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04/10/2008

Krugman: economia em colapso diante de vácuo de liderança

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
Há três semanas ainda era possível discutir o estado da economia americana, que apesar de longe de bom, não era desastroso; que o sistema financeiro, apesar de sob estresse, não estava sofrendo um colapso total e que os problemas de Wall Street não estavam tendo muito impacto sobre o varejo e o cidadão comum.

Mas isso foi naquele momento.

As notícias financeiras e econômicas desde a metade do mês passado são muito, muito ruins. E o que é realmente assustador é que estamos entrando em um período de grave crise com uma liderança fraca e confusa.

A onda de más notícias teve início em 14 de setembro. Henry Paulson, o secretário do Tesouro, achou que poderia escapar impune ao deixar o Lehman Brothers, o banco de investimento, falir; ele estava errado. O apuro dos investidores pegos pelo colapso do Lehman - como um artigos do "The Times" colocou, o Lehman se transformou em "a armadilha de Wall Street: eles entravam, mas não conseguiam sair" - criou pânico nos mercados financeiros, que apenas se agravou com o passar dos dias. Os indicadores de tensão financeira aumentaram para o equivalente a uma febre de 42 graus, e uma grande parte do sistema financeiro simplesmente fechou.

Há crescente evidência de que o arrocho financeiro está se espalhando para o varejo, com pequenas empresas tendo dificuldade para levantar dinheiro e vendo suas linhas de crédito cortadas. E os principais indicadores tanto de emprego quanto de produção industrial simplesmente pioraram, sugerindo que mesmo antes da queda do Lehman, a economia, que já vinha fraca desde o ano passado, estava caindo de um penhasco.

Quão ruim está a situação? Pessoas normalmente sóbrias estão soando apocalípticas. Na quinta-feira, o corretor de títulos e blogueiro John Jansen declarou que as condições atuais são "o equivalente financeiro do período do Terror durante a Revolução Francesa", enquanto Joel Prakken, da Macroeconomic Advisers, disse que a economia parece estar "à beira do abismo".

E as pessoas que deveriam estar nos conduzindo para longe do abismo saíram para almoçar.

A Câmara provavelmente votará na sexta-feira a mais recente versão do plano de resgate de US$ 700 bilhões - originalmente um plano de Paulson, depois um plano de Paulson-Dodd-Frank, e agora, eu acho, um plano de Paulson-Dodd-Frank-Interesses Eleitoreiros (ele foi altamente engordado desde que a Câmara o rejeitou na segunda-feira). Eu espero que ele seja aprovado, apenas por estarmos no meio de um pânico financeiro, e outra rejeição agravaria ainda mais o pânico. Mas isso apenas é outra forma de dizer que a economia agora é refém dos erros crassos do Departamento do Tesouro.

A verdade é que o plano oferecido fede - e não há desculpa para isso. O sistema financeiro está sob severo estresse há mais de um ano, e deveria haver planos de contingência, cuidadosamente elaborados, prontos para ser implantados em caso de colapso do mercado.

Obviamente não havia: o plano de Paulson foi claramente concebido às pressas e no meio da confusão. E funcionários do Tesouro ainda não ofereceram qualquer explicação clara sobre como o plano supostamente funcionará, provavelmente porque eles mesmos não têm idéia do que estão fazendo.

Apesar disso, como eu disse, eu espero que o plano seja aprovado, caso contrário veremos um pânico ainda pior nos mercados. Mas na melhor das hipóteses, o plano nos dará algum tempo para buscar uma solução real para a crise.

E isso levanta a questão: nós temos esse tempo?

Uma solução para nossos apuros econômicos terá que começar por um resgate muito melhor concebido do sistema financeiro - um que quase certamente envolverá o governo assumindo a propriedade parcial, temporária, do sistema, como o governo da Suécia fez no início dos anos 90. Mas é difícil imaginar o governo Bush dando esse passo.

Nós também precisamos desesperadamente de um plano de estímulo econômico para reverter a queda no consumo e no emprego. E desta vez é melhor que seja um plano sério, não um que se apóie na mágica da redução de impostos, mas sim que gaste dinheiro onde é necessário. (Ajuda aos governos estaduais e locais carentes de recursos, que estão cortando gastos precisamente no pior momento, também é uma prioridade.) Mas é difícil imaginar o governo Bush, em seus últimos meses, supervisionando a criação de uma nova Works Progress Administration.

Então nós provavelmente terem que esperar pelo próximo governo, que deve ser mais inclinado a fazer a coisa certa - apesar de até mesmo isso estar longe de certo, dada a incerteza em torno do resultado da eleição. (Eu não sou fã de Paulson, mas prefiro ele no Tesouro do que, digamos, Phil "país de chorões" Gramm.)

E apesar de restar apenas 32 dias para a eleição, levará quase quatro meses até a posse do próximo governo. Muita coisa poderá dar errado - e provavelmente dará - nesses quatro meses.

Uma coisa é certa: é melhor que a equipe econômica do próximo governo esteja pronta para assumir o cargo já em plena ação, porque desde o primeiro dia ela se verá lidando com a pior crise financeira desde a Grande Depressão. George El Khouri Andolfato

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