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08/10/2008

Em vários temas, candidatos exageraram durante o debate

The New York Times
Do The New York Times
Em seu segundo debate presidencial na noite de terça-feira, os senadores Barack Obama e John McCain se permitiram uma boa dose de deturpações à medida que cada um tentava convencer os eleitores de sua aptidão para ser presidente. Aqui estão algumas de suas declarações inexatas:

Grande Gastador
McCain sugeriu que Obama tinha o "retrospecto mais liberal, de grande gastador, no Senado dos Estados Unidos". Um momento depois, McCain disse que seu rival democrata propôs "US$ 860 bilhões em novos gastos".

Esta é a mesma afirmação que McCain tem feito nas últimas semanas em seus comícios de campanha.

Onde ele obteve esse número? A campanha de McCain disse que é baseado na soma de todos os programas que Obama propôs, mais de 40 iniciativas ao longo da campanha.

Mas ele não leva em conta o dinheiro que o governo Obama economizaria nos cortes a outros programas.

No final de setembro, o não-partidário Comitê por um Orçamento Federal Responsável chamou a afirmação de McCain de US$ 860 bilhões como sendo "um número enganador retirado de contexto".

Jeff Zeleny

Mais Liberal?
McCain sugeriu que os eleitores procurassem "algumas dessas organizações que monitoram o que fazemos, como a Cidadãos Contra o Desperdício do Governo ou a União Nacional dos Contribuintes" e olhassem para o retrospecto de Obama. McCain disse: "Este é o retrospecto mais liberal, de grande gastador, no Senado dos Estados Unidos".

É verdade que Obama não é visto de forma favorável por nenhum desses grupos, mas eles também não o classificam como o gastador "mais liberal" no Senado. A União Nacional dos Contribuintes deu a Obama uma nota "F" para cada um de seus três primeiros anos no Senado, mas também classificou quatro senadores abaixo dele e um empatado com ele em 2005. Trinta ficaram abaixo dele e três empatados com ele em 2006, e cinco ficaram abaixo dele e cinco empatados em 2007.

A Cidadãos Contra o Desperdício do Governo concluiu que Obama votou como ela quer apenas 10% das vezes em 2007 e 18% das vezes em toda sua carreira no Senado. Mas ela concluiu que há 47 senadores que se saíram ainda pior segundo seus padrões no ano passado (incluindo o amigo e aliado de McCain, Joseph I. Lieberman, de Connecticut) e 30 que foram piores e quatro empatados com Obama ao longo de suas carreiras no Senado.

Peter Baker

Independência em Energia
Obama disse: "Nossa meta deve ser a de que em 10 anos estaremos livres da dependência do petróleo do Oriente Médio, e podemos conseguir isso". E McCain disse que os Estados Unidos devem explorar petróleo em alto-mar porque isso reduziria o preço do petróleo. "Isso reduzirá o preço do barril de petróleo, porque quando as pessoas sabem que há maior oferta, então o custo cai."

Mas ambas as declarações ignoram o fato de que o petróleo é negociado em um mercado global. Se os Estados Unidos deixarem de importar petróleo do Oriente Médio, mas a oferta daquela região for interrompida, a escassez global também afetará os Estados Unidos, segundo especialistas no mercado de petróleo. E o petróleo que pode ser extraído de áreas em alto-mar teria um efeito no mercado global, mas seria mínimo, de forma que seu impacto sobre o preço seria pequeno.

Matthew L. Wald

Caça a Bin Laden
Quando foi perguntado a Obama se violaria a soberania do Paquistão e atravessaria a fronteira paquistanesa para caçar os militantes que atacam as forças americanas no Afeganistão, ele estreitou a pergunta, dizendo que entraria no Paquistão se tivesse informação do paradeiro de Osama Bin Laden. Essa, é claro, tem sido a política do governo Bush desde os dias após os ataques de 11 de setembro de 2001.

A pergunta da qual ele se esquivou é: se ele iria atrás das forças que estão atacando os americanos - uma mistura de talebans, militantes tribais e associados distantes da Al Qaeda. Esta é uma pergunta bem mais difícil do que ir atrás da Al Qaeda. Em julho, o presidente Bush mudou de posição nesta questão e emitiu ordens confidenciais permitindo que as Forças Especiais americanas façam exatamente isso. Nem Obama nem McCain comentaram essa decisão, ou disseram que manteriam a política adotada há pouco por Bush.

McCain falou sobre cooperar com os paquistaneses, sugerindo que era responsabilidade deles agir nas Áreas Tribais Administradas Federalmente e no Waziristão do Norte e do Sul, um refúgio para os militantes. Mas ele também, em duas ocasiões, se referiu ao seu herói, Theodore Roosevelt, citando sua famosa declaração a respeito da necessidade de "falar suavemente e carregar um grande porrete". (Roosevelt na verdade disse "caminhar suavemente e carregar um grande porrete".) Ele censurou Obama por falar alto demais, e McCain pareceu sugerir que se entrasse no Paquistão, o faria de forma secreta. No final, ele não respondeu se respeitaria a soberania do Paquistão.

