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09/10/2008

Piratas somalis aparentemente próximos de fechar acordo sobre carregamento de armas

The New York Times
Jeffrey Gettleman
Os piratas somalis que seqüestraram um navio ucraniano cheio de armas há quase duas semanas em breve poderão receber seu resgate - um grande resgate, segundo disseram na quarta-feira (08/10) autoridades marítimas e conhecidos dos piratas.

Após negociações difíceis, que várias pessoas envolvidas compararam com uma pechincha de feira, parecia que um acordo no qual os piratas receberiam milhões de dólares e o navio seria liberado estava próximo.

"Os piratas e os proprietários do navio concordaram em cerca de US$ 8 milhões (em torno de R$ 16 milhões). O navio talvez seja liberado hoje ou amanhã", disse Ahmed Omar, empresário em Xarardheere, famoso esconderijo pirata na costa da Somália.

Autoridades marítimas do Quênia foram mais cautelosas, dizendo que detalhes cruciais ainda tinham que ser resolvidos. Por exemplo, os piratas pediram garantias de que não seriam presos ou explodidos na água pela frota de navios de guerra americanos que atualmente os cerca.

"Isso não é como comprar um carro usado e sair dirigindo. A questão chata do dinheiro é apenas uma parte", disse uma autoridade marítima do Quênia.

Ainda assim, a autoridade, que falou sob condição de anonimato, disse na quarta-feira: "Está havendo progressos. As partes estão se aproximando".

A princípio, os piratas pediram US$ 35 milhões (em torno de R$ 70 milhões), mas baixaram para US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 40 milhões). Contudo, eles sempre indicaram que estavam prontos a dar descontos.

Mais de 25 navios foram seqüestrados neste ano na costa da Somália, e atualmente o resgate está em torno de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões (entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões).

Os piratas no navio ucraniano disseram que quando o dinheiro for entregue - em dólares americanos e preferencialmente em notas de 100 - eles vão liberar o navio, a carga e os vinte marinheiros a bordo

Uma questão que ainda persiste é qual era o país de destino original do carregamento. Pouco após o navio ser seqüestrado, no dia 25 de setembro, o governo queniano alegou que as armas a bordo - 33 tanques T-72, 150 lançadores de granadas, seis armamentos antiaéreos e montes de munição- eram para os militares quenianos. O navio estava se dirigindo para o principal porto do Quênia, em Mombasa.

Subseqüentemente, emergiram evidências que as armas faziam parte de um acordo clandestino de armas entre o Quênia e a região separatista do Sul do Sudão, um acordo que provavelmente teria permanecido secreto se os piratas não tivessem seqüestrado o navio e começado a conversar com a mídia mundial por telefone via satélite. Autoridades ucranianas insistiram que não fizeram nada de errado.

"A Ucrânia não fornece - nem tem planos de fornecer - armamentos para o governo do Sul do Sudão. Todos os documentos necessários foram validados. A Ucrânia segue todas as regras da Organização das Nações Unidas e os acordos de controle de armas", disse Oleh Belokolos, diplomata ucraniano no Quênia.

A Ucrânia é uma importante vendedora de armas, tendo herdado enormes depósitos de armas após o colapso da URSS.

O que é suspeito neste acordo é que, até agora, o Quênia quase sempre contava com o Reino Unido e outros países do Ocidente como fornecedores de armas pesadas. Enquanto isso, o Sul do Sudão, região autônoma que atualmente está montando seu exército, usa tanques de origem soviética. Políticos quenianos exigiram respostas e pediram a instauração de várias comissões para estudar essa questão.

Os militares americanos disseram que sua prioridade era assegurar que as armas não fossem tiradas do navio e vendidas para insurgentes islâmicos da Somália. Os piratas disseram que não estão interessados nas armas e que não tinham a menor idéia que havia tanques a bordo quando seqüestraram o navio.

"Só queremos o dinheiro", disse o porta-voz dos piratas, Sugule Ali, em entrevista na semana passada. Deborah Weinberg

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