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09/10/2008

Autoridades retestarão amostras de atletas olímpicos em busca de nova droga

The New York Times
Juliet Macur
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou na quarta-feira que retestará as amostras de sangue colhidas de atletas nos Jogos de Pequim para checar a presença de uma nova droga que aumenta o vigor, que beneficiaria atletas de provas de resistência como ciclistas e corredores de provas de longa distância.

Até o momento, três vencedores de etapas da Volta da França deste ano apresentaram positivo para a droga, uma substância para combate da anemia chamada ativador contínuo do receptor de eritropoietina (CERA, na sigla em inglês). É uma nova geração da droga EPO, que é proibida pela Agência Mundial Antidoping.

Ambas as drogas estimulam a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos que transportam oxigênio, mas o CERA dura mais e exige menos injeções.

Agora o COI está à procura de atletas que possam ter usado o CERA em Pequim. Especialistas antidoping esperam alguns positivos, principalmente entre atletas de esportes que exigem resistência.

Mas velocistas também podem estar entre os pegos, eles disseram. A ex-campeã dos 100 e 200 metros rasos Kelli White admitiu ter usado EPO como parte de seu regime de doping, mas nunca apresentou positivo nos testes para a droga. Marion Jones, a velocista olímpica que caiu em desgraça, também disse ter usado EPO para se recuperar mais rapidamente dos treinamentos.

Um número desconhecido das 979 amostras de sangue dos Jogos Olímpicos será testado à procura do CERA, disseram autoridades do COI.

"Certamente haverá alguns atletas que acharam que poderiam escapar impunes, porque achavam que o teste não estaria pronto", disse Christiane Ayotte, diretora do laboratório credenciado pela Agência Mundial Antidoping nos arredores de Montreal. "Nós sabíamos de sua chegada ao mercado pouco antes da primavera do ano passado, e ocorreram positivos na Volta da França, então achamos que haverá positivos em Pequim."

"Por que a técnica não foi aplicada em Pequim, eu não sei responder", ela disse. "Mas não estamos deixando passar nada. A oportunidade de examinar novamente as amostras um ou dois meses depois é ótima."

A porta-voz do COI, Emmanuelle Moreau, disse na quarta-feira que 4.770 amostras de sangue e urina estavam vindo de Pequim para um laboratório em Lausanne, Suíça, onde o COI guarda as amostras desde os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. As amostras são congeladas e mantidas por oito anos, período durante o qual podem ser analisadas retroativamente em caso de surgimento de um novo exame.

O estatuto de limitações para imposição de sanções por doping a atletas que usaram drogas que melhoram o desempenho também é de oito anos, segundo as regras da Agência Mundial Antidoping.

O COI já retestou amostras antes, as dos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City de 2002. As amostras foram examinadas em busca do esteróide anteriormente indetectável THG, que era a droga alvo da investigação da Bay Area Laboratory Co-Operative. Nenhuma das amostras daqueles Jogos apresentou positivo.

Moreau disse que o COI decidiu retestar as amostras de Pequim após vários participantes da Volta da França terem sido pegos nos exames à procura da droga.

"Isso faz parte de nosso plano de tolerância zero ao doping", ela disse em uma entrevista por telefone, na quarta-feira.

Moreau disse que os detalhes dos testes ainda não foram determinados, e que as autoridades do COI discutirão esses planos com as autoridades da Agência Mundial Antidoping. O custo da realização dos testes e quem pagará é desconhecido, ela disse, apesar de especialistas terem dito que um teste de EPO pode custar mais de US$ 300 por amostra.

O presidente do COI, Jacques Rogge, disse em uma declaração na quarta-feira que os exames retroativos se tornarão um pilar dos exames antidoping dos jogos.

"Nós esperamos que isto funcione como um forte dissuasor e faça os atletas pensarem duas vezes antes de trapacear", ele disse.

A EPO é um problema no esporte desde que apareceu no mercado no final dos anos 80. Os atletas podiam tomar uma dose da droga e ver seus benefícios em cerca de duas semanas, dizem os especialistas. Um teste de urina para EPO é usado desde os Jogos de Sydney de 2000.

Apesar da análise dos resultados do exame ter melhorado desde então, alguns atletas ainda usam a droga sem detecção, ao usarem pequenas doses durante um período longo.

Pelo menos três ciclistas usando CERA na Volta da França deste ano não passaram pelo exame. Os ciclistas italianos Riccardo Ricco e Leonardo Piepoli não passaram nos exames de doping durante a Volta. E o ciclista alemão Stefan Schumacher também testou positivo para a droga, disseram autoridades na terça-feira.

Esperando que os atletas usariam o CERA para melhorar seu desempenho, o laboratório farmacêutico suíço Roche ajudou o laboratório nacional antidoping francês a desenvolver um teste para a droga. Eles iniciaram a colaboração no teste há quatro anos, disseram representantes da empresa.

O exame de urina para a droga às vezes é inconclusivo em determinar se a droga está presente, disseram alguns especialistas. Mas no sangue, ela é muito mais fácil de ser detectada. O laboratório francês e o laboratório de Lausanne usaram esse processo para testar as amostras de sangue de Pequim.

"A Agência Mundial Antidoping está confiante de que o processo resistirá a qualquer contestação científica ou legal potencial", disse o porta-voz da agência, Frederic Donze.

Entre as amostras de sangue de Pequim, é provável que aquelas com resultados anormais, como níveis incomumente altos de hemoglobina, estariam entre as novamente testadas, disseram autoridades antidoping.

Nos Jogos de Pequim, seis atletas dos 10.500 que competiram foram desclassificados após terem sido pegos no exame antidoping: a atleta ucraniana do heptatlo, Lyudmila Blonska; o levantador de peso ucraniano Igor Razoronov; a corredora grega dos 400 m com barreiras, Fani Halkia; o atirador norte-coreano Kim Jong Su; a ciclista espanhola Isabel Moreno; e o ginasta vietnamita Thi Ngan Thuong Do.

Três outros atletas ainda têm casos de doping pendentes. Os arremessadores de martelo Vadim Deviatovskiy e Ivan Tsikhan, de Belarus, têm até 17 de outubro para fornecer à comissão disciplinar do COI mais informações a respeito dos resultados analíticos adversos de seus exames antidoping.

A comissão está perto de anunciar uma decisão a respeito do caso de doping do polonês Adam Seroczynski, um atleta da canoagem.

"Algumas pessoas se mostraram cínicas ao final dos Jogos Olímpicos, dizendo que dentre 5 mil testes ocorreram apenas nove positivos, como aquilo era possível?" disse Ayotte, uma das especialistas responsáveis pela supervisão dos exames antidoping em Pequim. "Mas os exames não acabaram. Os atletas que se doparam não devem se recostar e dizer: 'Eu não fui pego. Me dei bem'. Não, ele devem continuar preocupados." George El Khouri Andolfato

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