David E. Sanger

Intervenção Humanitária
Na questão da intervenção humanitária para prevenir genocídio, Obama fez algumas afirmações sobre política e história que, na melhor das hipóteses, são confusas e que muitos historiadores provavelmente questionariam.

"Se tivéssemos intervindo de forma eficaz no Holocausto, quem entre nós diria que tínhamos a obrigação moral de não intervir?" ele perguntou. "Se pudéssemos impedir Ruanda, certamente se tivéssemos a capacidade, isso seria algo que teríamos que considerar fortemente e agir."

Mas segundo Bill Clinton, que era presidente na época do genocídio em Ruanda, a questão não era de "capacidade", mas sim de vontade política. Em duas visitas a Ruanda, a última em 2005, ele pediu desculpas por não ter tomado medidas para usar o poder americano para prevenir o massacre que ocorreu em 1994, quando centenas de milhares de pessoas foram mortas em um período de três meses.

"Eu estava no governo dos Estados Unidos em 1994" e não agi, disse Clinton em uma visita a um museu na capital de Ruanda, em julho de 2005. "Eu expressei arrependimento por meu fracasso pessoal", ele acrescentou.

Os motivos para esse fracasso são complicados e ainda são debatidos. Mas um fator era o claro desejo de evitar uma repetição do que aconteceu em 1993, na Somália, quando uma intervenção humanitária por tropas americanas levou ao desastre político descrito no filme "Falcão Negro em Perigo".

Em dezembro passado, fazendo campanha em prol de sua esposa em Iowa, Clinton chegou até a dizer que ela pediu para que ele usasse o poder americano para impedir o genocídio em Ruanda. Se ele tivesse ouvido seu conselho, ele reconheceu, a história poderia ter sido outra.

"Eu acredito que se tivéssemos agido, nós poderíamos ter salvo pelo menos um terço daquelas vidas", ele disse. "Eu acho que ela claramente teria feito isso."

Larry Rohter

Saúde
Cada candidato expôs erroneamente elementos das propostas de seu adversário para o atendimento de saúde e pode ter exagerado suas próprias.

McCain, ao argumentar que Obama prefere soluções públicas ao problema dos não segurados, acusou que Obama imporia a obrigação para que pequenas empresas forneçam cobertura para seus funcionários ou que pais obtenham planos de saúde para seus filhos. Como Obama apontou na resposta, McCain estava apenas parcialmente certo.

"Se você for dono de uma pequena empresa e não oferecer plano de saúde para seus funcionários, o senador Obama multará você", disse McCain. "Se você for pai e tiver dificuldade para adquirir um plano de saúde para seus filhos, o senador Obama multará você."

Obama de fato exigiria que empresas de médio e grande porte forneçam plano de saúde aos seus funcionários ou paguem um imposto para um fundo que ajudaria a subsidiar cobertura para pessoas de baixa renda. Mas seu plano isenta especificamente pequenas empresas da obrigatoriedade. Na verdade, Obama propõe oferecer um incentivo fiscal substancial para encorajar as pequenas empresas a fornecerem a cobertura.

O candidato democrata não disse quão pequena uma empresa teria que ser para estar enquadrada na isenção, nem quantificou o tamanho da pena.

Mas Obama disse que obrigaria os pais a obterem seguro para seus filhos. Ele não especificou a pena para aqueles que não o fizessem. Apesar de McCain ter afirmado que "todo pai que conheço obteria um plano de saúde para seus filhos se pudesse", estudos mostraram que mais de 1 milhão de crianças de baixa renda que têm direito a planos de saúde públicos baratos permanecem não seguradas.

O democrata estava correto ao dizer que McCain votou contra o aumento dos recursos para um desses planos, o Programa de Seguro Saúde Infantil. Ele o fez duas vezes no ano passado.

Por sua vez, Obama acusou que McCain "deixaria os Estados sem capacidade de regular as seguradoras para assegurar que não excluam condições pré-existentes, que seus mamogramas estejam cobertos ou que sua maternidade esteja coberta".

McCain não propôs especificamente a desregulamentação do setor de planos de saúde ao remover as exigências de cobertura. Mas alguns economistas argumentam que esse poderá ser o efeito de seu plano para permitir a venda de apólices de seguro entre Estados. Como alguns Estados exigem a cobertura de mais condições e procedimentos do que outros, Obama argumenta que as seguradoras se instalarão nos Estados que impuserem menos obrigações.

Obama também repetiu sua afirmação de que seu plano faria uma família média economizar US$ 2.500 ao ano em despesas com plano de saúde. Muitos economistas do setor questionam se conseguiria economizar tanto dinheiro em um único mandato, como promete Obama.

McCain disse que seu plano -que colocaria um fim à dedução pelos empregadores dos benefícios de saúde no imposto de renda e em vez disso daria às famílias um crédito fiscal de US$ 5 mil- deixaria 95% dos americanos com ganho líquido. Isso também é questionado, já que a campanha de McCain baseou seus cálculos no custo médio de um plano de saúde familiar. Além disso, como os créditos fiscais de McCain provavelmente não acompanhariam a inflação, muitos economistas acreditam que mais e mais consumidores sofreriam prejuízo líquido com o passar do tempo.

Kevin George El Khouri Andolfato

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