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11/10/2008

Medo e incerteza enervam as economias mundiais

The New York Times
Por todo o mundo, o temor de uma recessão alimentou um pânico no mercado de ações, à medida que as preocupações com os ativos tóxicos se espalham do setor financeiro para o setor de crédito e agora para a economia de forma mais ampla. Empresas da Alemanha até a Ásia estão guardando dinheiro por causa do arrocho nos mercados de crédito. A simples incerteza de tudo está minando os planos de expansão das empresas. Os consumidores se retraíram, junto no momento em que obtinham algum alívio da alta nos preços do petróleo.

Até mesmo empresas com bom crédito não conseguem obter dinheiro na Europa. E por toda a Ásia, o crescimento das exportações desacelerou até se arrastar ou começou a diminuir em termos reais - e isso antes dos varejistas americanos anunciarem fortes declínios nas vendas na quarta-feira.

Os Estados Unidos, antes o motor da economia mundial, estão doentes e não estão em posição de inspirar confiança, muito menos apontar um caminho para contornar ou sair da recessão. Os americanos são vistos tanto como a raiz do problema e impotentes para solucioná-lo.

Mas nenhum esforço governamental tem conseguido estancar o sangramento -mesmo a coordenação sem precedente dos bancos centrais de três continentes, o que apenas gerou mais medo.

A liquidez fornecida pelo Banco Central Europeu, por exemplo, parece estar passando por uma porta giratória. Após liberar bilhões de euros no mercado, o banco recebeu dos bancos um recorde de 102,8 bilhões de euros em 30 de setembro e 64,4 bilhões de euros na quinta-feira. Em vez de emprestarem seu dinheiro excedente uns aos outros ou para o restante da economia, os bancos o estão depositando no banco central a taxas de juros ultrabaixas.

"Nenhum banqueiro são e com bons contatos e clientes faria isso", disse Erik Nielsen, economista chefe para Europa da Goldman Sachs, em Londres. "Seria um lucro arbitrário imenso se quisessem emprestar, mas não querem."

A noção de que a Ásia tinha se descolado dos Estados Unidos, e que agora estava operando de forma independente do ciclo de negócios americano, mostrou ter vida curta. A Ásia foi o continente que mais se beneficiou com a ascensão do comércio global nas últimas duas décadas. Seus lucros corporativos, preços de imóveis e muito mais dependem de um afluxo constante de dólares e euros obtidos com as exportações ao Ocidente.

Mas o Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento nos 15 países que usam o euro cairá durante a segunda metade deste ano e pouco crescerá em 2009. (E esta estimativa, que foi preparada antes das reuniões deste fim de semana do FMI e do Banco Mundial em Washington, já são consideradas desatualizadas por muitos especialistas.) O Reino Unido, a única grande economia européia fora da zona do euro, deverá encolher ao longo do próximo ano.

Muitos na Ásia, desesperados por ajuda do Ocidente, estão se voltando para Pequim.

"Os Estados Unidos não têm mais salvação -nossa única esperança está na China", disse Dick Chen, um gerente de meia-idade, vestindo uma camisa listrada azul e carregando um celular ultrafino, enquanto acompanhava os mercados com desalento na sexta-feira, em um pregão em Hong Kong.

De fato, nos últimos seis anos, a economia chinesa continuou avançando apesar de todos os obstáculos. Na verdade, Pequim até estava mais preocupada com um superaquecimento da economia e a inflação resultante. Assim a China começou a manter um superávit orçamentário, aumentou repetidas vezes as taxas de juros e exigiu dos bancos um notável depósito compulsório de um sexto de seus ativos como reservas no banco central.

Mas diante da desaceleração do crescimento, Pequim está repentinamente tentando estimular sua economia reduzindo as taxas de juros, impostos e reduzindo os depósitos compulsórios. Mas o governo já se depara com uma economia que parece carente de fôlego.

Os economistas vêem o crescimento anual caindo de 12% ao ano, há um ano, para 8 ou 9% neste fim de ano.

A Coréia do Sul já está sofrendo. "O problema é a recessão mundial -as pessoas não compram aparelhos eletrônicos, o que significa menos exportações e menos dólares para nós", disse Choi Hae Pyong, um fabricante de peças eletrônicas ao sul de Seul. "É como caminhar por um nevoeiro denso."

A queda nas exportações tem um impacto por todas as economias asiáticas, assim como sobre os imóveis. Enquanto a região continuava exportando e economizando a receita, os investidores provocavam alta dos preços dos imóveis e das ações. Agora os preços de ambos estão diante de uma longa queda.

Esta semana mostrou os primeiros sinais de que a crise financeira pode estar começando a prejudicar a economia do Japão. Na quarta-feira, a Tokyo Shoko Research, uma empresa de pesquisa de mercado, divulgou dados mostrando que o número de falências saltou 34,4% no mês passado em comparação ao ano anterior, para 1.408 falências, o número mais alto em cinco anos e meio. Os economistas disseram que o aumento pode refletir o crescente arrocho de crédito, já que os bancos japoneses reduziram os empréstimos para empresas menores, menos conhecidas.

Desde meados de setembro, secou até mesmo o empréstimo para empresas com bom crédito na Europa.

Os bancos, por sua vez, estão culpando os consumidores. Steven Cooper, diretor-gerente de setor bancário local da Barclays, disse que algumas pequenas empresas simplesmente não aceitam que seus negócios faturarão menos no futuro. O desemprego está em alta, minando a base de clientes de restaurantes e hotéis, mas fornecedores nervosos estão cada vez mais exigindo pagamento adiantado, minando os negócios para ambos os lados.

E é por isso que as ações dos governos -do resgate aos bancos de US$ 700 bilhões nos Estados Unidos à redução coordenada das taxas de juros pelos bancos centrais nesta semana- tiveram pouco efeito em promover a circulação do dinheiro e fazer com que os bancos voltem a emprestar uns aos outros ou aos seus clientes.

Por exemplo, Cooper disse que reduzir o custo do crédito não tornará os clientes do Barclays mais dignos de crédito em uma retração. "Não se trata apenas do custo dos fundos. O crédito é determinado pelo risco e o risco na economia não é necessariamente alterado por isso", ele disse.

Muitas empresas já começaram a recuar, como a indústria automotiva européia.

A Volvo disse que demitirá 2.700 funcionários na Suécia e outros 600 no exterior em resposta ao que chamou de "situação de mercado em rápida deterioração". A Opel, a subsidiária alemã da General Motors, fechou temporariamente duas fábricas para acomodar a queda acentuada na demanda.

Carlos Ghosn, o executivo-chefe da Renault, disse sem rodeios nesta semana que o arrocho de crédito o deixou sem escolha a não ser começar a guardar dinheiro. Ele previu uma recessão "forte e prolongada". George El Khouri Andolfato

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