UOL Notícias Internacional
 

04/10/2008

Disputas pelos governos estaduais ficam de fora da atenção nacional

The New York Times
Kirk Johnson
Em uma temporada eleitoral dominada pela disputa presidencial e pela crise financeira, as 11 disputas por governos estaduais são dominadas em grande parte por temas e personalidades locais, fora da atenção nacional.

Em três Estados onde os atuais governadores estão enfrentando duras batalhas pela reeleição - Washington, Indiana e Vermont - questões como congestionamentos de trânsito, ensino superior e custos do combustível para aquecimento, além de desenvolvimento ou declínio econômico, dominam a conversa.

Nas disputas pelo cargo vago em Missouri, Delaware e Carolina do Norte, histórias pessoais - como correr por fora da hierarquia política, ou o legado e pontos fracos dos governadores de saída- transformaram as eleições em amplos melodramas de ambição ou fracasso.

"Há uma qualidade única em cada Estado", disse Alan Rosenthal, um professor de política pública da Universidade Rutgers que estuda os Estados. "A economia obviamente influencia, mas esta mudança toda e o sentimento antipolítico exprime os sentimentos na maioria dos lugares. Mas o peso de cada fator é diferente de um Estado para outro, semana a semana."

Os democratas controlam 28 dos 50 governos estaduais - tendo conquistado a maioria em 2006 pela primeira vez desde a ascensão republicana em meados dos anos 90 - e deverão manter a maioria com a mudança de apenas um ou dois governos em uma direção ou outra, dizem analistas políticos.

Em Washington, uma quase repetição da eleição de 2004 está em andamento, com a governadora Christine Gregoire, um democrata, enfrentando Dino Rossi, um ex-senador estadual republicano. Gregoire derrotou Rossi por menos de 200 votos da última vez - uma das grandes eleições mais apertadas na história americana - e os dois estão novamente disputando cabeça a cabeça como se o tempo tivesse parado.

Em Delaware, um democrata rebelde, o tesoureiro estadual Jack Markell, ficou com a indicação para governador em uma vitória surpreendente na primária do mês passado - arruinando os planos cuidadosos dos democratas para a transferência orquestrada de poder da governadora em fim de mandato, Ruth Ann Minner, para seu vice de confiança. Markell conquistou os eleitores com planos detalhados de atendimento de saúde e desenvolvimento econômico, e enfrenta Bill Lee, um republicano e juiz aposentado.

No Missouri, a disputa para suceder Matt Blunt, um republicano que optou por não concorrer à reeleição, se tornou em parte um referendo a respeito de Blunt e seu partido. A disputa entre o secretário de Justiça estadual, Jay Nixon, um democrata, e o deputado Kenny Hulshof, um republicano, é de certa forma um microcosmo do debate nacional a respeito do presidente Bush e seu legado. Mas por todo o Estado, os temas são locais e específicos aos programas de crédito educativo e atendimento de saúde.

Na Carolina do Norte, o oposto está ocorrendo, com o candidato republicano, o prefeito de Charlotte, Pat McCrory, argumentando que 15 anos de controle do governo estadual pelos democratas bastam. As pesquisas mostram que a corrida para suceder o governador Michael F. Easley, que está deixando o cargo porque a lei não permite sua reeleição, está empatada entre McCrory e a vice-governadora Beverly Eaves Perdue, uma democrata.

"A lição das disputas de 2008 para os governos estaduais é que assuntos de governo importam e o retrospecto importa", disse Nick Ayers, o diretor executivo da Associação dos Governadores Republicanos.

"A política nacional tende a influenciar um pouco estas disputas, e elas influenciam um pouco a política nacional", acrescentou Ayers. "Mas em grande parte, as pessoas vencerão ou perderão devido à sua própria candidatura."

A sorte também na geografia ou economia provavelmente também ajuda.

Dos oito Estados onde os atuais governadores estão disputando reeleição, por exemplo - Indiana, Montana, New Hampshire, Dakota do Norte, Utah, Vermont, Washington e Virgínia Ocidental - três são avaliados pelo The Cook Political Report, um grupo de pesquisa independente e não-partidário, como estando indefinidos: Washington, Indiana e Vermont.

Aqui está o padrão: os Estados onde os governadores que disputam reeleição estão mais seguros são aqueles onda a economia está se mantendo mais firme diante da desaceleração nacional.

Montana (Brian Schweitzer, democrata), New Hampshire (John Lynch, democrata), Dakota do Norte (John Hoeven, republicano), Utah (Jon M. Huntsman Jr., republicano) e Virgínia Ocidental (Joe Manchin III, democrata) estão todos acima da média nacional, e da média em suas regiões no país, em crescimento do emprego nos 12 meses até agosto, em comparação com uma perda nacional de empregos de 0,2%, segundo uma análise da Moody's Economy.com para o "New York Times".

Mas todos os 11 Estados, com a exceção de Indiana, também apresentam índices de execução hipotecária bem abaixo da média nacional, e todos exceto New Hampshire e Vermont apresentam preços de imóveis que se mantiveram melhor do que no país como um todo ao longo do último ano.

Historicamente, grande parte do grupo pende para os republicanos em eleições gerais. Oitos os 11 Estados apoiaram o presidente Bush em 2000, e sete o fizeram de novo em 2004. Neste ano, sete provavelmente apoiarão o candidato presidencial republicano, o senador John McCain, segundo o Cook Political Report, com três provavelmente escolhendo o candidato democrata, o senador Barack Obama, e um onde a pesquisa aponta empate, New Hampshire.

Mas os governadores freqüentemente contrariam as tendências nacionais - outra medida histórica de como os eleitores talvez os vejam de forma diferente. Os republicanos às vezes se saem bem em Estados de inclinação democrata - Califórnia, Nova York e Vermont, por exemplo - enquanto os governadores democratas se saem bem em Estados altamente republicanos como Montana, Carolina do Norte e Virgínia Ocidental.

Mas independentemente de quem vença, a próxima leva de governadores provavelmente enfrentará tempos turbulentos, disse Thad L. Beyle, um professor da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, que estuda os governadores. Beyle acha que o resgate federal a Wall Street alterará um elemento crucial da química dos governos estaduais: a capacidade de obter recursos de uma Washington que se vê dobrada e à procura de modos de reduzir gastos.

"Assim que forem eleitos, eles encontrarão problemas: queda de receita e menor ajuda do governo federal", disse Beyle, que editou um livro de ensaios sobre governança em períodos econômicos ruins, "Governors and Hard Times" (CQ Press, 1992). "Eles estarão realmente em apuros e enfrentarão Legislativos que estarão em apuros."

Mas por ora, a energia das campanhas estaduais, mesmo que fora da atenção nacional, é intensa. Em Washington, onde Gregoire venceu por 133 votos da última vez, seu site está postando histórias de pessoas que apoiaram seu adversário, mas mudaram de lado. Indivíduos, e não grupos, estão sendo cortejados.

"Não há nenhum governador que saiba mais do que ela que cada voto conta", disse um porta-voz de Gregoire, Aaron Toso. George El Khouri Andolfato

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