UOL Notícias Internacional
 

03/10/2008

Um debate político com sua cota de distorções

The New York Times
Kitty Bennet, Michael Luo, John Broder, William Rohter e Julie Bosman, do The New York Times
O debate vice-presidencial de quinta-feira apresentou uma boa cota de distorções e declarações inexatas. Aqui estão algumas delas.

Crise Financeira
A governadora Sarah Palin, candidata republicana à vice-presidência, ostentou que o senador John McCain "soou o alarme" a respeito do Fannie Mae e Freddie Mac, repetindo alguns dos recentes comentários de McCain nos quais ele se retratava como estando à frente no alerta sobre a crise financeira iminente.

Palin se referia à decisão de McCain de 2006 de assinar como co-patrocinador de um projeto de lei no Senado para reforma da regulação das duas empresas de empréstimo hipotecário. Mas a legislação foi apresentada há mais de 16 meses e o debate em torno do assunto já transcorria há algum tempo. Ele também só acrescentou seu nome depois que uma agência de supervisão apresentou um longo relatório condenando as práticas no Fannie Mae.

Planos de Saúde
Palin atacou o plano de atendimento de saúde do senador Barack Obama como sendo um que imporia um sistema "universal administrado pelo governo", no qual a área de saúde seria "tomada" pelo governo federal. Isso não é verdade em muitos aspectos.

A proposta de Obama inclui a opção das pessoas escolherem entre um novo plano público com benefícios semelhantes aos que os membros do Congresso e outros funcionários públicos federais atualmente dispõem. E também inclui uma expansão do Medicaid (o seguro saúde público para famílias de baixa renda) e do Programa de Seguro Saúde Infantil, mas está longe de ser exclusivamente administrado pelo governo. O plano também determina que apenas crianças, e não adultos, tenham cobertura.

Reduções de Impostos para os Ricos
O senador Joseph R. Biden Jr., o candidato democrata à vice-presidência, disse que McCain estava propondo uma redução de impostos de US$ 300 bilhões por ano para corporações e indivíduos ricos. Obama disse o mesmo no debate presidencial na última sexta-feira.

O número é baseado em cálculos da campanha de Obama e do não-partidário Centro de Política Fiscal. Eles analisaram as propostas fiscais de McCain além do prolongamento das reduções de impostos aprovadas no início do governo Bush, que custam aproximadamente US$ 110 bilhões por ano.

O centro de política disse que não era capaz de calcular precisamente o valor em dólares das propostas de McCain, porque o plano fiscal do senador não era bem detalhado e que era impossível calcular quanto alívio fiscal se destinaria aos contribuintes de média e baixa renda.

A campanha de Obama vem usando o número de US$ 300 bilhões há meses, mas é baseado em suposições e projeções, não em fatos.

Aumentos de impostos
As tratar das questões de impostos, Palin fez afirmações sobre as políticas de Obama que são incorretas. Por exemplo, ela ressuscitou uma acusação de que ele e Biden votaram "a favor dos maiores aumentos de impostos na história americana" e também acusou que ele aumentaria impostos para "as famílias que ganham apenas US$ 42 mil por ano".

Obama votou duas vezes neste ano a favor de uma resolução orçamentária que permitiria que as reduções de impostos que o presidente Bush conseguiu que fossem aprovadas pelo Congresso, em 2001 e 2003, expirassem no final de 2010, como mandava a lei original. Mas isso, segundo a definição do Escritório Orçamentário do Congresso e outros especialistas, não constitui um aumento de impostos.

A resolução, se não acompanhada de outras mudanças fiscais, prevê um aumento dos impostos para indivíduos que ganham US$ 42 mil por ano e que não têm dependentes e não são donos de imóveis. Ele não se aplicaria a famílias. Na verdade, as estimativas são de que uma família de quatro pessoas que ganha até US$ 90 mil não veria um aumento de impostos.

Além disso, a campanha de McCain abandonou meses atrás seu argumento de que Obama foi a favor de um aumento histórico de impostos. Ela o fez depois que analistas fiscais e outros economistas condenaram como falsa a afirmação, dizendo que nada contemplado por qualquer um dos partidos chega pero dos aumentos de impostos implantados para que o país lutasse na Segunda Guerra Mundial. Palin, entretanto, ressuscitou a acusação.

Impostos 'Patrióticos'
Fazendo uso de uma declaração recente de McCain na campanha, Palin afirmou que Biden teria dito que aumentar impostos é patriótico.

Mas essa declaração é uma distorção de suas palavras. Na entrevista para o programa "Good Morning America" da ABC, em 18 de setembro, ao qual Palin se referia, Biden disse que pagar impostos é patriótico, não aumentá-los.

Kate Snow, a jornalista da ABC News, tinha começado a perguntar a Biden sobre as reduções de impostos promovidas por Bush em 2001 e 2003, e sobre quem no final pagaria mais impostos assim que as reduções expirassem.

"Qualquer um ganhando mais de US$ 250 mil", disse Snow, antes de Biden completar a frase: "Vai pagar mais". Então ele concluiu: "É hora de ser patriótico, hora de participar, hora de ajudar a tirar a América do atoleiro".

Fontes de Energia
Biden atacou McCain repetidamente por ter votado "20 vezes" contra energia alternativa, repetindo um ataque feito por Obama contra McCain na semana passada, no debate entre os candidatos à presidência.

O Factcheck.org, um grupo não-partidário, examinou a acusação, revendo uma lista de 23 votações fornecida pela campanha de Obama, mas apontou que a acusação era enganadora, porque muitas votações envolveram o voto de McCain contra o uso obrigatório de energia alternativa, ou permitindo isenções da obrigatoriedade. O grupo apontou que menos da metade dos votos citados pela campanha de Obama de fato envolveram a redução ou eliminação do uso de fontes de energia renováveis. George El Khouri Andolfato

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