas feitas por membros de sua equipe, disse Mark Salter, um alto assessor de McCain. George El Khouri Andolfato

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